Drogas

Por , em 30/10/2011 às 22:42  

Qual a relação do uso de substâncias e seus impostos?

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O grande debate do uso de  substâncias psicoativas  acaba sempre sendo banalizado. No final das contas somos levados a ter que responder a questão se apoiamos a internação involuntária e compulsória ou se somos a favor da descriminalização do uso ou não. Não vou responder essas questões aqui, embora tenha uma opinião formada sobre tais assuntos.

Gostaria de nesse texto deixar claro o contexto geral que esse debate  deveria colocar-se: a relação do homem vivendo em sociedade controlada por um Estado. O uso de substâncias psicoativas, no geral, não é uma situação artficial e novidade dos dias atuais, o homem sempre experimentou substâncias da natureza, isso faz parte de nossa formação cultural.  Há um fator que provoca diferenças em relação ao passado: em geral consumia-se as substâncias in natura, sem manipulá-las, hodiernamente, o homem aprendeu a manipular as substancias, criando o crack, a cocaina e outras, cujo uso provoca grave dependência física. É evidente a desagregação, socio familiar provocadas por essas drogas.

A utilização de substâncias psicoativas em rituais religiosos como Ayahuasca e o  álcool em sua função de facilitadora da interação social; ambas aceitas pela lei e por parte da sociedade, nos coloca a questão da permissividade do quanto podemos aceitar que alguém altere sua função mental, entorpeça-se, com objetivo de entreter-se ou de potencializar sua reflexão religiosa. Em outras palavras, afirmo que o debate sobre drogas deve ser colocado primeiramente sobre a questão do ponto que permitimos que haja substâncias psicoativas aceitas e outras não aceitas pela sociedade, pois o álcool já carrega muitas das piores estatísticas que uma substância psicoativa pode carregar, desde a desagregação familiar, brigas, acidentes, doenças físicas e a morte, provocando gastos ao Estado.  Autorizar qualquer outra substância, além do álcool para uso social com a argumentação de entreter, potencializaria esses males que são desagregadores. Vale e pena? Não é o objetivo responder isso.

A discussão sobre a liberação uso de outras substâncias deve se dar sobre o quanto estamos dispostos a arcar com gastos (impostos) em saúde e assistência social para compensar os males que essas tais substâncias irão provocar, assim como o álcool  já provoca. Na hipótese da liberação do uso de substâncias o debatedor também terá de concordar que deveremos pagar mais impostos para custear as dificuldades que o governo terá de lidar para assegurar uma condição mínima de bem estar social, garantindo tratamentos e internação para os que precisarem.

Vejam que  coloquei a questão da descriminalização das drogas um pouco fora do foco de uma questão com viés moral da permissividade de aceitar que o outro possa estar entorpecido ou não. Acredito que se pudermos debater o quanto estamos dispostos a custear um estado cuidador para a permissividade maior ou menor do uso de substâncias psicoativas, muitas pessoas formarão a opinião sobre descriminalizar o uso de modo mais racional.




12 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por Peplau  , em 05/11/2011 às 18:28

O estudo que linquei abaixo, também de David Nutt, é um estudo mais recente que leva em consideração os danos sociais das drogas. O álcool torna-se mais perigoso do que o crack quando se leva em consideração os danos sociais, devido à permissividade social e às pesadas campanhas de marketing. Tal estudo deveria ser repetido no Brasil, para termos um ranking que representasse com mais fidelidade a nossa realidade, mas já é uma guideline de respeito. Daqui pra frente, faço votos para que você refine seu discurso, abolindo a figura homogênea representada pela palavra "drogas". Para quem sabe o significado real dessa palavra, é como um chute na cara.

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 22:25

http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/drogas/forum/topic/estudo-confirma-alcool-e-mais-prejudicial-do-que-maconha-cocaina-e-crack/

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 22:26

@peplau este estudo leva em conta os danos sociais. Bons estudos e por favor, agora que você já teve acesso às informações mais recentes, pare de colocar a maconha no mesmo balaio das outras drogas, ou as pessoas vão começar a pensar que sua posição não é profissional, mas sim ideológica.

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 11:00

Em tempo: sim, eu percebi seu esforço de colocar a maconha no mesmo balaio das outras drogas ilegais, por isso o meu esforço aqui de comparar seus danos com os de drogas legais.

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 09:27

Também me parece que você ignorou o que eu falei sobre os impostos financiarem os possíveis estragos na saúde pública causados por uma determinada substância. Este era, aliás, um dos pontos centrais do seu artigo. Coloquei bem claramente que, ao contrário de aumentar as despesas com saúde, legalizar faria com que os usuários daquela substância pagassem impostos em cima da droga que consomem. A maconha não tem que ser regulamentada porque é inofensiva, mas porque causa danos, e porque seus danos são inferiores aos de outras drogas legais, como o cigarro e o álcool. Desculpe-me se estou sendo repetitivo, é que parece que da primeira vez você não entendeu meu ponto. Abraço!

Por Leandro C S Gavinier, em 04/11/2011 às 22:06

@peplau você insiste em falar somente da maconha e reconheço que as chances do uso gerar uma internação compulsória são poucas, mas em minha prática clínica eu já internei sim dependente de maconha involuntariamente (mas é um fato raro), mas já internei muito mais usuário que tornou-se psicótico e afirmo que é bem triste e chocante para família. Eu questiono se os dados do trabalho do Dr. Nutt que você tanto gosta de citar seriam referência para a população brasileira, diferenças culturais levam a mudança no impacto social, os impactos sociais devem também entrar na conta para que os governos tomem a decisão descriminalizar, depois é claro, que tiver claro para parcela da população que é isso mesmo que querem. Abraço.

Por Leandro C S Gavinier, em 04/11/2011 às 19:24

@peplau ignorei pois eu não tenho como prever o quanto será o custo saúde para o governo caso as drogas sejam descriminalizadas, não tenho como afirmar se apenas o imposto gerado pelo próprio consumo poderá cobrir o custo da assistência que o governo terá que oferecer, sabemos que como no caso dos CD´s caso a valor da substância liberada para uso seja muito alto o mercado negro, que não paga impostos, continuará forte. Acrescento outra variável, que na verdade deveria ser tema de outro post, a política de saúde mental do governo federal está tomada por fanáticos da Luta Antimanicomial que são completamente contra qualquer forma de internação involuntária ou compulsória, numa situação em que houvesse relaxamento das leis e maior número de dependentes destrutivos na população corremos o risco de termos uma população ainda maior de crackeiros-zumbis perambulando pelas ruas. Considerei muito legal o trabalho do Dr. David Nutt e não invalida nada do que falei. O ponto central do meu texto é que teremos que pagar mais impostos se quisermos que mais substâncias assim como o álcool e tabaco sejam liberados para consumo. E olha eu não sou, necessariamente, contra a pagar mais impostos.

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 19:57

@leandrogavinier mais uma vez você coloca todas as drogas ilegais no mesmo balaio. O trabalho de David Nutt mostra claramente que a maconha é menos prejudicial do que o cigarro e o álcool, que são drogas legais. Mais uma vez lhe pergunto: se os danos são menores, porque você está esperando um impacto maior na saúde publica? Permita-me discordar de que a regulamentação da maconha faria com que a população que não-fumante pague mais impostos. Se estivéssemos aqui falando de cocaína ou heroína, drogas que causam mortes por overdose, até poderia ser que os impostos não seriam suficientes. Mas no caso da maconha, acredito que seja muito alarmismo considerar que a mesma seria motivo de caos na saúde pública. Também não entendo porque você coloca questões como "internação compulsória" ao lado da maconha. Mais uma vez, esta substância não causa os mesmos danos à saúde muito menos a mesma compulsividade do Crack, jamais levando quem a usa a uma perda temporária de seu julgamento crítico, o que poderia justificar uma intervenção compulsória. Para finalizar, gostaria que você refinasse seu discurso sobre as drogas ilegais, atualmente ele está muito homogêneo. Como o estudo de Nutt demonstra, as drogas não são todas iguais, sendo assim não podem ser tratadas de modo igual. Todos nós estamos evoluindo diariamente e você não pode ser exceção. Grande abraço!

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 09:10

Me parece que a desculpa de que "faz mal" serve para criminalizar a maconha, mas não é levada em consideração com drogas MAIS PESADAS, como o álcool e o cigarro. PS: Eu jamais disse que a maconha é inócua, apenas deixei clara a CONSTATAÇÃO de que ela é menos prejudicial do que as duas substâncias legais citadas anteriormente: cigarro e álcool.

Por Peplau  , em 04/11/2011 às 09:09

Eu sei que maconha pode desencadear esquizofrenia em quem tem pré-disposição genética. O álcool pelo contrário, pode causar demência alcólica em QUALQUER PESSOA. Leia o estudo abaixo, que compara os danos físicos de cada substância. http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/drogas/forum/topic/ranking-de-drogas-focado-apenas-nos-danos-fisicos/

Por Peplau  , em 03/11/2011 às 17:23

Caro Leandro, quem você acha que custeia hoje em dia a saúde dos que usam drogas, senão toda a sociedade. Legalizar uma substância é, ao contrário de aumentar as despesas com saúde, fazer com que os usuários daquela substância paguem impostos em cima da droga que consomem, financiando assim os estragos causado por tal droga. Também aconselho que você se atualiza sobre os estudos mais recentes, que qualifica a maconha como uma substância muito menos prejudicial ao organismo do que o cigarro e o álcool. Se os danos são inferiores, não entendo porque você prevê um caos na saúde.

Por Leandro C S Gavinier, em 03/11/2011 às 19:36

@peplau não mencionei não mencionei cannabis em meu texto e as publicações científicas confirmam sim que esta substância pode provocar antecipação do aparecimento da Esquizofrenia. Trabalho com isso, diariamente atendo psicóticos que tiveram seu primeiro surto após uso de maconha e apesar disso ainda considero que é uma droga que, com a devida rede de atendimento médico de suporte, poderá ter seu uso descriminalizado no futuro. http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/873922-fumar-maconha-pode-adiantar-o-aparecimento-da-esquizofrenia.shtml