Opinião

Por , em 11/11/2012 às 23:58  

Financiamento público de campanha: todo poder ao Rei

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A reforma política retorna ao debate e o financiamento das campanhas vem à reboque. Por muitos considerado uma das engrenagens que levaram ao mensalão, o financiamento privado de campanhas é expressão da liberdade do cidadão, que decidindo não participar da política diretamente,  investe num candidato que lhe agrada, que tem ideias semelhantes, que tem propostas interessantes.

Contra o argumento de que o financiamento privado exclusivo daria plenos poderes ao capital, ideia também temerária, já temos hoje o fundo partidário que alimenta os partidos com um piso financeiro garantindo a sobrevivência dos ideais organizados.

Entretanto os amantes do estado forte, inebriados pela popularidade de Lula-Dilma, agora querem acabar com o financiamento privado em campanhas políticas, uma suposta vacina contra a corrupção. Não é preciso ser astuto, qualquer ingênuo visualizaria que o jogo do poder não se atem ao dinheiro, mas ao poder em si. Sem falar que o dinheiro pode continuar a comprar apoio de modo não vinculado diretamente ao que vai aparecer na campanha. Fabiano Angélico, especialista em administração pública, abordou este tema, em texto publicado na Folha de São Paulo hoje, 11 de novembro de 2012, de modo interessante .

Essa aparente ação contra a corrupção na verdade esconde outro propósito: concentrar o poder. De que formas isso se daria? Primeiro: se há uma única fonte que libera o dinheiro para a campanha então é esta que deverá ser objeto de apoio, quer por interesse ideológico ou fisiológico, polarizando e desequilibrando a balança, esvaziando a força dos interesses opositores. Segundo: a restrição da capacidade de organização para pensar o poder público fora daquilo que o governo lhe destinou, exemplo: uma viagem de interesses partidários só do poderia ser feito com dinheiro do quinhão público, dificultando muito os partidos menores de oposição crescer no debate em nível nacional.

Na prática ocorrerá o estabelecimento de um teto ou limite máximo de capacidade de organização para debate do poder estatal; em termos mais explícitos: um sério atentado à liberdade do cidadão de pensar sua própria sociedade e Estado. A simples mudança para o financiamento público exclusivo de campanha coloca uma chancela virtual na liberdade do cidadão de organizar-se para questionar o establishment estatal: aquilo que não foi financiado por fundo público deixa de ser reconhecido como legítimo para questionar as ações governamentais e propor a troca de gestão estatal.

A restrição da capacidade de organizar-se das vozes dissonantes, não alinhadas ao poder maior, é o sonho totalitário daqueles que se acham detentores do conhecimento da redenção da espécie humana, tema vibrante nas hordas coletivistas onde, individualidade, é palavrório ofensivo.




2 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por Paulo Ferreira, em 12/11/2012 às 11:30

Campanha Política só deve ter dinheiro privado. O dinheiro público é para ser usado na alimentação, saúde, educação, esporte, lazer, investimentos em infra-estrutura do país, transporte, segurança do cidadão (mais ou menos nesta ordem). O que falta é discussão séria neste país sobre quanto se tem para investir em que, o tal Orçamento da União que sempre é votado nos últimos dias do ano, com 30% (ou mais ou menos) desvinculado que é pro poder executivo fazer o que bem der-lhe na telha (talvez sapatos). A reforma política sómente virá quando houver a reforma do eleitorado quando este parar de votar em qualquer dos candidatos que não tenham coragem de ao menos se pronunciar mostrando seu ponto de vista favorável a reforma eleitoral, aliás o simples calar desses políticos significa que sua posição já está clara, eles são a favor da continuidade do modello e inclusive querem mais verba, de preferência pública e a vontade inclusive para fazer caixa 2, pois querem continuar fazendo a mesmisse contra os ignorantes eleitores, parabéns a elles: Ja dizia o Cristo: " Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja, daí-lhes segundo o vosso desejo a paz e a unidade. "

Por Luiz Felipe, em 12/11/2012 às 09:57

Depois que o HoMeM apela para Deus e as forças cósmicas, os cornetas tiram um sarro. Mas vejam aí os argumentos acima e me digam se o "molellão bandidão", político-partidário-eleitoral é ou não engenhoca fabricada pelo próprio demônio, ou anjos caidos. Com o julgamento do tal "mensallão", restou fartamente comprovado que o Dinheiro, no caso, maldito, é a grande desgraça do dito cujo, modello político-partidário-eleitoral, que nos impõe o nefasto continuismo pestífero., aliás, uma seara na qual quanto mais se reza mais assombrações aparecem. Não obstante tudo, e toda a tempestade que ainda sopra forte lá no STF, vem a turma dos aparentemente apaixonados pelo "modellão", mantido à base de dinheiro, nos pedir, agora, também, financiamento público para as suas campanhas ridículas, superadas, démodés, impostas ditatorialmente por seus caciques e suas siglas ao povo, goela abaixo, assim como os seus candidatos, nos quais o povo é obrigado a votar, sob penalidades, caminhando assim na contramão daquilo que a socidade, a patroa, quer, que é a eleição por méritos, capaz de nivelar por cima os resultados eleitorais, câmaras, assembléias, parlamentos e governos, como nos propõe o HoMeM do Mapa a Mina com o PNBC e a Meritocracia Eleitoral, eliminando o dinheiro e sua infuência nas eleições, tornando todos iguais perante a nova lei eleitoral, com a mais ampla participação popular, direta., democratizando assim, ao máximo, as eleições. Todavia, os continuistas na mesmice, não se fazem de rogados, não se dão por achados, e, lamentavelmente, continuam achando que somos todos bobos e que vamos embarcar em mais esse 171 eleitoral, que é o financiamento público de campanha, voto distrital e o escambal. Basta. Vade retro, Satanás.