Brasil

Por Fernando Henrique Cardoso, em 04/11/2012 às 09:57  

HORA DE BALANÇO, por Fernando Henrique Cardoso

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As eleições municipais foram um prato cheio para análises, avaliações, distorções e apostas. Os resultados eleitorais foram muito dispersos. Dão margem para tudo: ganhou o PT, pois levou São Paulo; perderam Lula e o PT, pois no Norte e no Nordeste o PSDB e o DEM ganharam várias capitais e cidades importantes. Ou ainda: o PSDB foi “dizimado” no Sudeste. Ao que replicam os oposicionistas: quem perdeu foi Lula, derrotado em Salvador, Campinas, Manaus, Fortaleza etc. Se o PSDB era um partido “do Sudeste”, expandiu-se  no Norte e Nordeste.  O próprio DEM, candidato à extinção, segundo muitos, derrotou o lulo-petismo em Salvador,  Aracajú e Mossoró. Juntos PSDB e DEM levaram sete das 15 maiores cidades da região: no bunker petista das eleições presidenciais a oposição encontra agora fortes bases de apoio. O mesmo se diga sobre o Norte.

As avaliações sobre quem venceu podem ser discutidas a partir de vários critérios: número de prefeituras (o PMDB manteve a dianteira com cerca de mil, o PSDB tem 698 e o PT 636), número de votos obtidos etc. Há, entretanto, dificuldades para uma avaliação objetiva. Por exemplo: em Belo Horizonte ganhou o PSB aliado ao PSDB, mas os votos são dos socialistas ou do PSDB de Aécio? O mesmo se diga de Campinas. Bastaria mudar o cômputo dessas duas cidades para alterar a posição relativa dos partidos no rol dos vencedores. O PT se pode gabar de haver ganhado São Paulo. Mas deve reconhecer que seu avanço no país foi tímido para quem queria obter mil prefeituras e detém as rédeas do poder federal e as chaves do cofre. Manteve dezesseis prefeituras nas cidades com mais de duzentos mil habitantes, contra quinze do PSDB (que antes tinha apenas dez). O PMDB, sem vitórias expressivas fora do Rio de Janeiro, guardou, contudo, uma rede importante de prefeituras: nas cidades com mais de cem mil habitantes ganhou em 45, ficando o PSDB com 48 e o PT com 54. São estes os três partidos com maior capilaridade no eleitorado brasileiro. O PSDB manteve a posição sendo oposicionista e, portanto, com maior dificuldade para obter recursos financeiros e políticos.

O PSB teve dois êxitos significativos: derrotou o lulo-petismo em Recife e em Fortaleza. Isso abre margens à especulação sobre suas possibilidades para as eleições presidenciais, com uma cisão no bloco que até agora apóia o governo Dilma. A divisão entre os eleitores continua sendo entre governistas e oposicionistas. Daí a peculiaridade da situação do PSB que, governista, derrotou o partido hegemônico no governo, o PT. Prosseguirá neste rumo? Difícil responder. Para ocupar posições polares num sistema  organizado entre governo e oposição é preciso dispor de base social e rumo político. Se o PSB vier a disputar com chances de êxito as presidenciais terá que ser identificado pelo eleitorado como diferente do lulo-petismo, ainda que não oposto a ele, e terá de obter apoio em amplos setores sociais em função dessas diferenças. Uma coisa é ganhar votos nas eleições municipais, outra nas federais.

A consideração vale para o PSDB. Apesar das críticas de que o partido não faz oposição vigorosa, conseguiu manter-se como seu carro chefe. Em São Paulo ganhou 176 prefeituras, contra 67 do PT e mesmo na capital, arrastando o desgaste da administração local, obteve 40% dos votos. Elegeu candidatos de nova geração, como os prefeitos de Botucatu, João Cury, de Americana, Diego Natal e de Votuporanga, Junior Marão, com votações muito expressivas. Em Maceió Rui Palmeira venceu no primeiro turno. Em Blumenau Napoleão Bernardes ganhou no segundo, assim como em Pelotas, Eduardo Leite. Mariana Carvalho em Porto Velho, sem se eleger, teve boa votação.  O PSDB renovou os quadros, mas não fez o erro de dispensar os mais experientes: Arthur Virgílio, Firmino Filho ou, para mencionar um entre os veteranos paulistas, o prefeito de Sorocaba, Antonio Pannunzio são exemplos disso.

Ser jovem não assegura ser portador de mensagem renovadora e tê-la é a questão estratégica central.  Carlos Mello em artigo publicado neste jornal afirmou que o PSDB era originariamente “liberal na economia, social-democrata nas políticas públicas e progressista nos costumes”. Esta poderia continuar a ser a mensagem do partido, desde que se acrescente ao liberalismo econômico o contrapeso de um Estado atuante nas agências reguladoras e capaz de preservar instituições chave para o desenvolvimento, como Petrobrás e os bancos públicos, sem chafurdar no clientelismo e na confusão entre público e privado. O progressismo nos costumes implica na defesa da igualdade de gênero, no apoio às medidas racionais de compensação social e racial, bem como em políticas modernas de controle da violência e das drogas que não joguem as populações pobres contra os governos. Sem esquecer de que o crescimento do PIB só é satisfatório quando respeita o meio ambiente e beneficia maioria da população.

Renovar implica em se comunicar melhor, usando linguagem contemporânea nas mídias televisivas e eletrônicas. Mas não basta a pregação durante o período eleitoral. É preciso a reiteração cotidiana das crenças e valores partidários, para reagir à tentativa dos adversários de estigmatizar o PSDB como o partido “dos ricos”, privatista a qualquer custo e arrogante. Perguntem aos pobres de Maceió, Teresina, Belém ou de Manaus em que partido votaram e verão que a identificação com os partidos se dá mais pela mensagem e pelas características de quem as proclama e a quem se dirige do que por classificações abstratas de segmentos sociais. Sem deixar de ser um partido modernizador, o PSDB, como escrevi tantas vezes, deve se dirigir aos mais pobres, mas também às classes médias, tanto às antigas como às camadas que aumentaram a renda mas ainda não têm identificação social própria. É este o caminho para êxitos futuros.

 




20 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por erikssom patos, em 12/11/2012 às 00:25

Em tempo. A renovação que tanto falam seria essa? http://www.implicante.org/blog/amor-em-sp-gestao-kassab-haddad/

Por roberto argento filho argento, em 12/11/2012 às 16:27

@patos: A turma tem preguiça de seguir LINK, vai daí que ... Que essa história de “novo” era só conversa-mole marqueteira, convenhamos, qualquer um já sabia. O abraço caloroso no coligado (não mero apoiador) Paulo Maluf já deixava claro, não obstante o fato do próprio Haddad já ter feito parte da gestão Marta. Mais ainda: a sanha por “renovação” no PT, como sabemos, surgiu do indiciamento (e agora condenação) de seus principais líderes que, também como sabemos, não foram nem nunca serão expulsos do partido, ainda que seja o determinado pelo estatuto. Mas sigamos. Hoje, segundo reportagem do Estadão, foi anunciado o secretário de Verde e Meio Ambiente de Haddad. Ninguém menos que o LÍDER DE KASSAB NA CÂMARA. Sim, o atual líder do prefeito. UMA INDICAÇÃO DE KASSAB PARA A ADMINISTRAÇÃO “NOVA”. A lorota do “novo”, que já estava desacreditada, virou anedota de mictório – lembrando que somos nós, cidadãos, o alvo final desse chiste político jocoso. Além de Maluf, cujo partido também terá sua secretaria, teremos também Kassab na gestão petista em São Paulo. Podemos dizer, com segurança e sem qualquer desonestidade fática ou intelectual, que se trata de uma CONTINUIDADE. Aceitar apoio é uma coisa, COMPOR GOVERNO é outra. Ao partir par essa segunda opção, Haddad se torna o sucessor direto da gestão Kassab, vez que – por óbvio – traz para sua administração ninguém menos que o LÍDER daquele que, até dias atrás, atacava ferozmente (era brinques, claro). E por que atacava? De novo: marketing. Pesquisas apontavam desgaste do já-quase-ex-prefeito e, com isso, Haddad descia a ripa (mesmo depois de o terem procurado para fechar uma chapa – vejam lá a foto da convenção petista). Daí, uma vez eleito, o PT chama para seu governo exatamente quem seria o “atraso”. Uns vão dizer que é do jogo, talvez até seja, mas imagino agora a cara do pessoal que fez campanha contra Kassab. Pois é: ele está na nova gestão, indicando seu líder como secretário municipal. Quem diria que era esse o “amor” que faltava. ps – quando falo em indignação de militantes, evidentemente não incluo empresários – do dia ou da noite – com interesses diretos em partidos ou afins, sejam filiados ou não nestes ou naqueles partidos; falo do cidadão inocente que acreditou nas arapucas eleitoreiras e foi feito de idiota – os outros, claro, são os “espertos”.

Por Seu Creysson, em 08/11/2012 às 19:28

Permita-me, caro FHC, adicionar um fator crucial: o fator psíquico. A política e as riquezas, supervalorizadas pela publicidade onipresente, muitas vezes faz com que algumas pessoas façam a terrível e equivocada associação entre: ter valor como pessoa e ter valor apenas quando se detém variados graus de sucesso econômico, político e social. Temos numerosos exemplos que nos mostram como alguns negócios e lutas pelo poder carregam cargas psíquicas pesadas desta natureza, como se a dignidade das pessoas dependesse do quanto possuem. Pessoas com histórias de vida difíceis costumam ser mais vulneráveis a esse fenômeno, que, em última instância, depende apenas de uma decisão pessoal e intransferível. Decisão pessoal que traz consequências opostas: ódio+violência ou paz+diálogo sadio.

Por Leandro Gonçalves Marques, em 09/11/2012 às 13:55

@seucreysson Bem lembrado.

Por Leandro Gonçalves Marques, em 06/11/2012 às 11:36

Belo artigo, como sempre. Achei corajosa e notável a descrição do partido como "liberal na economia". Dá munição aos energúmenos para fazerem a cantilena emburrecente que vem conquistando adeptos no país, até porque o PSDB permitiu de forma totalmente constrangedora que se distorcesse tudo o que foi feito. Se o partido se assumir liberal na economia vai jogar esse assunto nas luzes, e com o debate que se seguirá será possível esclarecer as coisas, mandar o discurso emburrecente do PT às favas, queimando o partido por ter mantido o país nas trevas por tanto tempo e, de quebra, fazendo um país de gente esclarecida, que adota o liberalismo, condição fundamental para um país que deseja se desenvolver, pois não adianta o PSDB ganhar a presidência amanhã mesmo e não ser capaz de implantar medidas modernizantes porque não conta com o apoio da população. A solução é ir para a briga, não se acovardar. É fato que sairemos perdendo feio, mas com competência, um bom discurso, persistência e coragem, aliado à circunstância de estarmos com a razão dos fatos, conseguiremos mudar o jogo ganhando não apenas eleições, mas apoio consistente e determinado da população. Se isso fosse feito tempos atrás a situação hoje seria diferente. Há uma boa parcela da população simpática à essas idéias, que estuda, trabalha duro e é prejudicada pelo governo, outra parcela que facilmente seria convencida, até porque ficaria demonstrado a ignorância que seria dar uma de comunistinha. Lembrando que, no máximo, precisamos de 50% de simpatizantes para eleger um presidente e não 100%. Detesto ser o profeta do ocorrido, mas uma coisa que me deixa muito curioso é saber porque o PSDB, um partido com os melhores e mais experientes políticos do país, tomou uma decisão EVIDENTEMENTE desastrosa de se acovardar, onde os riscos eram enormes, as vantagens eram invisíveis e o prejuízo seria de longo prazo.

Por Capitão Caverna, em 05/11/2012 às 21:47

[... ser identificado pelo eleitorado como diferente do lulo-petismo, ainda que não oposto a ele, e terá de obter apoio em amplos setores sociais em função dessas diferenças...] Será que só eu idenfico a desfaçatez desse discurso? E quasi seriam as diferenças entre o PT e o PSDB, além de diferenças cosméticas? Seriam as diferenças de acesso ao dinheiro público para financiamento de campanhas? Algo como dificuldades e facilidades na obtenção de recursos... É muito descaramento... Ninguém mais identifica essas descaradas confissões?

Por roberto argento filho argento, em 05/11/2012 às 23:54

@antoniorodrigues: shshshshshshshsh

Por roberto argento filho argento, em 05/11/2012 às 17:03

Hora de Balanço? Hhora de PL 3.722/12!!!!

Por Cristiano Sousa de Araújo, em 05/11/2012 às 15:50

Desculpe Presidente , sou um grande admirador da sua inteligência . Acho que o Sr foi o melhor presidente que este país já teve, Como economista, entendo bem a dificuldade que foi debelar aquela inflação crônica , a sua equipe foi genial . Mas esta avaliação carece de uma visão mais profunda do quem é realmente o eleitor brasileiro. Dizer quem perdeu , quem, ganhou , qual partido ganhou e qual perdeu é uma questão que precisa ser dissecada pelo rabo em vez de pela cabeça . Em eleições municipais tem um fator preponderante muito diferente das eleições presidenciais . Nas grandes cidades, a grande maioria dos votos vem daqueles que ganharam alguma coisa do candidato em termos financeiros . Em São Paulo Lula não ganhou , foi o PSDB que escolheu o candidato errado, Tudo isso aliado a um grande montante de dinheiro que o PT gastou para vencer lá . Em Fortaleza , os Ferreira Gomes para estancar a fúria gastadora do PT também derramou muito dinheiro nas eleições e conseguiu vencê-los . Para lhe dar um exemplo claro que dinheiro faz muitos votos falo de um Deputado muito conhecido das manchetes policiais , José Guimarães , o CUEÇÃO , ele é um sujeito anti social sem qualquer traquejo no trato com pessoas , mas vem ganhando eleições só alimentadas por muito dinheiro do PT.

Por Capitão Caverna, em 05/11/2012 às 21:04

@cristiano [...Agora, a naturalidade com que FHC descreve a “dificuldade na obtenção de recursos do PSDB” é ultrajante… Então se estivessem no governo teriam “mais facilidade na obtenção de recursos para campanhas”… mesmo sendo ingênuo não admitindo que pudessem haver conchavos, favorecimentos, ou mesmo desvio de dinheiro público, essa afirmação nos tempos atuais, no qual a população indigna-se com o episódio do mensalão é no mínimo ofensiva… Então o PT detém apenas uma “facilidade” na obtenção dos recursos??? Desfaçatez…] Parece que o problema recai sempre sobre "nosso dinheiro"...

Por Nazareno Rodrigues, em 04/02/2013 às 22:03

@antoniorodrigues Parece que você carece de mais entendimento sobre o que lê... Obtenção de Recursos para o MUNICÍPIO, para OBRAS, Gestão (Educação, Saúde, Urbanização, Saneamento, etc.), porque sem dinheiro, as boas ideias e as boas intenções, não saem do papel nem da cabeça... Quanto ao Kassab, os DESMEMORIADOS, se esquecem que ele FORMOU OUTRO PARTIDO, porque o DEM nao quis se aproximar do Governo Federal (Lula), e se mudasse de partido Perderia o Cargo!! (Fidelidade Partidária) Ficaram associando o governo Kassab ao Serra (Pois foi ele quem introduziu o mesmo há 8 anos na prefeitura, mas foi prefeito com os Próprios Votos na última), mas o Kassab há tempos já vinha "Namorando" o governo Dilma/Lula... O povo não tem memória, não consegue entender o que lê, e acredita em qualquer coisa que vê escrito sem questionar... Depois a culpa é dos políticos...

Por Paulo Ferreira, em 05/11/2012 às 13:31

O PT ganhar no nordeste ou no raio que o parta, pra mim tanto faz, o problema é ser governado pelo PT em São Paulo, levamos 4 anos pra nos livrar da Marta, enviamos ela pra bem longe daqui, tomara que ela se reeleja senadora e seque por lá. Logo vai começar a administração petista em Sampa e o suplício também, é camelõ, é festa de quadrilheiro, baderna e os cumpinxa deles, só rola um doc se der uma gaita, imagine o mensalão que vai rolar na assembréia dos vereadores, prefiro o assistencialismo do DEM. Quando for possivel vou me embora de São Paulo !!

Por Daniela Contin Garcia, em 05/11/2012 às 12:32

Me pareceu mais um discurso que não se leva a nada... este texto do FHC (e olha que eu o admiro muito) me parece conformista e inócuo, não sinto no texto uma vontade de transformação e renovação, deste jeito ficaremos marchando no mesmo lugar. Parafraseando o próprio FHC: Assim não dá, assim não pode ser...

Por Leandro C S Gavinier, em 04/11/2012 às 17:52

O texto é bom, mas segue o desafio de superar o clientelismo e compra de opiniões que o governo petista impõe.

Por Capitão Caverna, em 04/11/2012 às 16:56

Com tantas “novidades”, com tanta munição disponível à oposição, ele defende a pauta petista de “renovação política”??? FHC confirma o que sempre acreditamos a respeito do alinhamento programático entre PSDB e PT. As diferenças estão na “imagem”, o PSDB é visto como um partido eleitista, alinhado com a classe média, e segundo FHC deveria buscar alinhamento com os pobres também, mas defendendo um discurso progressista nos costumes… tudo bem, esperamos que todos os partidos façam isso e sejam sinceros em suas bandeiras… Mas me pergunto, como ele deseja alinhar-se à população mais pobre, assumindo um discurso progressista nos costumes, se essa população é majoritariamente conservadora? O PSDB defenderá abertamente seu posicionamento sobre o aborto, sobre as drogas, por exemplo? O progressismo dos costumes envolveria defender a diminuição da idade mínima para que mulheres, ou melhor, para que crianças de 12 anos pratiquem “sexo consentido”? Seria essa também uma das bandeiras progressistas do PSDB? Lembro que essa “proposta” está em pauta na discussão do novo código penal… e na prática legalizaria a pedofilia! Dou esse exemplo radical para criticar um discurso que acho enviezado… Quando FHC cita os pobres de Maceió, Teresina, Belém ou Manaus, e questiona se os mesmos aderiram ou não ao discurso do PSDB… Será que o partido defendeu abertamente o aborto, a legalização da maconha, a descriminalização de pequenos traficantes por decreto, chamando-os de usuários, a diminuição da idade mínima para a prática de “sexo consentido”, entre outros temas colocados como modernos e progressistas? Essa população deixou de ser cristã, por acaso? A renovação proposta por FHC coaduna com a pauta petista e seu texto simplesmente excluiu Serra, como que justificando sua derrota ao alinhamento de Serra aos conservadores… Será que esqueceu-se de todas as realizações de Serra com prefeito e governador? Esqueceu-se de que o próprio PSDB fez pressão para que Serra concorresse à prefeitura de São Paulo? Que renovação FHC enxergaria em uma aliança entre Haddad e Maluf, por exemplo? Não foi um discurso deliberado para excluir Serra do cenário político? Agora, a naturalidade com que FHC descreve a “dificuldade na obtenção de recursos do PSDB” é ultrajante… Então se estivessem no governo teriam “mais facilidade na obtenção de recursos para campanhas”… mesmo sendo ingênuo não admitindo que pudessem haver conchavos, favorecimentos, ou mesmo desvio de dinheiro público, essa afirmação nos tempos atuais, no qual a população indigna-se com o episódio do mensalão é no mínimo ofensiva… Então o PT detém apenas uma “facilidade” na obtenção dos recursos??? Desfaçatez… Cadê a oposição?!?!?!

Por Nazareno Rodrigues, em 05/11/2012 às 16:01

@antoniorodrigues " tudo bem, esperamos que todos os partidos façam isso e sejam sinceros em suas bandeiras…" Se fosse assim, não se chamariam "Partidos", mas "Unidades"... A idéia é exatamente "Cada um Defender sua Posição"..

Por Capitão Caverna, em 05/11/2012 às 21:02

@nazarenorodrigues certamente a posição do PSDB não é fazer oposição...

Por Capitão Caverna, em 04/11/2012 às 15:55

Quando lemos uma notícia, ou artigo em um jornal, devemos analizar que representa já algo consolidado, não uma tendência. FHC deixa clara sua opinião e confirma o que sempre acreditamos a respeito do alinhamento programático entre PSDB e PT. As diferenças são de "imagem", o PSDB é visto como um partido eleitista, alinhado com a classe média. E como alinhar-se com a população mais pobre se essa é justamente conservadora em essência. O PSDB defenderá abertamente seu posicionamento sobre o aborto, sobre as drogas? O progressismo dos costumes envolveria, por exemplo, defender a diminuição da idade mínima para que mulheres, ou melhor, crianças de 12 anos pratiquem "sexo consentido"? Essa é uma das propostas incluídas pelos progressistas no novo código penal... Pergunte-mos aos pobres de Maceió, Teresina, Belém ou Manaus... se os PSDBistas defenderam abertamente o aborto, a legalização da maconha, a descriminalização de pequenos traficantes por decreto, chamando-os de usuários, a diminuição da idade mínima para a prática de "sexo consentido", entre outros temas colocados como modernos, e que na verdade alinham-se mais com interesses de Fundações Estrangeiras, como Fundação Rockfeller, do que o desejo da maioria cristã de nosso país... A renovação proposta por FHC coaduna com a pauta petista, e seu texto simplesmente excluiu Serra, como que justificando sua derrota ao alinhamento aos conservadores... Esqueceu-se de todas as realizações de Serra com prefeito e governador? Esqueceu-se de que o próprio PSDB fez pressão para que Serra concorre-se à prefeitura de São Paulo? A dissimulação de FHC, e seu discurso delineam que esse partido não é mesmo oposição. Pelo contrário, é um partido que defende as mesmas bandeiras petistas, claramente querendo diferenciar-se como diferentes na gestão, e "dificuldades de obtenção de recursos"... Não é uma confissão de que o PSDB quando governo também usava verbas públicas para o financiamento de suas campanhas? Medíocre, ultrapassado, simplista... Um discurso que não convence, e demonstra a desfaçatez desse que já foi considerado líder... que? Político profissional, como qualquer outro...

Por Delio Nilton Tonin, em 04/11/2012 às 15:17

Meu caro e Nobre Presidente, só uma grande renovação no PSDB poderá mudar esse cenário político e reconduzir o nosso Partido a vitória na corrida Presidencial em 2014. Um dos maiores problemas do PSDB é a distância entre os líderes do Partido, a militância e a população em geral. Chega de soluções internas, descabidas e cheias de arrogância, feitas em gabinetes fechados com meia duzia de caciques mandando e desmandando no PSDB, como se o PSDB fosse um Partido de poucos donos. Tambem somos filiados ao PSDB e queremos ter o direito de ajudar nas decisões desse grande partido, o mais consistente das oposições no Brasil. Vocês devem ir ao encontro da população brasileira, fazendo eleições diretas para a direção do Partido e prévias com a participação de todos os filiados para escolher os melhores candidatos, seja a Presidencia da república, ou aos governos de estados. Pensem nisso, essas mudanças não são difíceis, muito pelo contrário, com a aproximação dos eleitores é facil demais. Estamos prontos para ajudar. Grande abraço!

Por mario jota, em 04/11/2012 às 10:12

O grande problema do PSDB é a falta de comando nacional. Existe o grupo do Serra e o grupo do Aécio que se digladiam e nada resolvem. O PSDB não atende aos apelos de seus eleitores quanto a fazer oposição ao governo. Queremos uma oposição implacável, constante e minuto a minuto. Nada é feito sobre isso. Nem quanto a pedir uma investigação sobre as denúncias contra o Lula. Nada. O PSDB não leva em consideração o que seus eleitores pensam e falam. Se é para falar uma nova linguagem nada está sendo feito e contuam agindo da mesma forma. São sempre os mesmos que criticam o governo tanto no senado quanto na câmara. Não vemos os partidos de oposição PSDB, DEM e PPS trabalhando unidos e cada um age de acordo com seus interesses. Acho que está na hora de começar a limitar os casos de alianças para cada eleição. Chega de acordos com o PT, PSB e outros partidos.