Meio Ambiente

Por , em 23/12/2012 às 23:44  

Mate, mas faça marketing

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Dersu Uzala (1975), filme do diretor japonês Akira Kurosawa em uma produção nipo-soviética é sobre a vida de um caçador nômade da etnia goldi na Rússia siberiana próxima a fronteira mongol e a amizade surgida com um militar russo enviado para uma expedição cartográfica. O vínculo entre os dois é reforçado quando o caçador salva o soldado de ser morto em uma tempestade em um dos mais belos momentos do filme. A força e resistência adquiridas neste momento em sua luta pela vida já valem todo filme.

Se bem me lembro, já que faz tanto tempo… O nômade acredita ter atraído má sorte por algum sacrilégio cometido e resolve se mudar para a cidade com o oficial. Mas, obviamente não se adapta ao estilo de vida urbano, cujas normas civis e burocracia entram em choque com seu modo simples e ingênuo de viver e entender a vida. Por fim desiste disso e resolve partir novamente de volta a sua taiga ao que seu amigo lhe presenteia com uma arma novinha. Antes de retornar a sua natureza é morto por assaltantes que querem seu lindo rifle.
A história contém uma triste ironia, de que a vida pura e singela que levava na natureza era muito mais segura do que a da selva de ambições encontrada nas cidades e que, justamente isto o levou a morte. Esta tragédia, até certo ponto anti-moderna, pois não é uma critica ao capitalismo em si, mas a urbanidade mesmo tem simpatia histórica de críticos revolucionários que buscam o verdadeiro sentido do comunismo, do ser humano integrado ao mundo e de um retorno a natureza. Notem que Dersu vivia integrado mesmo, caçando, embora críticos atuais de nosso modelo civilizatório sejam terminantemente contrários a esta prática, mesmo quando regulatória das populações de um ecossistema:
“Gente, vejam este vídeo abaixo da BBC. Mas, vejam duas, três, quatro vezes… Cada frase é uma revelação comprobatória de que a caça aos javalis foi a saída encontrada pelos psicopatas da caça já que em todo mundo, esta prática vem sendo rejeitada pela sociedade civilizada. “Caçar javalis”, passa a ser uma postura social de defesa ao agricultor, às plantações, à economia do país… Exercitam sua psicopatia e ainda são reconhecidos como benfeitores…. ô, nojo!!!!!”
Qual a diferença desses caçadores ricos para o Dersu, exceto pelo fato de terem mais dinheiro? O contexto. Se todos fôssemos caçadores exímios como os que viveram disso na taiga siberiana certamente teríamos uma redução e/ou extinção de diversas espécies. Por isso temos a agricultura, a pecuária que limitam esta necessidade, assim como a expansão demográfica do javali enseja outra necessidade, cuja forma de equilíbrio está na caça controlada. Nada mais justo, portanto do que liberá-la com fins, área e períodos específicos. No entanto, explicações racionais não dão conta de porque Dersu Uzala seja um ícone para gerações de ambientalistas e revolucionários, mas não os caçadores ricos da França. Basicamente porque não foram romantizados por uma película cult e ambientados na Rússia pré-revolucionária do início do século passado.
E o que então dizer do odiado Fred Bear, arqueiro americano e lendário caçador de ursos? Como se não bastasse, foi imortalizado em canções de Ted Nugent, o roqueiro nacionalista da velha direita individualista dos EUA:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=aopqfl1srpk
Outro dia defendi a caça contemporânea em condições apropriadas ao que fui rechaçado por mau gosto. Mas, não se trata de gosto e sim de uma necessidade dependendo do caso. Pode se objetar que a caça esportiva não é realmente necessária, mas sem ela, sem Dersus de leste e Freds de oeste não teríamos sobrevivido. Então, que se faça a devida ressalva: há casos em que a caça é plenamente justificada. Não adianta torcer o nariz para o esporte quando se diz ser contra matar animais ao mesmo tempo que se ingere um suculento presunto no desjejum. Se ambas práticas são controladas, evitam a extinção e não se caracterizam pela tortura também fazem parte da natureza. Porque alguns seres mais sensíveis admiram o personagem siberiano, mas detestam o americano é caso para diagnóstico se formos além de detectar esta flagrante incoerência. E a causa primordial deste crivo seletivo na aprovação de um e reprovação de outro é o mais puro marketing: se fizer parte de um mito naturalista e revolucionário é nobre o auto-sustento na floresta, mas se for yankee não, aí não basta.



10 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por roberto argento filho argento, em 26/12/2012 às 13:33

"Mate, mas faça marketing" - MATE!, mas faça marketing ... Contribuição do Brasil à ONU vai aumentar 80% O salário mínimo não é o máximo! O máximo é o sucesso de: “Esse cara sou eu” "Observador Político 2013 terá debate com lastro ideológico de FHC"

Por Anselmo Heidrich, em 28/12/2012 às 11:35

@argento Sinceramente, não sou pago para tentar fazer entender alguém com dificuldades cognitivas. Isto é para inclusão de alunos especiais. De toda a forma, o que vale é o esforço.

Por Anselmo Heidrich, em 26/12/2012 às 14:24

@argento Por que eu tenho a impressão de que tens dificuldade para entender?

Por Anselmo Heidrich, em 28/12/2012 às 23:26

@anselmoheidrich "@argento Aliás, o "proibir" e "manter inocentes vivos", em questão, não é pela proibição das armas, MAS sim pela proibição de acesso às mesmas pelos portadores de doença mental, como está expresso no próprio texto. Para que fique claro e sem sombra de dúvida ainda está escrito que "a variável ARMA EM SI não serve como causa da violência". "

Por roberto argento filho argento, em 27/12/2012 às 12:17

@anselmoheidrich: Não se preocupe, não é sua a primazia em detetar Minha "dificuldade em entender" Por Favor, traduza, para nós, os da "maldita inclusão digital", confesso, sem medo, entendi "lhufas" do seu texto - mas fiz um esforço danado. O outro texto, postado (São as armas que devem ser controladas?), foi menos hermético, talvez um vício "profissional", o de ensinar (?), talvez por "vicio intelectual", o de escrever (só) para intelectuais; uma mistura dos dois, talvez? ... ... mas (talvez) não tenha percebido o que deixou registrado nas "suas" últimas palavras em: São as armas que devem ser controladas?, ... talvez tenha sido esta a intenção, talvez não ... credite-se ao "benefício da dúvida"? ("Observador Político 2013 terá debate com lastro ideológico de FHC")! Tenha um Feliz Ano Novo.

Por Anselmo Heidrich, em 27/12/2012 às 01:57

@anselmoheidrich Maldita inclusão digital, o cara não entende mesmo o que lê.

Por roberto argento filho argento, em 26/12/2012 às 15:11

@anselmoheidrich: "São as armas que devem ser controladas?" "(...)Se for verdade, qual o pecado em comentar, debater, planejar, diagnosticar, proibir e manter inocentes vivos?" - exatamente porquê a "inteligêntsia" chama a isto de "pragmatismo social democrata".

Por roberto argento filho argento, em 26/12/2012 às 14:35

@anselmoheidrich: o verbo, aí embaixo não é ver

Por roberto argento filho argento, em 26/12/2012 às 14:30

@anselmoheidrich: se prestasse a devida Atenção viria confirmar a dúvida

Por erikssom patos, em 24/12/2012 às 09:37

OS MELANCIAS: COMO OS AMBIENTALISTAS ESTÃO MATANDO O PLANETA Autor: James Delingpole http://www.travessa.com.br/OS_MELANCIAS_COMO_OS_AMBIENTALISTAS_ESTAO_MATANDO_O_PLANETA/artigo/a9f52696-70f9-414f-a0af-c131a6ac87b6