Educação

Por José Antônio da Conceição, em 06/12/2012 às 08:50  

“Nota mais alta não é educação melhor”

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Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de Educação dos EUA

Simone Iwasso – O Estado de S.Paulo

Erro. Ênfase em responsabilização de professor é danosa para a educação, afirma Diane

 

Uma das principais defensoras da reforma educacional americana – baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas – mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.

Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação.

Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao jornal O Estado de São paulo.

 

 

 

 

Por que a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana?

Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.


Em sua opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e Accountability?

O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria – e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas.


Qual é o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as limitações?

Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.


Na sua avaliação, professores também devem ser avaliados?

Professores devem ser testados quando ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão fazendo seu trabalho.


E o que ajudaria a melhorar a qualidade dos professores?

Isso depende do tipo de professor. Escolas precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais dificuldades.


Com base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a melhorar a educação?

As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação.


O que se pode aprender da reforma educacional americana?

A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los.


Quais são os conceitos que devem ser mantidos e quais devem ser revistos?

A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.


QUEM É Diane Ravitch

É pesquisadora de educação da Universidade de Nova York. Autora de vários livros sobre sistemas educacionais, foi secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação entre 1991 e 1993, durante o governo de George Bush. Foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para o National Assessment Governing Board, órgão responsável pela aplicação dos testes educacionais americanos.


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
-Republicado no website Filosofia-Popular desde 09 de Agosto de 2010
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NOVAMENTE:
Lá, no editor do WordPress, que sou obrigado a utilizar para publicar aqui no blog, tem um recado estampado:

“O WordPress 3.4.2 está disponível! Por favor, avise o administrador do site.” (este site tem administrador, não tem?)




5 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por roberto argento filho argento, em 06/12/2012 às 10:26

@argento: Error establishing a database connection Error establishing a database connection Consegui!! O Post, da Elza, sobre Nióbio está travado, os vídeos funcionam. Error establishing a database connection Error establishing a database connection Consegui !!! - - não apareceu esta resposta -

Por roberto argento filho argento, em 06/12/2012 às 09:55

Pelo que entendi, vc está publicando do seu blog, está, pois, imune ao Cracker. É isso? (ao enviar, deu "Erro de Servidor)

Por José Antônio da Conceição, em 06/12/2012 às 10:14

@argento Estou publicando no meu blog. Até o "acesso" ao OP pela barra do navegador (firefox) está prejudicado! Acessa mas a "cascata" das discussões demora demais para carregar (quando carrega). DICA: acessar de forma diferente! Estou acessando o Google.com, digitando "observador político" na barra de pesquisa do Google e depois clicando no link que o Google fornece. Desta forma o OP carrega já com a cascata de discussões visível! DICA 2: leia minha resposta ao Eriksson Patos abaixo! Estou propondo "lotar" a primeira página do OP com fotos da corujinha e discussões variadas. (mandar o crakeador prá PQP).

Por erikssom patos, em 06/12/2012 às 09:22

Esta é uma boa reflexão porque toca na questão de quebra de paradigmas que é o grande desafio de qualquer época. É importante observar que nós humanos estamos sempre em mudanças, para melhor ou para pior, é inerente a especie humana. Nota: Jose Antonio, observe o tanto que a plataforma está sendo atacada, intensamente. Os observadores menos interativos que ainda não se deram ao trabalho de observar o que vem sendo feito pelos observadores como você, o Obi, e outros para driblar essa lamentável falha da plataforma e conveniente omissão da administração do OP, estão perdidos e não estão entendendo o que está acontecendo.

Por José Antônio da Conceição, em 06/12/2012 às 09:52

@patos Caso você não tenha lido, coloquei-me à disposição para publicar artigos com TEMAS RELEVANTES escritos por outros observadores. Claro, me recusarei a republicar as "balelas de sempre" que nada "trazem em si" de construtivo ou que provequem uma boa reflexão a respeito da nossa nação, nossos caminhos trilhados e a trilhar, nosso Brasil que tanto amamos! Quem desejar utilizar meu blog, basta enviar o artigo [bem escrito, com título em separado e devidamente identificado] para meu e-mail. identificar o e-mail assim: [observador político] Artigo Citar nome ou nick do autor, para que eu possa identificar junto à publicação! joseantonio400@hotmail.com