Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 06/12/2012 às 10:26  

PARA NOSSA ALEGRIA… [autor: José Reis Barata]

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PARA NOSSA ALEGRIA…  [autor: José Reis Barata]

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Marco Aurélio não foi salvo pelo gongo. Mas, por seus pares e também os ímpares, que, embora patinando no ridículo recusaram–se em ir além e o retiraram do fétido fosso da desconfiança pública de seu povo. Divertida e inadvertidamente Marco Aurélio pulou de cabeça, afundou e ia afundando em se auto constituir, e investir, em juiz monocrático enxovalhando assim um judiciário que levaria, de roldão, consigo. Tivessem seguido, ido a diante o Brasil de hoje não seria o mesmo. Onde estava a cabeça do Ministro Marco Aurélio provavelmente nunca saberemos: “Quando colocamos a verdade em cima da cabeça, geralmente não percebemos que nossa cabeça , tampouco está colocada onde deveria Nietzsche”
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Levandoski é caso perdido, de tanto conviver com a adversidade fez dela a própria verdade. O saber popular nada deve a qualquer outro: “pau que nasce torto morre torto”. Vale lembrar que: “A humanidade rapidamente se tornará incapaz de conceber a diversidade quando por algum tempo tiver sido desacostumada a vê-la Horhheimer/Adorno”
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Confesso que não fosse minha artrose que já há alguns dias me prende a uma cadeira em frente à TV e teria perdido o espetáculo, histórico, que se passou ontem no STF. O ilógico, tanto quanto o lógico, são necessários à vida.
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Como me propus a comentar a participação do Ministro Marco na sessão de ontem, logo se me impus qualificá-la pela surpreendente desfaçatez dela ao ultrapassar o limite do razoável apelando justamente para o razoável. Que ele é inteligente e preparado parece indiscutível, tanto quanto sob os flashes da imprensa fica sensivelmente assanhado e aí é que mora o perigo. Correu perigo de vida: jurídica, política e pública.
Não posso crer que Marco Aurélio seja irresponsável. Afinal e sobretudo usa sobretudo e é um Ministro do STF, mas, qual Denorex, que é um destrambelhado , é; que tem cabeça de Juiz, tem.
Sempre ouvi que no “papel tudo cabe” sem saber que a filosofia também pensa assim: “Afinal, que construção teórica, por mais equivocada que seja , não pode preencher o requisito de exatidão formal” de Horkheimer e também Nietzsche: “Cada filosofia esconde também uma filosofia; cada opinião é também um esconderijo, cada palavra também uma máscara “
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Surpreso e surpreendido fui anotando num papel próximo algumas palavras, dele, marco Aurélio, e de seu equivalente par oportunista, mais pela importância do absurdo contraditório e imoralidade, sem ordem sequencial:
- continuidade delitiva e sujeição ao desígnio do criminoso;
- crime de mesma espécie;
- elisão do “público leigo” nas discussões de Direito. O mesmo “público leigo” que não pode alegar desconhecimento da lei e para qual o Direito existe;
- o sentido com que se está pensando o : “tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais”;
- comparação do número da pena aplicada no caso, com a de homicídio;
- ótica da maioria colegiada que decidiu em contrário sujeita a conveniência da tese;
- apelo à razoabilidade e isonomia na aplicação das penas como se esses princípios fosse propriedade de quem os alega; e,
- absurdo da supremacia da importância da condenação, ante a irrelevância da pena. Ainda ontem assisti em um programa televisivo local um velho, indignado e desesperançado delegado no que relativo à insuportável violência, avisar que deseja ver: “todo bandido no inferno e nenhum cidadão no céu”.

Muito se tem que conversar sobre esse rol de escabrosas desinteligências descarada, pública e profundamente ditas por gente supostamente racional.
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PARA NOSSA ALEGRIA…e do Marco Aurélio foi só um susto. Ufa!

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