Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 06/12/2012 às 14:04  

REPUBLICANDO: Um condomínio chamado Brasil [autor: Victor castro]

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Era uma vez um condomínio que viveu décadas, desde a sua construção, sob uma situação de eterna perdulariedade, com condôminos exijindo serviços absurdos, e em conluio com os sucessivos síndicos, supervalorizando os gastos com esses serviços e desviando os recursos pagos por apenas parte dos condôminos (a parte menos abastada e mais honesta).

Um belo dia, um dos condôminos, que já havia inclusive sido expulso um tempo do condomínio por alguns dos moradores, que resolveram instituir um regime de exceção para facilitar o desvio das verbas, já de volta à sua antiga morada, e com o apoio de outros, resolveu por fim a essa bagunça.

Cortou serviços desnecessários, suspendeu outros serviços até que se criassem formas mais eficazes de fiscalizar gastos,  proibiu moradores de contrair dívidas em nome do condomínio (somente a administração central poderia fazê-lo de agora em diante), e cobrou de todos que pagassem suas taxas em dia, inclusive aumentando a taxa para cobrir as dívidas deixadas por seus antecessores.

Houve gritaria, protestos, se formou uma oposição nervosa a esse sindico, pedindo seu impeachment a qualquer custo, numa inusitada aliança entre os corruptos de ontem e os demagogos que, outrora defensores de um condomínio mais justo e com menos roubalheira, ainda assim não abriam mão da mesma perdulariedade dos síndicos de sempre.

O nosso síndico resistiu, com o apoio de poucos moradores de bem, e concluiu seu mandato, deixando o condomínio com contas sólidas, em que pese a Prefeitura ter desconfiado da possibilidade desse condomínio continuar honrando seus compromissos, dado o clima político incerto dentro dele.

Assumiu então o síndico seguinte, com um discurso conciliador, de resgate dos serviços que haviam sido interrompidos durante o mandato anterior, prometendo atender a tudo e a todos. Logo uniu os corruptos de outrora e os perdulários demagogos, e criou um gestão que se fundou na mesma exigência de adimplência total e irrestrita (herança do antecessor), de gastos menores que o quanto arrecadado, mas, na prática, dilapidou todo o ativo deixado pelo seu antecessor, e já em seu segundo mandato, esse novo síndico aderiu a práticas similares ao passado, contraindo dívidas e relativizando balanços contábeis.

Veio então a terceira síndica dessa nova fase, a primeira síndica mulher. Eleita no vácuo do antecessor, ela logo percebeu a enrascada em que estava metida: um condomínio novamente endividado, com gastos maiores que a arrecadação, e com corruptos e perdulários em uma aliança de poder que impedia a adoção de reformas estruturais necessárias, como as adotadas por aquele primeiro síndico – que, por seu caráter reformador e impopular, ficou para sempre (exceto para alguns poucos) odiado e rejeitado pela maioria dos condôminos.

Não sabemos qual será o destino final desse condomínio, mas esperamos que os moradores se dêem conta de que gestão responsável de um bem coletivo passa não pela necessidade de agradar a todos, dividindo os ativos por demandas individuais, mas de preservar aquilo que, mantido coeso e uno, pode servir ao interesse de todos: um condomínio que preste seus serviços com qualidade e se mantenha sempre superavitário.




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