Comunicação

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 01:41  

Aaron Swartz e as organizações de BASE‏

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Este artigo foi enviado pela rede [Associação filosofia] – Recebi, conferi as fontes e estou republicando. Foi enviado por: Thiago Zoroastro – Estudante da UFSJ – Membro do Centro Acadêmico de Filosofia Leônidas Hegenberg

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Tendo o Aaron Swartz morrido, eu que nem conhecia ele fiquei chocado, e revoltei-me quando li o motivo. Swartz aparentemente suicidou porque ele pegou uma pena de até 35 anos de cadeia por compartilhar artigos acadêmicos hackeados na internet, e sua morte alastrou uma esperança para as organizações de BASE.
A seguir, trechos da publicação de Outras Palavras:
Ativismo cívico e projetos políticos na rede: para além de empresas e lucros
A partir de 2008, Aaron Swartz – um “sociólogo aplicado“, como ele se autodenominava – engajou-se em uma série de projetos de cunho político, voltados ao ativismo cívico de base (grassroots) e ao compartilhamento de conteúdo on-line. Dentre eles, destacam-se três projetos específicos: (i) Watchdog, (ii) Open Library e (iii) Demand Progress.O terceiro e mais interessante projeto é o Demand Progress, plataforma criada por Swartz para conquistar mudanças progressistas em políticas públicas (envolvendo liberdades civis, direitos civis e reformas governamentais) para pessoas comuns através do lobbying organizado de base. A atuação do DP se dá de duas formas: através de campanhas on-line para chamar atenção das pessoas e contatar líderes do Congresso, e através do trabalho de advocacia pública em Washington “nas decisões por trás das salas que afetam nossas vidas”. 

Em outubro de 2011, o projeto foi reapresentado por Lamar Smith com o nome de Stop Online Piracy Act. Em janeiro de 2012, após um intenso debate promovido na rede, a mobilização de base entre ativistas chamou a atenção de diversas organizações, como Facebook, Twitter, Google, Zynga, 9GAG, entre outros. Em 18 de janeiro, a Wikipedia realizou um blecaute na versão anglófona, simulando como seria se o website fosse retirado do ar (cf. ‘Quem apagou as luzes em protesto à SOPA?‘ e ‘O apagão da Wikipedia‘). A reação no Congresso foi imediata e culminou na suspensão do projeto de lei. Vitória do novo ativismo cívico? Para Swartz, sim. Uma vitória inédita que mostrou a força da população e da mobilização possível na Internet. Mas não por muito tempo. Em um discurso feito em maio de 2012 — que merece ser visto com muita atenção –, Aaron foi claro: o projeto de lei para controlar a Internet irá voltar, com outro nome e outro formato, mas irá voltar…

http://www.outraspalavras.net/2013/01/16/aaron-swartz-guerrilheiro-da-internet-livre/

 

Vida, morte e legado de um programador e ativista genial, que via no conhecimento compartilhado caminho para superar a mesquinhez capitalista

Por Rafael A. F. Zanatta, editor do blog E-mancipação

O (suposto) suicídio do gênio da programação e ativista Aaron Swartz não é somente uma tragédia, mas um sinal da enorme dimensão do conflito político e ideológico envolvendo defensores de uma Internet livre e emancipatória, de um lado, e grupos organizados dentro do sistema que pretendem privatizar e limitar o acesso à produção intelectual humana, de outro. Neste sábado (12/01), colunistas de cultura digital de diversos jornais escreveram sobre a morte do jovem Swartz, aos 26 anos, encontrado morto em um apartamento de Nova Iorque (ler os textos de John Schwartz, para o New York Times; Glenn Greenwald, para o The Guardian; Virginia Heffernan, para o Yahoo News; e Tatiana Mello Dias, para o Estadão). Diante da turbulenta vida do jovem Swartz e seu projeto político de luta pela socialização do conhecimento, difícil crer que o suicídio tenha motivações estritamente pessoais, como uma crise depressiva. A morte de Swartz pode significar um alarme para uma ameaça inédita ao projeto emancipatório da revolução informacional. O sistema jurídico está sendo moldado por grupos de interesse para limitação da liberdade de cidadãos engajados com a luta de uma Internet livre. Tais cidadãos são projetados midiaticamente como inimigos desestabilizadores da ordem (hackers). Os usuários da Internet, sedados e dominados pela nova indústria cultural, pouco sabem sobre o que, de fato, está acontecendo mundo afora.

Aaron Swartz, guerrilheiro da internet livre

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“O mundo cada vez mais está tomando noção de que é um único organismo, e um organismo que insiste em lutar contra si mesmo, está condenado à destruição.” – Carl Sagan

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26 anos! A mesma idade de meu filho! Uma perda irreparável… JAC




11 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por augusto josé sá campello, em 19/01/2013 às 17:01

Boa tarde. O SOPA passou. Outros virão. Aliás, já existe em alguns países, e até mais restritivos. O que eu tenho a dizer é que sempre fui e vou morrer fazendo o que posso para que as pessoas ( e não o "indivíduo") possam se manifestar livremente. O parentesis acima expressa minha opinião de que um "indivíduo" pode ser muitas coisas diferentes de uma pessoa. Neste sentido, se quiserem me pespegar um ismo, que seja o de humanista. A WEB existe e é formada por empresas, governos, intituições e....pessoas. É um barco? Sim, Mas eu quero navegar nele, livremente e escrever em suas velas o que me der na telha.Ajscampello

Por roberto argento filho argento, em 18/01/2013 às 16:51

A Metáfora Perfeita: "[Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 15:17 Estou lendo( http://www.apdi.pt/pdf/GLOBSOCI.pdf )! Detive-me nesta frase para pensar => "A globalização não é uma mancha multimodal que se alastra, é também um instrumento nas mãos de quem tem a capacidade de previsão e os meios de a conduzir." Acho que vou perguntar ao timoneiro do barco prá onde o infeliz irá conduzir esta embarcação em que, de repente me sinto dentro dela, sem nunca ter entrado! Como é que fizeram isso comigo? Me trouxeram dormindo?? Me troxeram sedado?? Desmaiado??? Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 15:19 Nada disso! EUREKA! "CONSTRUIRAM" a tal embarcação em volta de mim! E o idiota aqui nem percebeu a movimentação! CARACA!]" - Não só Construíram a Embarcação à volta, como fazem-no(s) Acreditar que tens(Temos) o Controle do Timão!!! (Curintchan!!!)

Por Sergio Zamprogno, em 18/01/2013 às 15:21

Infelizmente ele comenteu um erro básico. Deixou o rabo de fora quando resolveu não cumprir algumas leis. Isso deu oportunidade para os que queriam se livrar dele para agirem. Essa frase do Dr. Sagan me motiva a questionar varias ações recentes da ONU que viam a criação de um governo mundial, que nada mais faria do que recolher mais impostos da gente. A ONU a maior promotora de esforços para que a internet seja controlada. A maravilha da internet é que ninguem a controla e o dia que isso acontecer, ela perderá o sentido.

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 15:55

@szamp A criação do "governo mundial" é o segundo ou terceiro passo deste fenômeno chamado GLOBALIZAÇÂO. Antes, é preciso "esgotar" as tentativas dos governos das nações, mostrando claramente para a população mundial que eles já não governam mais! Estão absolutamente submissos e incapazes de enfrentar FORÇAS muito maiores e mais poderosas que eles! Eu, já percebi isso! "Os governos não governam mais"

Por roberto argento filho argento, em 18/01/2013 às 14:43

Bem, Informação liga-se Diretamente a Poder; o domínio da primeira é necessariamente uma uma das formas do exercício da segunda. convém uma lida ou download deste PDF, em: http://www.apdi.pt/pdf/GLOBSOCI.pdf

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 15:17

@argento Estou lendo! Detive-me nesta frase para pensar => "A globalização não é uma mancha multimodal que se alastra, é também um instrumento nas mãos de quem tem a capacidade de previsão e os meios de a conduzir." Acho que vou perguntar ao timoneiro do barco prá onde o infeliz irá conduzir esta embarcação em que, de repente me sinto dentro dela, sem nunca ter entrado! Como é que fizeram isso comigo? Me trouxeram dormindo?? Me troxeram sedado?? Desmaiado??? Virgem Santa! Me Salva destes malvados!

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 15:19

@joseantonio400 Nada disso! EUREKA! Eles "construiram" a tal embarcação em volta de mim! E o idiota aqui nem percebeu a movimentação! CARACA!

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 01:53

Ativismo cívico e projetos políticos na rede: para além de empresas e lucros A partir de 2008, Aaron Swartz – um “sociólogo aplicado“, como ele se autodenominava – engajou-se em uma série de projetos de cunho político, voltados ao ativismo cívico de base (grassroots) e ao compartilhamento de conteúdo on-line. Dentre eles, destacam-se três projetos específicos: (i) Watchdog, (ii) Open Library e (iii) Demand Progress. O Watchdog é um website que permite a criação de petições públicas que possam circular on-line. Trata-se de um projeto não lucrativo, cujo mote é Win your campaign for change. O objetivo é fomentar a prática cidadã de monitoramento de condutas ilícitas, como se todos fossem “cães de guarda” da democracia. O segundo projeto, Open Library, pretende criar uma página da web para cada livro já publicado no mundo. O objetivo é criar uma espécie de “biblioteca universal” com bibliotecários voluntários, sendo possível o empréstimo on-line de e-books. Trata-se de um projeto sem fins lucrativos, nos quais programadores são responsáveis pelo registro e criação das páginas (em códigos abertos) para todos os livros (como diz o site: “Open Library é um projeto aberto: software, dados e documentações são abertos, e sua contribuição é bem-vinda. Você pode corrigir um erro, acrescentar um livro ou escrever um widget [programa complementar]. Temos uma equipe de programadores fantástico, que avançaram muito, mas não podemos fazer tudo sozinhos!” (1) . O terceiro e mais interessante projeto é o Demand Progress, plataforma criada por Swartz para conquistar mudanças progressistas em políticas públicas (envolvendo liberdades civis, direitos civis e reformas governamentais) para pessoas comuns através do lobbying organizado de base. A atuação do DP se dá de duas formas: através de campanhas on-line para chamar atenção das pessoas e contatar líderes do Congresso, e através do trabalho de advocacia pública em Washington “nas decisões por trás das salas que afetam nossas vidas”. Em 2008, indignado com a passividade dos cientistas com relação ao controle das informações por grandes corporações, Swartz publicou um manifesto intitulado Guerilla Open Access Manifesto (Manifesto da Guerrilha pelo Acesso Livre). Trata-se de um texto altamente revolucionário, que encerra-se com um chamado: “Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir à luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública. Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access. Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado” (cf. ‘Aaron Swartz e o manifesto da Guerrila Open Acess‘). A força criadora do jovem Aaron Swartz residia em um profundo espírito crítico e questionador. Nesta entrevista abaixo (sobre o Progressive Change Campaign), Swartz explica como seu ativismo começou: “Eu sinto fortemente que não é suficiente simplesmente viver no mundo como ele é e fazer o que os adultos disseram o que você deve fazer, ou o que a sociedade diz o que você deve fazer. Eu acredito que você deve sempre estar questionando. Eu levo muito a sério essa atitude científica de que tudo que você aprende é provisório, tudo é aberto ao questionamento e à refutação. O mesmo se aplica à sociedade. Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas. E mais importante: há coisas que são erradas e devem ser mudadas. Depois que eu percebi isso, não havia como voltar atrás. Eu não poderia me enganar e dizer ‘Ok, agora vou trabalhar para uma empresa’. Depois que percebi que havia problemas fundamentais os quais eu poderia enfrentar, eu não podia mais esquecer isso”. Nesta entrevista, Aaron (aos 22 anos), esclarece que livros como Understanding Power (de Noam Chomsky) foram fundamentais para compreender os problemas sistêmicos da sociedade contemporânea. Todavia, a situação não é imodificável. O primeiro passo é acreditar que é possível fazer algo.

Por Luiz Felipe, em 18/01/2013 às 09:22

@joseantonio400 Taí o famoso " espírito da coisa".

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 02:09

@joseantonio400 O ÚLTIMO PARÁGRAFO DESTE ARTIGO: "Informação é poder. Swartz enxergou muito além do que seus contemporâneos e tentou mobilizar os usuários de Internet para construção de um outro mundo. Infelizmente, não foi apoiado da forma como precisava. A reverberação de suas ideias e suas ações ainda é muito fraca. Mas isso não é motivo para desistência. A brevíssima vida deste jovem estadunidense pode inspirar corações e mentes. Em tempos de discussão no Brasil sobre o Marco Civil da Internet, corrupção da política e agigantamento do Judicário, o resgate a seu pensamento é necessário. Ainda mais em um país que conta com mais de 80 milhões de usuários de Internet. A questão é saber se as pessoas terão curiosidade e interesse em compreender o projeto de vida de Swartz ou se irão continuar lendo matérias produzidas por corporações interessadas na limitação da liberdade na Internet. Eu fico com o projeto de Swartz. Aliás, fique livre para copiar esse texto."

Por José Antônio da Conceição, em 18/01/2013 às 01:54

@joseantonio400 Trecho de artigo - LINK indicado dentro do texto do post.