Opinião

Por , em 12/01/2013 às 11:51  

Oposição no Brasil: o Poder pelo Poder.

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Já virou discurso pré-fabricado dizer que a Oposição não tem um projeto de país, ou uma plataforma de governo. Que se baseia no personalismo de certos expoentes, individualmente, para tentar derrotar PT-PMDB nas próximas eleições. Que não amplia o debate, não consegue captar a insatisfação da população brasileira. Que é elitista, fechada, não-representativa.

Tudo isso é verdade. E a tendência é que continue assim.

Isso porque a Oposição (PSDB-PPS-DEM) tem buscado as ferramentas erradas para (tentar) reverter essa situação.

O que se vê é um acirramento do culto a personalidades políticas individuais (o serrismo, o aecismo, o alckimismo, etc), uma briga fatricida pelo poder dentro desses partidos, e uma ausência total de uma pauta de vanguarda para a gestão pública no Brasil.

A Oposição não tem um projeto de reformas legislativas – fala-se da necessidade de se fazer uma reforma política, tributária, administrativa, mas quais? A Oposição não tem um intercâmbio de boas experiências de gestão por todo o Brasil, o que gera uma situação pitoresca: o mesmo partido (PSDB) em Minas representa a vanguarda, enquanto em Rondônia, por exemplo, representa o atraso e o coronelismo. A Oposição não tem posições claras sobre pontos polêmicos – aborto, maioridade penal, casamento gay, drogas, etc -, e prefere o mesmo silêncio hipócrita adotado pela base governista, para posar de progressista para sua militância, enquanto age de forma omissa a obedecer de forma covarde ao conservadorismo religioso.

A Oposição usa das mesmas armas do PT e do PMDB – o discurso demagógico, fácil, populista, a troca de cargos e favores – para tentar voltar ao poder, sem um projeto, sem um consenso de ideias – apenas conceitos vagos. O mais triste é que tal praxe se reproduz nas militâncias jovens, hoje também divididas em caciques (mirins) que herdaram essas repartições como se capitanias hereditárias fossem.

Nesse cenário, porque deveria a Oposição voltar ao poder? Salvo a rejeição ao lulo-petismo de base marxista e práticas fisiológicas, o que mais une os partidos que se encontram apeados da máquina administrativa? Salvo a possibilidade de nos livrar do marxismo leptocrata que o lulismo nos legou, em que mais uma eventual vitória de Aécio seria melhor que uma reeleição de Dilma, em 2014?

Aquele PSDB de 94, monetarista (inflação zero!, em defesa do trabalhador), parlamentarista, que entendia a importância de modernizar a máquina administrativa para que sobrasse mais dinheiro para redução de impostos ou investimentos sociais, aquele partido não existe mais. Hoje se resume a uma chicana, uma disputa ridícula por um nome. O PSDB, e seus asseclas, aderiu de corpo e alma não ao projeto de um Brasil social-democrata, como em 94, mas à comodidade de se investir todas as fichas no culto a uma personalidade, o mesmo processo de “tiriricação” da política brasileira, que tantos criticam.

Faltam líderes oposicionistas no Brasil, para desnudarem essa pouca vergonha ética que são as brigas fatricidas dentro dos partidos que se opõem ao lulo-petismo de PT e PMDB, e chamar à ordem todos os militantes que sonham com um projeto alternativo de país (interrompido em 2002).

Há pouca ou nenhuma esperança que, dentro de 1 ano, este cenário mude… e a Oposição sangrará ainda mais nas próximas eleições.




15 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por acir carlos ochove, em 13/01/2013 às 10:44

Bom dia Victor, o silencio dos bons indica concordancia com tudo que esta ai pois se nada fazem deixam os malandros assumir a liderança, acham que tudo acontece naturalmente, cada um cuida da sua vida e estamos conversados. Tenho insistido que é muito importante procurar fazer chegar as informações a base da piramide, aquela que vota em grande numero, elege, ou deixamos por conta da publicidade chapa branca, enganosa, paga com o nosso dinheiro, continuando a contar mentiras deslavadas sem ninguem para mostrar o que é realmente a verdade. Acredito que valores fundamentais a vida como etica e moral, não são tão dificieis de serem explorados. Parabens pelo artigo.

Por augusto josé sá campello, em 12/01/2013 às 18:16

Boa tarde. Análises políticas , no meu ponto de vista, pecam por uma questão : as circunstâncias políticas mudam - é natural, parte do processo, da dinâmica da atividade. No caso presente : Brasil, hoje, estamos vivendo o que seria uma etapa pré eleitoral, considerando a sucessão presidencial. Parece-me natural que o quadro que é percebido - do PSDB e possíveis aliados futuros, seja um de disputa entre pré candidatos ou políticos que detêm algum mando partidário. Que o principal partido de atual oposição passe por estas dôres de parto, afigura-se, em consequência, natural. Já li, não lembro aonde, que a atual oposição - leia-se PSDB é bom de eleições presidenciais e ruim de eleições estaduais e municipais. Se esta análise é verdadeira (tanto quanto o permitido - tempos da política) porque é assim? Talvez a resposta esteja numa disciplina partidária frouxa. Talvez esteja numa frouxidão programática. O que nos leva a uma seleção de candidatos pífios. Não só paroquiais ou regionais mas pouco aderentes a princípios adotados pelo partido. Estou pensando em ex prefeitos do PSDB, DEM que deixaram a seus sucessores verdadeiras festas de horrores. Aliás muito bem exploradas pela subrreptícia e eficaz máquina de propaganda da situação. Assim, é pertinente indagar se o partido oposicionista líder - o PSDB não deveria voltar-se efetivamente para dentro e trabalhar duro - pré candidatos e/ou candidaturas à parte, de modo a obter, em tempo hábil, a disciplina de um PT (embora seja, como o PMDB um coalizão, um tanto diferente, vá lá) e uma busca pela redefinição programática e ênfase na adesão ao que se venha a acordar daí. Enquanto correm estas águas, este mesmo partido, visível e sensivelmente bloqueado no Congresso, poderia fazer um esforço no sentido de contra-atacar via mídia. O que pressupõe grana e a escolha do que atualmente se pode dizer e como. Infelizmente nossa população é bastante despolitizada. Quem vai ler ou ouvir o que se venha a dizer é o estamento político. Boa sorte ao PSDB. Ajscampello

Por Victor Castro, em 13/01/2013 às 00:02

@ajcampello Não acho que nada vá mudar, Augusto, pois de 2007 para cá a política no Brasil vem se deteriorando ao nível do fisiologismo mais rasteiro. E a tendência é piorar - pela omissão dos bons.

Por Capitão Caverna, em 12/01/2013 às 13:59

parabéns pelo texto, e conocrodo com a maioria dos pontos... Faço uma crítica ao seu posicionamento a respeito do conservadorismo religioso, que em seu texto assume a opinião veiculada pela propaganda do governo. Como a Igreja não pudesse se manifestar e pior, dando a impressão que posicionamentos contrários ao aborto, homessualismo, legalização das drogas, diminuição da maioridade penal, fossem desqualificados a priori, como conservadorismo ilegítimo! Acho que falhou em nomear diretamente FHC como um dos grandes responsáveis por esse posicionamento apático e oportunista da oposição ...

Por Victor Castro, em 13/01/2013 às 00:00

@antoniorodrigues O que eu quis dizer, Antonio, é que dos tucanos que conheço, a maioria tem posições mais liberais quanto aos costumes, e acaba se silenciando por covardia, não por convicção. Alckmin e Serra são exceções conservadoras em um ninho de liberais. E o PSDB tem a obrigação de assumir uma posição compatível com a sua militância. Sem covardia!

Por Capitão Caverna, em 13/01/2013 às 08:04

@victorcfs e? E o PT?

Por Luiz Felipe, em 12/01/2013 às 14:06

@antoniorodrigues Na verdade, ao que parece, face a essa possibilidade aventada pelo texto do Victor, aécio e fhc optaram por fazer os papéis de malas sem alça, ou, pior ainda, de bodes colocados na ante-sala, à moda estraga prazer.

Por mario jota, em 12/01/2013 às 13:20

Concordo em parte. Membros da oposição pensam como voce escreveu, porém existe o medo de expressa-lo. A máquina de moer reputações do PT e do esquerdismo do país está a todo vapor. Basta ver a rejeição do Serra na última eleição, tudo foi planejado e executado pelo PT. Não foi incompetência do Serra. Foi incompetência da oposição como um todo que não sabe reagir a estas maquinações do petismo. E veja: conversei com algumas pessoas bem simples que ainda não sabem nada da operação Porto Seguro, do envolvimento do Lula com a Rosemary. O que a oposição está esperando para explorar isso de uma forma bem direta para a população? Antes que algum petista venha criticar, este caso merece uma investigação porque o Lula usou recursos públicos para manter essa secretária.

Por Victor Castro, em 12/01/2013 às 23:58

@mario130852 O caminho não é por aí, Mario. É propor um projeto alternativo. Mostrar que podemos ter mais eficiencia nos investimentos em infraestrutura, nos serviços públicos essenciais, menos burocracia, menos inflação, menos déficit público. É mostrar que estamos muito aquém do que poderíamos ser. É dar uma esperança de melhora, como o PT fez em 2002.

Por Luiz Felipe, em 12/01/2013 às 14:01

@mario130852 " Faltam líderes oposicionistas no Brasil, para desnudarem essa pouca vergonha ética que são as brigas fratricidas dentro dos partidos que se opõem ao lulo-petismo de PT e PMDB, e chamar à ordem todos os militantes que sonham com um projeto alternativo de país..."

Por roberto argento filho argento, em 12/01/2013 às 13:06

É disso que falamos, cada um a seu modo, cada um dentro da sua esfera de percepção e de expressão individual: É triste saber que esta briga toda é só, e tão somente Só, para Usufruir das vantagens que o Poder propicia, para Si. http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/corrupcao/forum/topic/como-manter-uma-bela-primeira-dama-com-dinheiro-publico-com-a-palavra-o-governador-da-paraiba (só como exemplo, há muitos mais)

Por Victor Castro, em 12/01/2013 às 23:55

@argento É mais ou menos por aí, Argento. Nossos governantes fingem que legislam, fingem que fazem alguma coisa com o nosso dinheiro (além de colocar nos seus respectivos bolsos), fingem que entendem alguma coisa de gestão pública... E a Oposição parece fazer questão de querer ir pelo mesmo caminho!

Por roberto argento filho argento, em 12/01/2013 às 13:30

@argento: ... falar (ou cobrar) de Ética e de Moral à política é, de certa forma, "improdutivo" - os cara tão cagando!

Por Luiz Felipe, em 12/01/2013 às 12:18

Por ora, até para não correr o risco de estragar o seu texto, quero dizer-lhe apenas o seguinte: PARABÉNS.

Por Victor Castro, em 12/01/2013 às 23:53

@luisfelipe Obrigado, Luis Felipe.