Comunicação

Por José Antônio da Conceição, em 21/01/2013 às 08:38  

Ter asas e poder voar…

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Mora na filosofia
Mente aberta
por Fernanda Pompeu

Se os cariocas têm as praias para botarem o conversê em dia, os paulistanos têm as padocas para praticam o filosofê. Até presidiários aproveitam o banho de sol para atualizarem sentidos de mundo, ou a falta deles.

Também cearenses, gaúchos, mineiros, búlgaros, canadenses, colombianos, moçambicanos, angolanos, portugueses, franceses, espanhóis, palestinos, israelenses, doutores, analfabetos, concentrados, distraídos adoram filosofar.

Mesmo quando dão outros nomes e sobrenomes para o ato de pensar além do fato. Filosofar faz parte do nosso DNA. Palavra grega, sendo que filo é igual a amigo. Sofia igual a conhecimento. Junte-as e teremos “amigo ou amiga do conhecimento”.

E quem não deseja agregar, produzir, alargar o pensamento? Pois todos refletem sobre si mesmos e sobre os outros. Esticam a percepção para a roda da vida. É claro, alguns o fazem com mais desenvoltura, outros são meio tatibitatis. Mas pouco importa.

O que interessa é cultivar a capacidade de interpretar os fatos. Ir além da primeira impressão e evitar ser papagaio, isto é, mero repetidor da opinião dominante. Pensar com a própria cabeça é o princípio da filosofia.

Argumentar é algo que se aprende. À medida que compreendemos como olhar uma questão sob ângulos diversos, nos tornamos poderosos. Filosofar alarga o horizonte do que já sabemos e escala a enorme montanha do que ainda ignoramos.

Quanto menos eu sei, mais quero saber. Pensar é ação infinita e  dinâmica. Nossa mente tem muita água, e esta adora preencher espaços, se esparramar sem respeitar formas e  limites.

Por conta disso a gente muda de ideia. Pensa diferente hoje o que pensou com tamanha certeza ontem. Ou pensa amanhã exatamente como pensou ontem. Tanto faz. O essencial é o movimento.

Em suma, é um tremendo prazer refletir sobre os acontecimentos e os não acontecimentos. Encontrar as ligas, os nexos, os pontos de contato que unem pensamentos aparentemente irreconciliáveis. Existo, logo penso!

Sobre Fernanda Pompeu
Cronista nas horas vagas e de trabalho. Melhor dito, uma webcronista. No blog Mente Aberta, do espaço “Inspire-se”, ela procura incentivar os leitores a pensarem e agirem fora das caixinhas. Isso porque inspiração, criatividade, insights e respeito às diferenças precisam de oxigênio para prosperarem.
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Muito boa a abordagem de Fernanda Pompeu.
Eu, apenas trocaria o conhecimento por sabedoria. Então ficaria assim “amigos do saber”, “amigos da sabedoria”, “amor à sabedoria”. Não que o conhecimento não seja importante! Mas ele é abrangente demais, imenso, cresce a a cada dia. Na contemporâneidade é praticamente impossível de ser captado e dominado completamente por um só ser humano. Conhecimento específico e sabedoria abrangente estão no tamanho correto para caber dentro de qualquer mente.
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Pensar dentro da caixinha? É o ato de não deixar a mente expandir, aprisionar o pensamento num determinado roteiro pre-existente e vigiar constantemente para que ele nunca desvie, nunca se aventure em liberade! É como aparar constantemente as pontas das penas das asas de um pássaro, não permitindo que ele pratique o que de melhor sabe fazer: voar! Voar e conhecer novos lugares, novas paragens, novas paisagens!




10 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por roberto argento filho argento, em 21/01/2013 às 14:12

Esta escultura marca minha infância, havia uma na biblioteca lá de casa - criança é phoda!, eu só via um homem cagando, reforçava o fato de que esta posição era semelhante à adotada por quem senta no vaso sanitário, e ria por dentro ao (ad) mira-la. A estátua perdeu-se, a imagem ficou; ficou e ganhou outras conotações, claro, figuradas ... ... por exemplo, a de que o Homem é um Ser que Emerge da Merda. (vai faltar gente pra puxar a ”cordinha” ?)

Por roberto argento filho argento, em 21/01/2013 às 14:21

@argento: ... nem é incomum que se cague ao pari-lo

Por erikssom patos, em 21/01/2013 às 13:35

"O que interessa é cultivar a capacidade de interpretar os fatos. Ir além da primeira impressão e evitar ser papagaio, isto é, mero repetidor da opinião dominante. Pensar com a própria cabeça é o princípio da filosofia." .................................................................... Bá! Lá vamos nós novamente, ter que dizer que o ato de raciocinar é um 'ato' indivisível, semelhante ao ato de dar três passos: 1, 2, 3 (até o fim). Da mesma forma raciocinamos num movimento indivisível. Acontece dessa forma não por que temos prazer de ir de uma ideia até outra ideia, mas simplesmente para concluirmos ou tornar evidente qualquer verdade em que detemos. Para bem pensar os filósofos desenvolveram uma ferramenta dentro da filosofia, que é a logica - não duvido nada de aparecer alguém por ai dizendo que essa disciplina da filosofia é uma caixinha! E ela, a logica propõe a explicar os três passos automáticos ditos acima. São eles: a simples apreensão, o juízo, e o raciocínio. A psicologia pesquisa nessa fronteira do saber.

Por José Antônio da Conceição, em 21/01/2013 às 15:11

@patos Não se pode ficar preso Patos! Por isso o ato de filosofar (tentar limpar todas as interferências e os "penduricalhos" acoplados com o tema ou ideia) é tão trabalhoso e cansativo! Mas é necessário! Filosofar é mergulhar, rodear, megulhar de novo, medir, apalpar, desconfiar, questionar, questionar de novo, até sentir que se chegou na verdade ou muito próximo dela! Aí é hora de dizer para os outros: Conheço o iceberg inteiro, inclusive a parte submersa, por que mergulhei, vi, medi, apalpei todas as facetas, fotografei, documentei!

Por erikssom patos, em 21/01/2013 às 13:37

Aqui estamos presos no terceiro passo!

Por Papa Tango, em 21/01/2013 às 11:54

Então, qualquer conflito de pensamentos pode ser chamado de filosofia. Não acho que isto seja uma grande coisa e que deva ser estimulada. Uma pessoa que leva uma vida fodida como a da maioria, que tem que acordar cedo e trabalhar o dia inteiro para levar alguma merréca para casa, pode fazer uso da filosofia para entender sua própria participação no mundo. Muitas pessoas já fazem isso, mas acabam tendo levando uma vida mais angustiante do que se não praticassem tal masturbação mental. Se esta mesma pessoa se dá conta que nasceu pobre, viveu pobre e que com certeza irá morrer pobre, então é melhor manter uma mentalidade de big brother do que se aventurar em refletir sobre suas angustias. Filosofia não é garantia nenhuma de auto-realização. Prova disso é que muitos filósofos se mataram, viveram isolados ou morreram loucos. Também a que se dizer que a filosofia, numa maneira geral, é cultivada da mesma maneira que as religiões e apenas o papel de Deus, Deuses ou outras divindades é trocado pela interpretação do mundo pelo entendimento de um filósofo em particular. Dito de outra forma, filosofia é a própria "Religião da Razão". O engraçado é que um dos maiores filósofos da modernidade, Descates, já alertava em seu Discurso do Método que não deveria ser tomado como exemplo porque muitos antes dele já erraram em tentar interpretar o mundo e que não havia nenhum consenso na filosofia. Machado de Assis, lá no século XIX e muito antes dos existencialistas, também ironizava as correntes filosóficas que se espalhavam como moda dando um ar de superioridade para quem as ostentava. O "humanitismo" de Quincas Borba é uma crítica pontual aos sistemas filosóficos que se baseiam em uma premissa para tomar uma interpretação de mundo como sendo uma verdade universal. Outra coisa que pesno sobre a filosofia é que, se passassemos uma navalha naquilo que há de inútil em toda a sua história, teríamos bem pouco a contar sobre a filosofia. Quem, por exemplo, estuda as obras de Santo Agostinho, terá um entendimento melhor sobre o mundo medieval, mas não aproveitará nada nos dias atuais. Porém, não precisamos ir muito longe, pegue a obra de Sartre ou de qualquer idiota da Escola de Frankfurt e tente tirar dalí algo que se aproveite. Fora alguns aforismos e frases empoladas que servem para abastecer textos de pseudo-intelectuais, você só encontrará empulhação e interpretações individuais e desconexas do que seja o Homem, como se fosse possível uniformizar a espécie humana sob um conceito em um mundo grande o suficiente para agregar diversas culturas.

Por regina oliveira, em 21/01/2013 às 18:14

@papatango o pobre busca na religião conforto , o bem de vida na filosofia o desconforto .

Por Ricardo Froes, em 21/01/2013 às 11:51

"O que interessa é cultivar a capacidade de interpretar os fatos. Ir além da primeira impressão e evitar ser papagaio, isto é, mero repetidor da opinião dominante. Pensar com a própria cabeça é o princípio da filosofia." E basta.

Por José Antônio da Conceição, em 21/01/2013 às 15:23

@bobjaniak Basta prá você! Prá dona Maria das Tranças precisa ser o texto inteiro e mais umas duas ou três léguas de conversa sobre, caminhando bem devagar!

Por José Antônio da Conceição, em 21/01/2013 às 08:59

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