Brasil

Por Instituto Teotônio Vilela, em 19/02/2013 às 13:57  

O velho e mensaleiro PT

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O velho PT oposicionista – raivoso, sectário e, principalmente, desonesto – reacende na comemoração pelos seus dez anos no poder. Mas, a realidade é que, não tivessem Lula e Dilma sido antecedidos no cargo por Fernando Henrique, o país certamente não seria o que é hoje e o PT provavelmente teria naufragado na primeira esquina. Numa coisa o PT é, de fato, imbatível: nenhum outro partido tem em seus quadros uma turma de mensaleiros condenados à prisão.

O PT está armando um tremendo oba-oba para marcar seus dez anos de chegada ao poder. Tem todo direito de comemorar. Desde que não recorra às mistificações, mentiras e invencionices que tanto caracterizam suas mais de três décadas de trajetória. Mas esperar honestidade dos petistas é querer demais.

Há dez anos, o partido dos mensaleiros tenta vender aos brasileiros a ideia de que nossa história começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República Federativa do Brasil e, oito anos depois, foi sucedido por Dilma Rousseff. Tudo o que antecedeu ao reinado dos petistas é tratado como escória.

É o que o PT volta a fazer agora por meio de uma cartilha recheada de adjetivos e palavras de ordem que em tudo lembra o velho PT oposicionista: raivoso, sectário e, principalmente, torpe e desonesto. Nem dez anos no comando de uma das mais importantes nações do mundo deram aos petistas a serenidade e o decoro necessários.

A realidade é que, não tivessem Lula e Dilma sido antecedidos no cargo por Fernando Henrique Cardoso, o país certamente não seria o que é hoje. Não tivesse a gestão tucana legado à petista um país com moeda estabilizada, contas fiscais geridas em regime de responsabilidade e uma estrutura produtiva em processo de modernização, o PT provavelmente teria naufragado na primeira esquina.

Recorde-se que tanto a estabilização obtida com o Plano Real quanto a adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal foram duramente combatidas pelo PT oposicionista, seja nos palanques, nas tribunas, no Parlamento ou na Justiça. Para os petistas, o que sempre valeu foi a máxima do hay gobierno, soy contra ou, ainda, a do “quanto pior, melhor”.

Nestes dez anos de poder, o PT valeu-se sobejamente da herança bendita tucana. Mas tudo que é bom não perdura para sempre. A falta de um novo ciclo de reformas e o mau uso que os petistas fazem das instituições estão levando à exaustão o que lhe foi legado. Como os governos petistas foram incapazes de dar novo sopro renovador ao Brasil, o país ora rateia.

Não é outra coisa o que está ocorrendo com a inflação, numa séria ameaça de descontrole dos preços que desponta no horizonte e põe em risco o orçamento familiar, principalmente o das famílias mais pobres. O mesmo acontece com as contas públicas, em franco processo de deterioração e retrocesso. E o que faz o governo do PT para se contrapor a esta situação? Simplesmente bate cabeça.

O que se passa no lado real da economia brasileira também evidencia a falência dos propósitos petistas. O estatismo anacrônico do partido dos mensaleiros conduziu o país a um gigantesco nó logístico e de infraestrutura que só timidamente ora começa a ser deslindado. Mas como? Com as privatizações – como acontece agora com os portos, as ferrovias e as rodovias – que o PT outrora tanto demonizou.

É legítimo reconhecer que os governos petistas promoveram avanços importantes na área social. Mas, para uma análise honesta, é forçoso constatar que o germe que floresceu na ascensão social, na disseminação do Bolsa Família e na recuperação do salário-mínimo foi semeado na gestão tucana.

Mas há uma coisa em que o PT é, de fato, imbatível: nenhum outro partido tem em seus quadros uma turma de mensaleiros condenados à prisão pela mais alta corte de Justiça do país. Nas comemorações pelos dez anos de poder petista, Lula e Dilma Rousseff poderão se irmanar gostosamente a José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e outros tantos – enquanto, claro, eles ainda não cumprem suas penas na cadeia. Esta exclusividade ninguém tira deles.

 

Carta de Formulação e Mobilização Política
Terça-feira, 19 de fevereiro de 2013iNo 635. Concluída às 9h53

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

 

 




4 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por augusto josé sá campello, em 22/02/2013 às 16:13

Boa tarde. Fico pasmo com a repetida boa vontade em relação à transferência de renda com condicionantes. Este é o complicado nome, em tecniquês, do Bolsa Família. Mas, o problema é que o B F vai mal das pernas. Por um lado, a ausência das tais políticas públicas capazes de alterar o entorno destas famílias e dotá-las de meios de saírem da dependência parcial ou total, não se concretizaram. E lá se vai uma década. Qual é o objetivo? Eternizar uma dependência umbilical? Por um outro lado as notícias recentes de alterações nos montantes a serem desembolsados pelo governo federal....me parecem oportunísticos e tendentes a mascarar uma falha. Que falha? A descoberta tardia de que o universo real de famílias abaixo da linha da pobreza é maior do que o inferido das estatísitcas censitárias. Indo um pouco mais adiante, a metodologia desta descoberta tardia, via dados obtidos junto a governos estaduais e municipais, levanta sérias dúvidas. Ajscampello

Por roberto argento filho argento, em 20/02/2013 às 14:21

Brazil, Por Instituto Teotônio Vilela: Na Política Nada se Cria, Nada (só a grana) se Perde, Tudo se Copia, desde quando os coronéis mandavam um dos filhos para o Seminário e outro para o Direito, ... se mais, cada um em seu Pilar (pilhar? ... eu hein!)

Por Ricardo Froes, em 19/02/2013 às 17:00

Lamentável. O discurso é uma maravilha, mas na prática o filho do Teotônio pratica o petismo mais sem vergonha que possa existir.

Por mario jota, em 19/02/2013 às 14:17

Finalmente um texto que redime a bondade do PSDB por este anos ao governo petista. Queremos sempre criticas aos petistas de forma contundente. Como disse o Lula, em 1° de janeiro a história do Brasil começou a ser escrita sim, de forma mais corrupta e economicamente mais fragilizada. Conseguiram quebrar a Petrobrás, uma empresa considerada inquebrável. Realmente o PT faz milagres, sempre ao contrário.