Cultura

Por Fernando Henrique Cardoso, em 03/02/2013 às 08:00  

Pessoas e estórias

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Após os dias tórridos da passagem do ano, São Paulo se tornou mais amena. As férias escolares, o trânsito menos atormentado, os cinemas mais vazios e a temperatura agradável convidavam ao lazer. Assisti a um filme admirável, Amour, no qual dois atores (Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant) dirigidos por Michael Haneke desenvolvem a trama do relacionamento entre um casal de velhos músicos que leva uma vida confortável, para os padrões europeus, embora sem serviços domésticos e isolado dos familiares. Além do mais, contratempos na velhice podem ser sofridos. O derrame da senhora não abala a ternura do marido. Mas o cotidiano é duro: ela tem de ir ao banheiro carregada, o marido tem de dar de comer à sua boca, etc. Diante da piora da saúde da mãe a filha tem dificuldades para entender e lidar com a situação, denotando mais angústia do que afeição e, quiçá, alguma preocupação material com o que possa sobrar. O genro é insuportável e os netos nem aparecem. Resultado, os dois velhos vão se consumindo num mundo que é só deles entre boas recordações e desespero até um derradeiro gesto de amor.

São assim as relações humanas. Ambíguas, cambiantes, cheias de paixão e ódio. Mas em cada geração, mesmo na tensão e na discórdia, um entende a linguagem do outro. A vivência das mesmas situações cria referências culturais que acolchoam a razão. Foi sob o impacto emocional de Amour que participei de um jantar com o casal Grécia e Roberto Schwarz, amigos de mais de cinquenta anos. De tempos em tempos nos vemos, mantendo a amizade, embora no campo político estejamos apartados.

Por coincidência, no dia aprazado para o jantar, José Serra (outro amigo com quem convivo há mais de cinco décadas) marcara um encontro em minha casa. Minhas conversas com Serra são longas, de horas a fio. E raramente terminam no mesmo dia, posto que não seja notívago. Serra chegou indisposto. Imaginei que a conversa seria amarrada. Mas logo, com franqueza suficiente para cada um saber o que o outro pensa, fluiu bem. De repente olhei o relógio e adverti: daqui a pouco chegará o Roberto. Serra permaneceu.

No jantar em um restaurante, começamos a conversa lembrando um amigo comum, Albert Hirschman. O grande intelectual recentemente falecido teve influência enorme sobre todos nós, como pessoa e como intelectual, o que tornava amena a conversa. Ele era uma espécie de renascentista contemporâneo, bricoleur de palavras e ideias, que não apreciava as “grandes teorias”, mas que com suas miniaturas lançava luz sobre a história e a natureza dos conflitos sociais e humanos.

Passado o momento de convergências, Roberto me perguntou: quando vocês (em tese) eram socialistas, o que queriam e no que acreditavam? Respondi: nosso objetivo era maior igualdade, o meio para isso seria eliminar a apropriação privada dos meios de produção, tudo mais era secundário, mesmo a liberdade. Pensei comigo: havia variações na esquerda, os trotskistas há muito denunciavam o terror estalinista, embora alguns de seus líderes também os houvessem praticado; a “esquerda democrática”, mais liberal, não era comprometida com práticas contra a liberdade. Fiquei pensando: o que tem a ver esta discussão com os dias atuais? Quem ainda pensa em “controle coletivo” dos meios de produção? Só mesmo os nacional-desenvolvimentistas que amam o capitalismo dirigido e identificam o estado com o coletivo, mas nem por isso são de esquerda.

Noutro momento, Roberto, mais fiel às teses clássicas da esquerda, comenta: você não acha que mesmo sem referência explícita às classes sociais e suas lutas elas existem e é preciso uma teoria que as situe em função da forma contemporânea de acumulação de capital, inclusive na China? Eu respondo: acho, sim; mas teria de ser proposta uma nova teoria geral do capital e das relações de produção, pois a globalização alterou muita coisa. Não parece que e a oposição burguesia/proletariado tenha a vigência que teve no passado. A dissolução do conceito de classe nas “categorias de renda” chamadas classes a, b, c, d, ou nesta “nova classe média”, dificilmente se sustenta teoricamente, acrescentei. Outra vez, olhando a atualidade, quem, na esquerda, no centro, na direita, ou seja em qualquer lugar do espectro político vigente, pensa nestas questões? O governo do PT é o primeiro a se jactar da expansão das “novas classes médias” e de comemorar os êxitos do capitalismo, ficando envergonhado quando o “pibinho” parece comprometê-los.

Passando de considerações abstratas para terrenos mais concretos, Serra criticou duramente a desindustrialização em curso, os desmandos na administração pela penetração de interesses políticos e clientelísticos, enfim a condução do PT. Ao que Roberto redarguiu como era de esperar: mas houve avanços sociais inegáveis. E eu acrescentei, que começaram no meu governo… Está bem, disse, mas ganharam maior dimensão com o PT. Vejam o acesso às universidades com as cotas. Por fim, cheque mate: e o mensalão? Ah!, mas é a “direita” quem se regozija com as condenações, embora, sem elas, a Justiça estaria comprometida. Serra, mais incisivo: e o PT é “de esquerda”? Silêncio geral. As categorias com que concordávamos nos inibiam de classificar partidos atuais na escala antiga na qual fôramos formados.

Pode parecer que o desentendimento era geral. Mas não. Conversávamos como quem vivera uma mesma história política e cultural. Era um diálogo entre pessoas da mesma geração, apesar das discordâncias eventualmente existentes. Será que o tipo de diálogo que tivemos faz  sentido para as novas gerações? Ou Fernando Gabeira tem razão: as diferenças contemporâneas são comportamentais (ser ou não evangélico, aceitar ou não o casamento gay, ser “verde’ ou “jurássico” etc.). O diálogo caloroso e, para nós, interessante, que nos levou insensivelmente a recuar no tempo terá algum sentido para as novas gerações ou, para elas nós seremos “os outros”?




32 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por José Antônio da Conceição, em 03/03/2013 às 01:01

Estória é palavra proposta para designar narrativa de ficção. Espero (ao redigir este post) que o jantar regado a um bom vinho como disse o Ricardo Froes não seja uma narrativa de ficção com o objetivo de encontrar uma forma de explicar para os ex-eleitores determinadas mudanças de opinião. O “suposto” jantar teria acontecido entre Fernando Henrique Cardoso, José Serra como ‘intruso’, Roberto Schwarz e, também Grécia que apenas testemunhou os diálogos sem emitir opinião. Já histórias são narrativas sobre fatos acontecidos que, quando relevantes passam a marcar uma época dentro dos livros, os mais importantes chegam a servir como ‘divisor de águas’ entre um período histórico e outro, os mais contundentes e decisivos chegam a dividir eras quando os historiadores do futuro chegam ao consenso de que assim deve ser. No quarto parágrafo de seu artigo muito bem escrito, FHC responde a uma pergunta de um esquerdista praticamente ignorando que a pergunta tem outra maneira de ser interpretada: Ele diz que Roberto Schwarz perguntou: “quando vocês (em tese) eram socialistas, o que queriam e no que acreditavam?”. Isso também pode ser perguntado desta forma: “o que mudou, para que vocês, socialistas (em tese) não sejam mais? No que acreditavam e no que acreditam agora?” Tudo bem, FHC respondeu que os conceitos mudaram, que as crenças mudaram, e que no momento atual prevalece o “aqui e agora” sem que exista muito tempo para elocubrar se o “aqui e agora” pertence à velha ideologia da esquerda ou se está ligado à (também velha) ideologia de direita. Não responde sequer se o “aqui e agora” está cheio de nuances de uma e de outra, de uma forma que dona Maria das Tranças ou o João Sementeiro entendam! Não nos esqueçamos que FHC é acadêmico. Uma vez acadêmico, sempre acadêmico! Seus interlocutores são os acadêmicos, ponto final. Será que foi notado que ao referir-se ao “pibinho” FHC não se referiu a uma linha sequer dos discursos que antecederam o “pibinho”? Juros altos! Folha de pagamento onerosa demais! Energia elétrica no Brasil tem os custos mais altos do mundo! Este era o discurso antes do “pibinho” não é mesmo? Se, vocês são os “outros”? Esta é a pergunta final do artigo de FHC. Eu não sei… mas sei que vocês são os que falam muito e dizem muito pouco, pelo menos para o entendimento de dona Maria das Tranças e do João Sementeiro! Fico pensando: como é que vocês pensam em conquistar os votos de ambos? José Antônio da Conceição Tags: Coronelismo, Partidarismo, Discurso político imutável, O poder pelo poder ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- http://www.observadorpolitico.org.br/2013/02/pessoas-e-historias/

Por Victor Castro, em 10/02/2013 às 01:53

Presidente, eu sei que Margareth Tatcher disse que "em política você pode estar completamente equivocado, sem ser um idiota ou um canalha", mas a mim pareceu - e é apenas uma impressão pessoal - que seu amigo Roberto Schwarz seria uma coisa ou outra (repito: ele não é, é minha impressão pessoal!). Esse papo de que o Governo Lula fez muito "pelo social" é uma balela que pode convencer ignorantes e desinformados das classes B e C, mas não convence nem mesmo aos petistas. O PT dobrou o índice da inflação em relação ao seu Governo (FHC), que passou de 3 para 6%. Isso torna os trabalhadores dependentes dos sindicatos, que negociam as respectivas "data-bases". O PT agora aumenta a dívida pública (inclusive de Estados e Municípios junto à União, ao não rever os índices da LRF), e se apropria de recursos do FGTS, que são dos trabalhadores, para cobrir despesas que o Governo não é capaz de pagar - num atestado claro de incompetência. O tal "tudo pelo social" do Governo Lula foi o endividamento subsidiado dos créditos consignados, que serviram como contrapeso aos juros estratosféricos da Era Palocci, num duplo esforço pró-inflação que pipocou em 2010. As cotas raciais são ilegais ou inócuas. Ilegais se forem agentes estatais ou paraestatais a delimitarem, pelo fenótipo, os beneficiários do sistema. Inócuas se forem autodeclaratórias. E seu amigo Roberto Schwarz vem dizer que elas, por si só, promovem a inclusão social dos negros. Um homem que é amigo de Fernando Henrique Cardoso deveria ter um pouco mais de esclarecimento, ir além da alienação do caleidoscópio marxista do PT, das frases prontas politicamente corretas. Dá nojo ver uma esquerda tão despreparada, a defender o método hegeliano de acreditar em uma mentira tanto que, pela mera retórica, ela se torna verdade e discurso homogêneo. Lula fez menos pelo social do que Fernando Henrique Cardoso. O melhor legado que uma geração pode deixar para a outra do seu mesmo país é uma inflação neutralizada, uma moeda forte, um sistema tributário justo, uma máquina administrativa eficiente e uma dívida pública sob controle. Tudo o que Fernando Henrique fez pelo Brasil. E Lula destruiu. Schwarz, com todo o respeito, mas dada a sua voluntária alienação hegeliana, Marx em pessoa lhe daria uma surra de chinelos!

Por Elza A. Cardoso, em 07/02/2013 às 00:46

BAH!

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 09:17

... mais um pouco de estórias, apenas estórias No primeiro dia de volta ao escritório, o ilustríssimo primeiro-ministro canadense Stephen Harper passou o dia no Twitter narrando sua vida. Do café-da-manhã na companhia do gato Stanley aos encontros com ministros, Harper contou seu dia em detalhes para uma audiência restrita e desinteressada. Em resumo, o dia na vida do primeiro-ministro canadense se transformou num conto monótono e despolitizado. Pra quem um dia sonhava ser o chefe de Estado do Canadá, os tweets de Harper praticamente infantilizaram as decisões e cerimônias por ele vividas. A perspectiva cor-de-rosa de Harper desconstruiu a importância política do papel de primeiro-ministro e o impacto que o cargo assume na vida do cidadão canadense e no panorama político internacional. Políticos canadenses paulatinamente usam as mídias sociais como Twitter e Facebook para conquistar a confiança de suas zonas eleitorais e votos em futuras eleições, especialmente o voto jovem. No entanto, a cena política calma e tentativas sem sal como a do primeiro-ministro distanciam ainda mais o jovem eleitor canadense. Um estudo recente publicado pelo Samara – instituto de pesquisa focado na participação política e cidadania –, constatou que apenas 55% dos eleitores estão satisfeitos com o processo democrático canadense, o índice mais baixo de todos os tempos. O mesmo estudo indica que apenas 27% dos canadenses acham que políticos em Ottawa defendem os interesses dos cidadãos da melhor forma possível. Num ambiente em que virtualmente todos os parlamentares canadenses estão ao alcance do cidadão, o abismo entre o que afeta a vida do indivíduo e o que é discutido na House of Commons parece cada vez maior. Leis como a C-45 vêm só para intensificar o sentimento de impotência perante o que é decidido no parlamento. Quando questões cruciais envolvendo o meio-ambiente e imigração são aprovados às pressas sem consulta pública, o trabalhador comum se cala por aqui, baixa a cabeça e segue a vivendo. Um dia na vida do primeiro-ministro canadense deveria ser narrado de forma realista e enfática. Já que as mídias sociais nos permitem criar novas discussões e relacionamentos, por que não responder às perguntas indiscretas do cidadão? Por que não usar o espaço virtual para esclarecer a posição do Partido Conservador? Por que não explicar como cada dia na vida do primeiro-ministro impacta a vida de todo o país? E no Brasil, você se sente incluído(a) no processo democrático? Veronica Heringer é bacharel em Jornalismo pela PUC-Rio, mestre em Media Production pela Ryerson University e estrategista em marketing digital.

Por Sandro César Gallinari, em 04/02/2013 às 11:21

É presidente, a coisa é preocupante! A nova geração mau sabe ou saberá interpretar seu texto. Começa aí a degradação de tudo!

Por Luiz Felipe, em 04/02/2013 às 09:57

CHEGA DE DISCURSO, URGE MUDARMOS O PERCURSO. Chega de discursos ocos, chega de estórias, chega de palaquismo vazio, chega de embromação, chega de malandragem, chega de empurrar com a barriga, chega de ditaduras (militar, civil, midiática, financeira, partidária, golpistas ou até mesmo da puta que pariu), chega de 171 eleitoral, chega de direita, chega de esquerda, chega de centro, chega de patifarias, urge encararmos a Verdade, urge mudarmos o percurso. Que venha agora, já, em 2014, a Mega-Solução, A Revolução Pacífica do Leão, o Novo Caminho para o Novo Brasil de Verdade, antes tarde do que nunca, porque libertar e evoluir é preciso. Chega de continuismo da mesmice. Chega dos mesmos.

Por Ricardo Froes, em 03/02/2013 às 18:20

É um papo entre amigos regado a um bom vinho e só. Nada de relevante. É para se ler na praia ou sentado na privada - sem demérito nenhum, porque a privada é um dos melhores lugares para a leitura leve. Fazer desse artigo objeto de masturbação intelectual é procurar pelo em ovo.

Por José Antônio da Conceição, em 04/02/2013 às 19:43

@bobjaniak Aguarde meu post, respondendo FHC!

Por erikssom patos, em 03/02/2013 às 16:29

Percebo que parte da geração atual, ao ver a coragem manifestada por velhinhos de terno ou gravata borboleta, de fala mansa, escrita elegante e sem tatuagem, muitos se identificam como se fossem da sua tribo, muitos até mesmo são punks - figura de comportamento. Talvez a identificação vai mais além do que se possa imaginar, esses destaques da atualidade percebem nos corajosos da velha guarda ideias inspiradoras que desde muito cedo povoaram seus cérebros inquietantes, e que ajudam a fundamentar as suas teorias. Enfim é a postura de defesa de princípios, de paixão pela liberdade, que canalizado a energia desses jovens e os fazem, muitos deles se identificarem com a velha guarda sem tatuagem. Não é fácil para a juventude de hoje encontrar terreno fértil de novas praticas na nossa cultura em que a hegemonia cultural marxista predomina. um exemplo está exposto no dialogo do senhor ex presidente com os amigos, que simboliza em parte essa cultura marxista e keynesiana, e que caracteriza as universidades brasileiras, principalmente os cursos superiores de economia. Dentro desse quadro eu fico entre os nerds e os yuppies e analiso o PT como um grupo partidário de esquerda que representa um governo que criou uma Nova Classe Média(?), que está consolidando as cotas, que está consolidando o inchamento estatal, que está consolidando a ditadura das minorias, que cooptou o sindicalismo inútil, que está em vias de consolidar um Welfare State para concluir que está falido, que está consolidando uma justiça social que é uma balela. Tudo isso pode se concluir que o estatismo já se mostrou que é ineficiente e corrupto na administração de quaisquer áreas.

Por erikssom patos, em 04/02/2013 às 08:49

Essa cronica do Senhor Henrique Cardoso faz a gente realmente mergulhar de cabeça não só no Brasil de um passado recente, mas acima de tudo real, faz a gente sair deste Brasil fantasioso do mundo politico, dos palanques, dos gabinetes, e nos trás de volta a triste realidade do cotidiano onde vivemos com todos os seus prazeres e mazelas, onde fazemos nossas festas e enterramos nossos mortos. Hoje, segunda feira do dia 4 de fevereiro de 2013, a cidade onde moro (uma capital) governada por um prefeito do PT, de um estado governado por um tucano, amanheceu mergulhada na falta de leitos de UTI ofertados pelo sistema SUS, na sua interface com a prefeitura. Já logo cedo toda a imprensa televisionada com os seus moto links visitam unidades de saúde, e na maior parte destas unidades já se encontram superlotados, e algumas dessas unidades das três especialidades medicas ofertadas por este modelo, não tem nenhum pediatra, clinico geral, e genecologista! Nenhum, e sem previsão de ter algum durante o dia! O que está acontecendo com a saúde no Brasil senhores políticos? Por que uma prefeitura deixa faltar UTI para uma criança que tem 80% corpo queimado deixando-a num leito de enfermaria, numa espera interminável de uma unidade de tratamento intensivo? Falta tudo numa unidade dessas. O que está acontecendo com a saúde no Brasil senhores políticos? Por que um estado deixa pacientes de uma unidade de doenças tropicais (unidade especializado em infecções e doenças infeciosas) ficarem em leitos nos corredores da unidade por não ter vagas nas enfermarias? Colocando em risco inclusive os próprios trabalhadores de uma unidade dessas com estres ocupacional? Falta quase tudo numa unidades dessas. O que está acontecendo governo federal? Cadê a cobertura da esfera federal? Ou será que o conjunto politico numa especie de jogo empurra joga para lá e para cá dizendo: a responsabilidade é sua, não é sua, não é sua! Então?

Por Capitão Caverna, em 03/02/2013 às 18:11

@patos Patos, não complique... Não existe tribo na qual possam os encaixar petistas ou tucanos. Desejam o poder simplesmente, e ai é que todo o idealismo cai na fanfarronice de justificar Mensalões, e acordos escusos para salvar Eduardos Azeredos, Marconi Perillos, Aguinelos, Kavendishes e afins... você acredita, por exemplo que Zé Dirceu, com suas consultorias, e governo paralelo em quartos de hoteis em Brasília estava pesando em vertentes ideológicos de esquerda? Ou FHC e seu partido fazenda acordos para salvar Eduardo Azeredo em troca de LULA não concorrer a reeleição também estávam sendo republicanos e representado a oposição? Pura retórica revisionista, o intelectual FHC não consegue justificar os atos do político fisiológico... Entra para história sim, mas como?

Por erikssom patos, em 03/02/2013 às 18:26

@antoniorodrigues, muito boa as suas colocações e servem para jogar mais lenha na fogueira, não na minha(!) nem na sua(!), mas nas dos partidos citados e demais. O que eu fiz ai foi apenas roçar as tintas do trem dos políticos que estão a bordo da nave Brasil. E você está certo ao se referir ao pragmatismo fisiológico existente no balaio de gato do partidarismo brasileiro, tanto é que o valor maior deles é o Estado. Nem de longe passa na cabeça desse pessoal a questão do livre mercado, de um estado minimo, etc... Você já prestou atenção de que todas as vezes falam em politica, falam também de politicas sociais, de justiça social, de igualdade, etc? Mas, como esse pessoal explica pra gente como é que 45% do orçamento geral do país vai para pagamento, rolagem, e serviços da divida publica? Como vão explicar para nós como o estado vai resolver essa parada do social se tem uma divida dessa? O que o estado estava fazendo que ficou devendo tanto assim? Onde esse estado vai parar com esse esquema de governar se as contas não param de aumentar? Tem algo errado nisso tudo. E é exatamente as questões econômicas que esse pessoal evita conversar, dialogar com a sociedade.

Por milton valdameri, em 03/02/2013 às 14:34

Caro FHC, enquanto houver a dicotomia esquerda e direita no debate político, o único resultado possível será a mediocridade, não é necessário ser um estudioso para perceber que a mediocridade dominou o debate político. O Gabeira está confundindo as diferenças comportamentais com diferenças políticas, isto agrava a mediocridade, pois estabelece outras falsas dicotomias, cria situações onde, por exemplo, ser evangélico é contra o aborto, ou liberação das drogas, enquanto que ser ateu seria a posição contrária. A descrição mais razoável para esquerda e direita, que eu conheço, é do Demétrio Magnoli, onde ele se baseia nos Girondinos (direita) e Jacobinos (esquerda), sendo direita a defesa da liberdade e esquerda a defesa da igualdade. O problema desta descrição, embora seja razoável, é que cria uma contrapartida perversa, onde a defesa da liberdade (direita) é ser contra a igualdade, enquanto que a defesa da igualdade é ser contra a liberdade. Uma sociedade mais decente só será possível abandonando os conceitos pré-concebidos (preconceitos), tanto as liberdades como as igualdades devem ser debatidas em suas respectivas situações. Cito como exemplo a educação, onde o direito ao ensino público oferece a igualdade, enquanto que o direito ao ensino privado oferece a liberdade, havendo apenas um ou apenas outro, a igualdade elimina a liberdade ou a liberdade elimina a igualdade, mas a co-existência oferece a igualdade ao oferecer ensino para todos e liberdade para escolher onde estudar. É extremamente necessário mostrar para a população, que sem as escolas particulares, haveria um grande déficit no ensino, tanto a igualdade como a liberdade sucumbiriam, sendo um bom exemplo para mostrar que a igualdade sem liberdade é fantasiosa, da mesma forma que a liberdade sem circunstâncias de igualdades também é fantasiosa. Substituir a dicotomia esquerda e direita, pela dicotomia evangélico e não-evangélico é substituir a mediocridade pela mediocridade (seis por meia-dúzia). Eliminar as falsas dicotomias, este é o caminho.

Por José Antônio da Conceição, em 04/02/2013 às 19:42

@miltonv Embora nunca tenhamos bebido da mesma água aqui dentro do OP, aplaudo (de pé) seu comentário. (e dispenso desde já, seu desdém pelas opiniões que emito). Parabéns!

Por acir carlos ochove, em 03/02/2013 às 15:52

@miltonv Boa tarde Milton, cristalina sua exposição, parabens,abs

Por acir carlos ochove, em 03/02/2013 às 12:45

É sempre prazeiroso ler materia do nosso ex presidente pelos que agradecemos; cumpre função de mostrar alem das posições politicas contemporaneas, possiveis situações teoricas que influenciarão nosso futuro. Deveriamos cobrar mais escritos, são tão raros; a visão que a idade nos dá é diferente daquela que os livros proporcionam. Podemos até não concordar com as ideias, fatos, mas devemos aceitar a argumentação mesmo como formação de contraditorio, que no regime democratico e´fundamental. Logo será historia.

Por Papa Tango, em 03/02/2013 às 12:34

Quem quiser entender os políticos no Brasil, basta observar como agem os traficantes nos grandes morros cariocas. Os traficantes sempre procuram dominar um morro, expandir seu poder para outros morros, dominar a população local através do medo e não serem incomodados pela lei. Os políticos, por sua vez, procuram dominar uma região, expandir sua influência para outras regiões, dominar a população local apresentando-se como a única opção viável e assaltar os cofres públicos sem serem incomodados pela lei.

Por roberto argento filho argento, em 03/02/2013 às 17:29

@papatango: perfeita analogia válida para os tempos atuais Tendo em vista que existe o "traficante bonzinho" e o "traficante mauzinho" Ambos Vendem "A DROGA" e alcançam Poder e Gloria - nunca falta quem "compre".

Por Delio, em 03/02/2013 às 15:42

@papatango ...em suma, analisando a conduta dos politicos atuais...estamos fritos.

Por roberto argento filho argento, em 03/02/2013 às 13:32

@papatango: cumpre lembrar que tem o traficante "bonzinho" e o "mauzinho"

Por roberto argento filho argento, em 03/02/2013 às 17:15

@argento: E Ambos vendem "A DROGA" e alcançam o Poder ou a Gloria - nunca falta quem "compre"

Por Papa Tango, em 03/02/2013 às 13:35

@argento Mas ambos tentam vender a sua droga para conquistar o poder.

Por César Guimarães, em 03/02/2013 às 09:56

Fernando Henrique é o político que mais aprecio. Admiro vários, mas ele é o único a quem vou além da admiração, vou para o terreno da apreciação, porque ele marcou a História (com "H" maiúsculo): o Plano Real é o grande momento histórico que tive a oportunidade de viver. Nasci em 1954, num Brasil que vivia a Terceira Dualidade -- conforme quer o modelo de Ignácio Rangel --, agora vivo em um país sob a Quarta Dualidade, e a passagem de uma época histórica a outra se deu pelo Plano Real. De forma cordial, gosto de apelidá-lo de Fernando Henriques, pelo caráter inaugural de sua atividade política (Afonso Henriques foi o fundador de Portugal). Contudo, acho que a apreciação que lhe dedico vem tambérm, e talvez até principalmente, pela sua qualidade intelectual. Acho que este texto acima tocou no ponto central da política brasileira atual, que, pelo menos formalmente, se estrutura em função da rivalidade PT x PSDB. Acho que os petistas odeiam os tucanos, e os tucanos odeiam os petistas, porque representam posições antagônicas em relação a Marx: os petistas, apesar de tudo, ainda são marxistas, ainda têm em Marx o valor máximo, enquanto que os tucanos são ex-marxistas, ou melhor dizendo, pós-marxistas. Acho que mesmo para os petistas jovens, que estão distante da polêmica descrita por Fernando Henrique, o valor máximo, ainda que de forma críptica, ainda é o marxismo. Também acho que a falta de rumo dos tucanos vêm do fato de que não têm claro qual é o seu valor máximo, ou seu novo valor máximo, pós-marxismo. Então, se me for dada a oportunidade e a honra, pergunto ao nosso líder político e intelectual: qual é o valor máximo para os tucanos? E ainda uma outra pergunta: se os petistas são de esquerda, e os tucanos, de centro-esquerda, onde está a direita? Porque ela está oculta, sob o manto do mais deslavado fisiologismo? Porque a direita não proclama seus valores?

Por erikssom patos, em 03/02/2013 às 16:35

@cesarguimaraes, não são apenas o jovens do PT que se encontram com a cabeça mergulhada no marxismo, mas praticamente quase toda a juventude que passa pelas universidades, pois essa reza na cartilha marxista. O Estado é o valor maior, não só dos petistas, mas de todos os políticos brasileiros, se é isso que você está querendo saber.

Por Capitão Caverna, em 03/02/2013 às 10:09

@cesarguimaraes Sim, muito bonito na teoria... Mas na prática resume-se a acordos com o próprio PT para salvar polîticos corruptos... O Plano Real é a realização máxima do politico, importante... Mas o intelectual distancia-se da realidade atrás do fisiologismo, da omissão como oposição que na prática demosntram que todos os partidos são iguais! O Plano Real deveria ser a base de novas mudanças, não um fim... E único bandeira... Deveríamos votar no PSDB por ser um representante da nova esquerda? Progressistas, não radicals, mas igualmente coniventes com a bandalheira? Ah, talvez devessem marcar diferenças entre os dois partidos no campo dos costumes? Disputas cosméticas entre defender a Liberação da maconha ou a Liberação do casamento Gay, enquanto o Estado é assaltado, e as verdadeiras questões como Saúde, Educação, Segurança, Reformas Política e Tributária passam ao largo... A covardia, o oportunismo ficam sempre evidentes.... Realmente patético...

Por Capitão Caverna, em 03/02/2013 às 12:02

@antoniorodrigues A questão não é moral, mas de representatividade... Termos um partido que represente a vontade de seus eleitores, mesmo que signifique perdeu eventualmente as eleições. Se você é leitor assíduo de Dora Kramer, e leu o seu último artigo. deve concordar com a afirmação de que o distanciamento entre os partidos e seus eleitores é evidente, e que a visão de democracia que nos oferecem é apenas a luta oportunista para chegar ao poder e lá permanecer... Quando FHC coloca seus préstimos, sua intelectualidade a serviço desse projeto partidário mesquinho, a pequena-se! Ou será que estou sendo muito otimista... Na verdade ele é um político carreirista, que finge ser um intelectual? Não é um estadista... Isso é certo! Não usou seus conhecimentos e sua inserção política para o bem do Brasil... fazer essa constatação triste não é ser moralista, é ser realista, pragmático...

Por César Guimarães, em 03/02/2013 às 11:05

@antoniorodrigues, eu tenho dificuldade em ver a política como uma questão moral, até porque não estou bem informado sobre os comportamentos pessoais dos políticos. Me parece que a Presidente Dilma é uma boa pessoa, bem intencionada, mas o que não gosto no governo dela é o seu viés estatizante, oriundo, no meu entender, do fato de que para ela e para o PT Marx é o valor máximo. Acho que a grande necessidade que o país tem agora é a privatização dos serviços públicos (infraestrutura, energia, transportes, etc.) como, por exemplo, os tucanos paulistas fizeram com as rodovias do Estado. E isto não porque "o Estado é ruim" e "a iniciativa privada é o bem", apenas porque é o que se requer nesta quadra histórica. Tem aspectos morais na política que me desagradam muito, até me despertam fantasias assassinas, mas não passam de fantasias, e não se restringem à política. A minha leitura cotidiana sobre política restringe-se basicamente à coluna de Dora Kramer no Estadão. Concordo com quase tudo que ela escreve.

Por Capitão Caverna, em 03/02/2013 às 09:50

Talvez seja essa a contribuição principal de FHC, delinear um Norte teórico para o panorama político atual. Intelectuais podem emitir opinões descompromissadas de seus vínculos partidários, ou melhor, deveram... Daríamos valor as opiniões dos membros da escola de Frankfurt se fossem vinculadas a atuação político-partidária? O que pensar das opiniões de Herbert Marcuse caso fossem associadas a partidos fisiológicos, como o PSDB? Todo idealismo, todo o discurso contra o capitalismo seria perdido e desacreditado após o primeiro acordo pragmático e oportunista... O argumento de que a teoria deveria passar à prática através da atuação política é verdadeiro, mas a escolha deveria ser feira a priori, do contrário, a tentativa do intelectual sustentar as ações do político tornam-se baixas e opotunistas! FHC age assim, expressa opiniões como intelectual para justificar sua política! E algo baixo... Quando o político age fisiologicamente, esconde-se atrás do intelectual. Gostaria que FHC respondesse seus atos políticos como político! Não há como esquecer a defesa de LULA no episódio do mensalão, o silêncio cúmplice nas negociações do PSDB para enterrar a CPI do Cachoeira e salvar Marconi Perillo, e mais cedo, a tentativa de fazer parte do Governo Collor, impedida por Mário Covas... Essas questões permanecem! E a falta de coragem também... A diferença entre o intelectual, e o político fisiológico ficam cada vez mais evidentes, e claramente o distanciam de um verdadeiro estadista! Patético....

Por José Antônio da Conceição, em 04/02/2013 às 19:37

@antoniorodrigues Não vou "comentar" o artigo de FHC aqui, estou redigindo a resposta! Infelizmente está ficando um texto tão grande, que ultrapassa (e muito) o tamanho de um comentário! Tem gente que vai "chiar" mas, nada posso fazer contra quem sabe só "chiar".

Por Luiz Felipe, em 03/02/2013 às 09:03

CHEGA de discursos (estórias), urge mudarmos o percurso.

Por José Antônio da Conceição, em 04/02/2013 às 19:36

@luisfelipe Não vou "comentar" o artigo de FHC aqui, estou redigindo a resposta! Infelizmente está ficando um texto tão grande, que ultrapassa (e muito) o tamanho de um comentário! Tem gente que vai "chiar" mas, nada posso fazer contra quem sabe só "chiar".

Por Luiz Felipe, em 03/02/2013 às 08:32

Como chamar o PT para uma grande consertação e concerto nacional, um novo pacto social, face ao mata-mata partidário-eleitoral que aí está e que já remonta décadas, com prazo de validade vencido há muito tempo, sem que vocês (ppsdemb-agregados e ptmdb-agregados) sejam capazes de sequer apresentar um Projeto Novo e Alternativo a tudo isso que aí está e que tb já remonta décadas como produto cumulativo de tudo o que vocês, entre outros, praticaram, ou não, na política-partidária-eleitoral , como propõe o HoMeM do Mapa da Mina do bem comum do povo brasileiro , um estranho nos ninhos continuistas da mesmice ?