Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 04/02/2013 às 21:12  

Pessoas e histórias

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Estória é palavra proposta para designar narrativa de ficção. Espero (ao redigir este post) que o jantar regado a um bom vinho como disse o Ricardo Froes não seja uma narrativa de ficção com o objetivo de encontrar uma forma de explicar para os ex-eleitores determinadas mudanças de opinião.

O “suposto” jantar teria acontecido entre Fernando Henrique Cardoso, José Serra como ‘intruso’, Roberto Schwarz e, também Grécia que apenas testemunhou os diálogos sem emitir opinião.

Já histórias são narrativas sobre fatos acontecidos que, quando relevantes passam a marcar uma época dentro dos livros, os mais importantes chegam a servir como ‘divisor de águas’ entre um período histórico e outro, os mais contundentes e decisivos chegam a dividir eras quando os historiadores do futuro chegam ao consenso de que assim deve ser.

No quarto parágrafo de seu artigo muito bem escrito, FHC responde a uma pergunta de um esquerdista praticamente ignorando que a pergunta tem outra maneira de ser interpretada: Ele diz que Roberto Schwarz perguntou: “quando vocês (em tese) eram socialistas, o que queriam e no que acreditavam?”. Isso também pode ser perguntado desta forma: “o que mudou, para que vocês, socialistas (em tese) não sejam mais? No que acreditavam e no que acreditam agora?”

Tudo bem, FHC respondeu que os conceitos mudaram, que as crenças mudaram, e que no momento atual prevalece o “aqui e agora” sem que exista muito tempo para elocubrar se o “aqui e agora” pertence à velha ideologia da esquerda ou se está ligado à (também velha) ideologia de direita. Não responde sequer se o “aqui e agora” está cheio de nuances de uma e de outra, de uma forma que dona Maria das Tranças ou o João Sementeiro entendam!

Não nos esqueçamos que FHC é acadêmico. Uma vez acadêmico, sempre acadêmico! Seus interlocutores são os acadêmicos, ponto final.

Será que foi notado que ao referir-se ao “pibinho” FHC não se referiu a uma linha sequer dos discursos que antecederam o “pibinho”? Juros altos! Folha de pagamento onerosa demais! Energia elétrica no Brasil tem os custos mais altos do mundo! Este era o discurso antes do “pibinho” não é mesmo?

Se, vocês são os “outros”? Esta é a pergunta final do artigo de FHC. Eu não sei… mas sei que vocês são os que falam muito e dizem muito pouco, pelo menos para o entendimento de dona Maria das Tranças e do João Sementeiro!

Fico pensando: como é que vocês pensam em conquistar os votos de ambos?

José Antônio da Conceição

Tags: Coronelismo, Partidarismo, Discurso político imutável, O poder pelo poder

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Post relacionado:  http://www.observadorpolitico.com.br/2013/02/pessoas-e-estorias/




12 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por José Antônio da Conceição, em 05/02/2013 às 11:23

Sobre etmologia on-line: Obi, encontra-se apenas textos esparsos quando se consulta a “etimologia da palavra tal” ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O Froes tem razão: A palavra estória é uma forma divergente de história, pois ambas têm origem no grego historía, -as (exame, informação, pesquisa, estudo, ciência) através do latim historía, -ae, tendo a forma estória entrado através do inglês story. O Dicionário Houaiss (brasileiro, mas também com uma edição portuguesa) informa-nos, na etimologia desta palavra, que estória foi uma forma "adaptada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção, segundo informa J.A. Carvalho no seu livro Discurso & Narração, Vitória, 1995, p. 9-11". Em Portugal, apenas alguns dicionários registram estória; no entanto, esta palavra é atualmente utilizada com muita frequência com o sentido de narrativa popular. Em relação a estas palavras, o Dicionário Aurélio (também brasileiro) faz mesmo uma recomendação: "[Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]". Em contextos em que o utilizador da língua queira evitar o uso de uma palavra polêmica, deverá utilizar sempre a forma história, pois em relação a esta não há qualquer controvérsia. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Que fique claro que este furdunço todo foi FHC que criou, ao escrever ‘estória’. Eu, apenas tentei 'interpretar' o que FHC tentou transmitir.

Por Obi Ser Vando, em 05/02/2013 às 10:42

Se alguém souber de um dicionário etimológico on-line em português... Por enquanto só o www.etymonline.com

Por Ricardo Froes, em 05/02/2013 às 10:11

Estória... Faz tempo que essa palavra me incomoda por ser absolutamente desnecessária, até porque ela é um sinônimo de história e não uma “palavra proposta para designar narrativa de ficção”, como diz você, JAB, que caiu na armadilha que é esse anglicismo. A mania de copiar besteiras importadas dá nisso: só confusão. Em inglês, criaram a palavra “story”, que significa uma narrativa fictícia ou não, para diferenciar de “history”, que quer dizer exatamente a mesma coisa, só que, atualmente, é mais usada para designar a ciência que estuda o passado. Detalhe: ambas derivam da mesma palavra grega “historía” que significa pesquisa, relato. Como os filólogos brasileiros não têm mais o que fazer e não podem ver defunto sem chorar, resolveram macaquear a língua inglesa, só que, como são verdadeiras antas, em vez de copiarem o que há de melhor - a lógica - copiam sempre o supérfluo, a título de “enriquecimento do idioma”.

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 10:33

@bobjaniak: Também não gosto (estória) desde que fui "apresentado" mas, mudando de pau pra Carvalho: "primeiro se criam, se copiam, depois às justificativas"; se colam ou não colam, geram "estórias e (Pasme!) fazem até História!

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 10:43

@argento: (a crase ou à crase, Sarney é descultura)

Por José Antônio da Conceição, em 05/02/2013 às 10:27

@bobjaniak Do Aulete: (es.tó.ri:a) sf. 1 Bras. Ver história (3) [A palavra foi proposta para designar narrativa de ficção, mas a forma preferencial é história.] [F.: Do ing. story.] (his.tó.ri:a) sf. 3 Narrativa de fatos reais ou fictícios; ESTÓRIA: A história de Capitu e Bentinho. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Confirma prá gente Froes: O tal jantar é uma obra de ficção inventada pela mente de FHC ou é fato real, acontecido de verdade e sem firulas prosaico-políticas?

Por Ricardo Froes, em 05/02/2013 às 10:57

@joseantonio400 Tanto faz, JAC. O artigo é irrelevante mesmo...

Por Ricardo Froes, em 05/02/2013 às 10:25

@bobjaniak Vide Monteiro Lobato que escreveu “História do mundo para as crianças” e “História das invenções”, mas também escreveu “Histórias de Tia Nastácia” e “Histórias diversas” (e não “estórias”), que são contos sem nenhum compromisso com a realidade.

Por José Antônio da Conceição, em 05/02/2013 às 09:24

Entendi Argento. Tanto aqui como acolá, ou vice-versa, políticos serão sempre políticos! Profissionais da política!

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 08:40

Pessoas e estórias, pessoais: Cartas de Londres: por que os londrinos não ligaram para Santa Maria? Como jornalista sempre desconfiei muito sobre o quanto notícias que se passaram em nosso país realmente repercutiam no exterior. “Deu no New York Times” ou “apareceu na BBC” nunca me pareceu o suficiente para saber se os gringos ligavam de verdade para alguma tragédia brasileira. Pois a morte de mais de 230 jovens em uma casa noturna de Santa Maria definitivamente me faz crer que não, eles não dão a mínima. É uma sensação bem pessoal, mas acho que conversei com britânicos o bastante nos últimos dias para afirmar sem medo de errar. Vivo em Londres há pouco mais de seis meses. No mestrado que frequento são quase todos britânicos na nossa classe de 50 pessoas. Eles já me perguntaram várias vezes sobre Copa do Mundo e sobre a segurança nas cidades-sede. Já me perguntaram sobre Lula e Dilma. Têm alguma curiosidade para falar sobre o estereótipo de Brasil ao qual têm acesso. Notícias do dia, nada. Embora a mídia londrina tenha tratado do assunto, inclusive dando bem mais opiniões do que fatos, nenhum colega ou conhecido daqui me perguntou sobre a tragédia. Nenhum. Os países que nunca tiveram relações intensas com o Império Britânico parecem despencar para o segundo plano da preocupação de quem é daqui. É basicamente uma questão cultural. Dois mortos no Egito são assunto entre os meus colegas. A ação francesa no Mali contra militantes supostamente ligados a Al Qaeda já atraiu grupos de debate na faculdade. O Brasil, mesmo com Copa do Mundo e Olimpíadas por virem, ainda não pegou. Azar deles. Maurício Savarese é mestrando em Jornalismo Interativo pela City University London. Foi repórter da agência Reuters e do site UOL. Freelancer da revista britânica FourFourTwo e autor do blog A Brazilian Operating in This Area ...

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 09:02

@argento: Fácil entender!: "Ministra francesa da Saúde e de Assuntos Sociais, condecorou FHC com a Medalha Palmas Acadêmicas"

Por roberto argento filho argento, em 05/02/2013 às 09:14

@argento (continua) No primeiro dia de volta ao escritório, o ilustríssimo primeiro-ministro canadense Stephen Harper passou o dia no Twitter narrando sua vida. Do café-da-manhã na companhia do gato Stanley aos encontros com ministros, Harper contou seu dia em detalhes para uma audiência restrita e desinteressada. Em resumo, o dia na vida do primeiro-ministro canadense se transformou num conto monótono e despolitizado. Pra quem um dia sonhava ser o chefe de Estado do Canadá, os tweets de Harper praticamente infantilizaram as decisões e cerimônias por ele vividas. A perspectiva cor-de-rosa de Harper desconstruiu a importância política do papel de primeiro-ministro e o impacto que o cargo assume na vida do cidadão canadense e no panorama político internacional. Políticos canadenses paulatinamente usam as mídias sociais como Twitter e Facebook para conquistar a confiança de suas zonas eleitorais e votos em futuras eleições, especialmente o voto jovem. No entanto, a cena política calma e tentativas sem sal como a do primeiro-ministro distanciam ainda mais o jovem eleitor canadense. Um estudo recente publicado pelo Samara – instituto de pesquisa focado na participação política e cidadania –, constatou que apenas 55% dos eleitores estão satisfeitos com o processo democrático canadense, o índice mais baixo de todos os tempos. O mesmo estudo indica que apenas 27% dos canadenses acham que políticos em Ottawa defendem os interesses dos cidadãos da melhor forma possível. Num ambiente em que virtualmente todos os parlamentares canadenses estão ao alcance do cidadão, o abismo entre o que afeta a vida do indivíduo e o que é discutido na House of Commons parece cada vez maior. Leis como a C-45 vêm só para intensificar o sentimento de impotência perante o que é decidido no parlamento. Quando questões cruciais envolvendo o meio-ambiente e imigração são aprovados às pressas sem consulta pública, o trabalhador comum se cala por aqui, baixa a cabeça e segue a vivendo. Um dia na vida do primeiro-ministro canadense deveria ser narrado de forma realista e enfática. Já que as mídias sociais nos permitem criar novas discussões e relacionamentos, por que não responder às perguntas indiscretas do cidadão? Por que não usar o espaço virtual para esclarecer a posição do Partido Conservador? Por que não explicar como cada dia na vida do primeiro-ministro impacta a vida de todo o país? E no Brasil, você se sente incluído(a) no processo democrático? Veronica Heringer é bacharel em Jornalismo pela PUC-Rio, mestre em Media Production pela Ryerson University e estrategista em marketing digital. Bloga noMadame Heringer.com