Opinião

Por , em 04/03/2013 às 23:16  

A privataria da saúde de Dilma

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O governo federal cria suas ações e programas guiado por apenas um mote: fazer algo que caia na boca do povo.

O povo acha que o SUS é coisa de pobre. Então o governo aceita isso e vai dar para o povo os Planos de Saúde Privados. Simples!

A real é que o governo federal está desistindo de tentar transformar o SUS em algo de qualidade e está dizendo para o cidadão que é melhor que ele gaste dinheiro com a saúde mesmo. Porque o SUS sempre vai ser o que é e pronto!

Estou falando isso pela notícia que foi veiculada na Folha dia 27/02/2013 afirmando que a União pretende dar isenções fiscais a grandes empresas de convênios médicos que oferecerem tarifas reduzidas à população das classes C e D. Algo em torno de R$ 90,00. Bom de imediato já lhes digo: não será serviço de qualidade, é impossível oferecer atendimento privado com essas tarifas.

Fora isso, eu que a cada dia rezo mais a cartilha do liberalismo econômico, nem acho as medidas de Dilma tão ruins assim, apenas creio que a oferta de serviços de saúde para população de baixa renda deve ser bem regulada. Despidas do vies marqueteiro, baixar impostos para empresas conseguirem oferecer serviços mais baratos é bom e Liberais não questionam. Agora que se dê o nome correto para o que Dilma pretende fazer: PRIVATIZAÇÃO!

Apesar da maior oferta de serviços de baixa complexidade a princípio, toda a teoria do SUS estaria então sendo jogada no lixo, toda aquela história de tratamento universal, integral numa rede hierarquizada estaria sendo colocada no segundo plano, toda a rede de serviços da menor para a maior complexidade ficaria desestruturada pois com grande parte da população migrando para os convênios as redes de serviços seriam fragmentadas, redundantes ou com falhas; a desarticulação dos serviços de convênios, assim como é hoje, mal regulada pela ANS, permaneceria e o governo e população jogaria toda culpa nas empresas.

Intelectuais da saúde pública mais desapegados já estão em polvorosa, algumas entidades defensoras do SUS já estão se manifestando, mas muito pouco barulho vai ser feito. A militância encabrestada da saúde pública, e olha que são muitos, irá aplaudir, pois é o que sabem fazer, não porque o governo está criando opções, mas é porque é o governo federal está apenas fazendo algo, e o que eles querem é apenas um governo para chamar de seu.

Veja, no link abaixo manifestações de um teórico da saúde pública, jornalista e entidade representativa sobre essa medida.

Planos de Saúde para os pobres

SORTE!

Leandro C S Gavinier

gavinier@gmail.com

@leandrogavinier

 




9 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por roberto argento filho argento, em 05/03/2013 às 16:47

Livre Iniciativa é ideal para Bens de Consumo - com Saúde, não se brinca!!!, inda mais quando se paga, caro, em Impostos.

Por Leandro C S Gavinier, em 05/03/2013 às 20:41

@argento pois é, mercado livre sim, mas na saúde regulação tem que estar presente...

Por roberto argento filho argento, em 05/03/2013 às 16:31

Não quero “bônus de cartão de crédito” para fazer “viagem-dos sonhos-que-Não-Sonhei”; quero Meu dinheiro no Meu bolso, pra torrar em cerveja ou cachaça ou maconha ou livros ou saúde ou viagem ou … pagar à prostituta da esquina para depois pagar o médico e o tratamento da gonorréia ou … - Quero ter Escolhas!!! - isto vale para os Planos de Saúde (se tivesse a grana no bolso ...) [ De uma necessidade nasceu uma "classe", a dos políticos; o corporativismo fisiológico a transformou em "sangue-sugas" - fenômeno sociológico?, antropológico? ] (vai faltar gente pra puxar a cordinha?) I Have a DREAM ...

Por augusto josé sá campello, em 05/03/2013 às 14:11

Boa tarde. Tudo muito bom. Tudo muito bem. O SUS foi pro brejo e ninguém notou. Afora alguns dos tais "centros de excelência" o que se conhece é a sucata de sempre. Pretenciosa e ineficaz. Planos privados de saúde não vão resolver a saúde de ninguém. O modêlo de negócio deles raramente passa pela resolução com eficiência. A não ser que você tenha um caminhão de grana para pagar. Só os demonizados 1% têm. Mas a questão não é apenas esta. Ela fica obscurecida pela ausência de foco , por exemplo, nas cadeias de produção envolvidas. Muito bem, incentive-se a ponta prestadora de serviço. Mas, sem o resto das cadeias de produção, você está premiando a ineficiência. Vamos olhar um pouco para os lados? É mais simples que obter a perspectiva de todas as cadeias de produção. E o que está acontecendo ao lado? IMPORTAÇÃO de MÉDICOS. Só isso? De modo algum. Um dos remédios que tenho de tomar para viver, alvíssaras, tem agora um genérico. Importado da ÍNDIA. Vamos resolver tudo com tecnologia? Vamos. Vamos fabricar tomógrafos aqui. Beleza. Ora, me poupem. Um tomógrafo é algo como um elefante. Custa muito caro, tem manutenção também cara. E quem vai importar o que for feito aqui com o prêço FOB que temos? Ajscampello

Por Sergio Zamprogno, em 05/03/2013 às 15:13

@ajcampello Os planos de saúde em geral são a pior coisa que ja foi criada para a nossa saúde. Eles afastam o cliente do fornecedor e eliminam competição entre os fornecedores de serviços de saúde. Funcionam como um intermediário desnecessário. Se esse sistema continuar a se expandir, as coisas irão explodir como está acontecendo em outros paises mais adiantados. O problema é que esses seguros de saúde são mais válidos para situações catastróficas, do mesmo jeito que no seguro de uma casa, não os utilizamos para concertar uma torneira. No entanto, na prática todos esperamos que os problemas mais simples sejam resolvidos pelo nosso seguro saúde e ai a coisa perde o sentido.

Por roberto argento filho argento, em 05/03/2013 às 16:26

@szamp: Memória de velho é uma mmerda mesmo - esqueci-me de quem começou com esse papo de privatizar a saúde e propor Planos de Saúde.

Por Sergio Zamprogno, em 05/03/2013 às 12:33

Eu entendo que seja um instinto achar que o governo deva oferecer saúde da melhor qualidade mas isso infelizmente não é possivel pois custa muito caro e o governo nunca irá operar de maneira eficiente o suficiente para ter como oferecer isso. A principal razão é que não existe consequências se algo não funcionar. Não existe a mesma motivação quando comparamos com o setor privado. Se o setor privado não oferecer um serviço de qualidade, acaba quebrando, todo mundo perde o emprego e ainda irão sofrer varios processos e nada disso acontece se o governo não oferecer um serviço de qualidade. Outro ponto é que é muito mais eficiente o governo deixar de recolher dinheiro de uma instituição que oferece um serviço de qualidade para a população, ou em outras palavras, oferecer um incentivo fiscal, ao invés de recolher impostos desse provedor de serviços, tirar uma parcela, dar parte do dinheiro de volta para o consumidor, que então paga o provedor do serviço. A última coisa que desejo a qualquer um é que tenha que depender dos mesmos corruptos e inificientes dos quais reclamamos todos os dias para a obter serviços de saude.

Por erikssom patos, em 05/03/2013 às 10:40

Interessante essa sua observação, e carece de observar mais em que esse processo vai entrar. De uma coisa pode se ter certeza, o governo não tem habilidade para administrar nenhuma atividade econômica, mesmo essa da saúde que é classificada como sendo um serviço essencial. Quanto aos recursos que o governo disponibiliza para essa área são oriundos de alocações de outros setores da sociedade via impostos, o que resta saber é se o governo vai ter a habilidade o suficiente para criar um mecanismo que premie os bons profissionais que melhor atendem os usuários de serviços de saúde, nisso eu tenho duvidas. A ideia da oferta de um plano de saúde não é ruim, só depende dos mecanismos adotados para tanto.

Por roberto argento filho argento, em 05/03/2013 às 16:44

@patos: Livre Iniciativa é ideal para Bens de Consumo - com Saúde, não se brinca!!!, inda mais quando se paga, em Impostos.