Opinião

Por , em 25/03/2013 às 00:46  

As Causas do Niilismo das Gerações 80/90: Somos os Culpados?

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Uma das críticas mais habituais feitas pelos mais velhos em relação aos jovens nascidos nos anos 80 e 90, é a de que nós seríamos niilistas, sem engajamento político, preocupados apenas com a nossa própria satisfação, em uma espiral de hedonismo constante. As notícias que vemos nos meios de comunicação, de jovens de 15 a 30 anos sempre participando de festas regadas a muito álcool (especialmente em ambientes universitários), dão a falsa impressão de que: a) não era assim que se comportavam as gerações anteriores à nossa, aquelas nascidas nos anos 70, 60, 50, etc; b) não há qualquer atividade inteligente existente no cotidiano destas duas gerações mais novas.

Ambas as conclusões são falsas. Primeiro, porque se analisarmos sob uma ótica de proporcionalidade, há hoje os mesmos percentuais de jovens que não bebiam, nem fumavam, e que desde cedo já se dedicavam firmemente aos estudos ou ao trabalho, que havia nas gerações anteriores. A única diferença é que somos mais numerosos agora – o Brasil não tem mais “90 milhões em ação”, mas 200 milhões. Segundo, que a expansão dos meios de comunicação faz chegar mais rápido a informação de que houve um grupo de jovens envolvido em um acidente por dirigirem embriagados, voltando de uma festa, ou mesmo a notícia de um trote violento em uma universidade, quando tudo isso acontecia na época de nossos pais – só os meus, por exemplo, têm 2 amigos que ficaram paralíticos por estripulias cometidas sob efeito da embriaguez etílica, e tantos outros que se viciaram em ácido e maconha (na época em que a maconha era da “pura”, que viciava mesmo, não esse café diluído com areia que é hoje).

Mas em um ponto os críticos das gerações 80/90 estão corretos: somos niilistas. Perdemos a fé nas estruturas tradicionais de poder e de representatividade política. E será que estamos errados por isso? Será que sequer somos responsáveis por isso?

Nossos avós apoiaram uma ditadura militar que expulsou do Brasil grandes brasileiros que poderiam ter ajudado a construir um país melhor nos anos 60 e 70, dentre eles Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, ou jogou no ostracismo brasileiros como Roberto Campos, Miguel Reale, etc. A geração dos nascidos nos anos 10, 20 e 30 apoiaram um regime castrador de talentos individuais, que nos legou uma herança de segregacionismo profundo de classes (lembram quando surgiram as favelas urbanas?), exclusão social, inflação, endividamento público, tudo isso para construir meia dúzia de estradas e usinas que enriqueceram muitos civis corruptos (com os quais os militares eram coniventes).

Nossos pais não ficam atrás. Nascidos nos anos 40, 50, 60, eles viram surgir a hipertrofia galopante das nossas cidades, com suas favelas e sua exclusão social, e ficaram calados. Nos confinaram em playgrounds, colégios particulares, condomínios gradeados, nos privaram da infância ao ar livre das ruas à qual eles tiveram direito – e nós não! Trataram com normalidade o anormal, e agora reclamam porque somos individualistas. Por que? Porque aprendemos através deles que é melhor ter o nosso carro particular e morar em um condomínio fechado, do que lutar por um metrô ou uma polícia de qualidade.

A nossa geração cresceu aprendendo que, se saísse dos muros do colégio, teria 10, 15 “pivetes” (como chamamos os trombadinhas de rua na Bahia) nos esperando lá fora, para roubar os tênis de marca norte-americana e os relógios da moda que nossos pais compravam, enquanto a inflação por eles tolerada fazia com que os operários e empregadas domésticas pais desses pivetes não tivessem sequer o dinheiro do pão ou do leite (cujos preços subiam a cada semana).

A nossa geração, esta nascida nos anos 80 e 90, cresceu encantada pelo canto da sereia dos partidos marxistas de esquerda, até descobrir que a tal “revolução social” era apenas a cenoura do burro, com a qual o PT e seus aliados iludiam os jovens incautos, para depois se imiscuírem – eles, os revolucionários de outrora -, em “tenebrosas transações” nos círculos de poder, com a mesma direita fisiológica e apodrecida de sempre.

Como poderíamos não ser niilistas? Como poderíamos não ser céticos? Como poderíamos não ser individualistas?

Vocês, das gerações 10, 20, 30, 40, 50 e 60, nos legaram esta herança moral! Vocês nos treinaram para sermos assim, isolados em nossos mundinhos elitistas! Agora vêm com o seu conservadorismo de boutique querer que abramos mão da única coisa boa que a nossa geração tem – a desconfiança quanto às estruturas tradicionais e corruptas de poder, e nosso apego indelével às nossas liberdades individuais – para confiarmos mais uma vez a vocês a solução para os problemas que vocês mesmos criaram para nós?

Não! Dizemos não!

Não precisamos abrir mão das nossas liberdades individuais para que possamos construir soluções coletivas de bem-estar! É possível, com paciência, criatividade, diálogo e trabalho duro, sem leniência com a incompetência habitual e vigente dos agentes estatais, construirmos soluções de melhoria para o convívio social, sem abrirmos mão de uma gota sequer do nosso livre arbítrio.

Vocês irão – assim espero, pois falo por mim e por meia dúzia de amigos mais próximos – se surpreender com o que a nossa geração, estes meninos amarelos criados com “danoninho” e leite em pó, nos playgrounds onde vocês nos cercaram e engordaram, iremos fazer. Nosso niilismo vai nos deixar mais esperançosos de que novas soluções são possíveis, alternativas à mesmice que vocês pretendem nos empurrar goelas abaixo. Nosso individualismo vai redefinir os limites de atuação do Estado, para que nenhuma liberdade seja mitigada sem uma justificativa muito bem embasada, e sem uma prévia melhoria na qualidade dos serviços públicos prestados (nada de “voto de confiança”, seus rufiões da liberdade alheia!). Nosso ceticismo vai desconstruir esse discurso demagogo da política atual, e introduzir nas ciências humanas o cartesianismo necessário para distinguir falácias de projetos políticos reais.

Ou não.

Ou pode ser que o playground, os muros da escola particular e as grades do condomínio tenham estragado de vez a minha geração. Mas que fique bem claro, desde já, e por toda a História: não fomos os culpados. Obrigado por nada, gerações anteriores!

Victor C. F. de Sousa, março de 2013, Salvador/BA.




15 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por roberto argento filho argento, em 26/03/2013 às 01:11

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 00:46 / 14 opiniões. As Causas do Niilismo das Gerações 80/90: Somos os Culpados? TAMANHO DA FONTE: A-A+ Uma das críticas mais habituais feitas pelos mais velhos em relação aos jovens nascidos nos anos 80 e 90, é a de que nós seríamos niilistas, sem engajamento político, preocupados apenas com a nossa própria satisfação, em uma espiral de hedonismo constante. As notícias que vemos nos meios de comunicação, de jovens de 15 a 30 anos sempre participando de festas regadas a muito álcool (especialmente em ambientes universitários), dão a falsa impressão de que: a) não era assim que se comportavam as gerações anteriores à nossa, aquelas nascidas nos anos 70, 60, 50, etc; b) não há qualquer atividade inteligente existente no cotidiano destas duas gerações mais novas. Ambas as conclusões são falsas. Primeiro, porque se analisarmos sob uma ótica de proporcionalidade, há hoje os mesmos percentuais de jovens que não bebiam, nem fumavam, e que desde cedo já se dedicavam firmemente aos estudos ou ao trabalho, que havia nas gerações anteriores. A única diferença é que somos mais numerosos agora – o Brasil não tem mais “90 milhões em ação”, mas 200 milhões. Segundo, que a expansão dos meios de comunicação faz chegar mais rápido a informação de que houve um grupo de jovens envolvido em um acidente por dirigirem embriagados, voltando de uma festa, ou mesmo a notícia de um trote violento em uma universidade, quando tudo isso acontecia na época de nossos pais – só os meus, por exemplo, têm 2 amigos que ficaram paralíticos por estripulias cometidas sob efeito da embriaguez etílica, e tantos outros que se viciaram em ácido e maconha (na época em que a maconha era da “pura”, que viciava mesmo, não esse café diluído com areia que é hoje). Mas em um ponto os críticos das gerações 80/90 estão corretos: somos niilistas. Perdemos a fé nas estruturas tradicionais de poder e de representatividade política. E será que estamos errados por isso? Será que sequer somos responsáveis por isso? Nossos avós apoiaram uma ditadura militar que expulsou do Brasil grandes brasileiros que poderiam ter ajudado a construir um país melhor nos anos 60 e 70, dentre eles Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, ou jogou no ostracismo brasileiros como Roberto Campos, Miguel Reale, etc. A geração dos nascidos nos anos 10, 20 e 30 apoiaram um regime castrador de talentos individuais, que nos legou uma herança de segregacionismo profundo de classes (lembram quando surgiram as favelas urbanas?), exclusão social, inflação, endividamento público, tudo isso para construir meia dúzia de estradas e usinas que enriqueceram muitos civis corruptos (com os quais os militares eram coniventes). Nossos pais não ficam atrás. Nascidos nos anos 40, 50, 60, eles viram surgir a hipertrofia galopante das nossas cidades, com suas favelas e sua exclusão social, e ficaram calados. Nos confinaram em playgrounds, colégios particulares, condomínios gradeados, nos privaram da infância ao ar livre das ruas à qual eles tiveram direito – e nós não! Trataram com normalidade o anormal, e agora reclamam porque somos individualistas. Por que? Porque aprendemos através deles que é melhor ter o nosso carro particular e morar em um condomínio fechado, do que lutar por um metrô ou uma polícia de qualidade. A nossa geração cresceu aprendendo que, se saísse dos muros do colégio, teria 10, 15 “pivetes” (como chamamos os trombadinhas de rua na Bahia) nos esperando lá fora, para roubar os tênis de marca norte-americana e os relógios da moda que nossos pais compravam, enquanto a inflação por eles tolerada fazia com que os operários e empregadas domésticas pais desses pivetes não tivessem sequer o dinheiro do pão ou do leite (cujos preços subiam a cada semana). A nossa geração, esta nascida nos anos 80 e 90, cresceu encantada pelo canto da sereia dos partidos marxistas de esquerda, até descobrir que a tal “revolução social” era apenas a cenoura do burro, com a qual o PT e seus aliados iludiam os jovens incautos, para depois se imiscuírem – eles, os revolucionários de outrora -, em “tenebrosas transações” nos círculos de poder, com a mesma direita fisiológica e apodrecida de sempre. Como poderíamos não ser niilistas? Como poderíamos não ser céticos? Como poderíamos não ser individualistas? Vocês, das gerações 10, 20, 30, 40, 50 e 60, nos legaram esta herança moral! Vocês nos treinaram para sermos assim, isolados em nossos mundinhos elitistas! Agora vêm com o seu conservadorismo de boutique querer que abramos mão da única coisa boa que a nossa geração tem – a desconfiança quanto às estruturas tradicionais e corruptas de poder, e nosso apego indelével às nossas liberdades individuais – para confiarmos mais uma vez a vocês a solução para os problemas que vocês mesmos criaram para nós? Não! Dizemos não! Não precisamos abrir mão das nossas liberdades individuais para que possamos construir soluções coletivas de bem-estar! É possível, com paciência, criatividade, diálogo e trabalho duro, sem leniência com a incompetência habitual e vigente dos agentes estatais, construirmos soluções de melhoria para o convívio social, sem abrirmos mão de uma gota sequer do nosso livre arbítrio. Vocês irão – assim espero, pois falo por mim e por meia dúzia de amigos mais próximos – se surpreender com o que a nossa geração, estes meninos amarelos criados com “danoninho” e leite em pó, nos playgrounds onde vocês nos cercaram e engordaram, iremos fazer. Nosso niilismo vai nos deixar mais esperançosos de que novas soluções são possíveis, alternativas à mesmice que vocês pretendem nos empurrar goelas abaixo. Nosso individualismo vai redefinir os limites de atuação do Estado, para que nenhuma liberdade seja mitigada sem uma justificativa muito bem embasada, e sem uma prévia melhoria na qualidade dos serviços públicos prestados (nada de “voto de confiança”, seus rufiões da liberdade alheia!). Nosso ceticismo vai desconstruir esse discurso demagogo da política atual, e introduzir nas ciências humanas o cartesianismo necessário para distinguir falácias de projetos políticos reais. Ou não. Ou pode ser que o playground, os muros da escola particular e as grades do condomínio tenham estragado de vez a minha geração. Mas que fique bem claro, desde já, e por toda a História: não fomos os culpados. Obrigado por nada, gerações anteriores! Victor C. F. de Sousa, março de 2013, Salvador/BA. (copiada para que não se perca)

Por Ricardo Froes, em 25/03/2013 às 09:41

“Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha” (Flor da Idade, de Chico Buarque) Não soa nada estranho que alguém atribua as culpas de suas próprias mazelas às gerações que o antecederam. Aqui no Brasil temos esse hábito, e seu maior exemplo é o Lula, que até hoje fala da “herança maldita” de FHC, que por sua vez se queixava da ditadura, que se queixou de Jango, que reclamava de Juscelino... Até chegarmos à “culpa primordial” dos portugueses que, por sua vez também culpavam os índios, que não queriam nada com o trabalho. O que eu não entendi é a gravidade que está sendo atribuída a uma fase que é comum a todas as gerações. Não há mal nenhum em ser niilista enquanto não se tem grandes responsabilidades com trabalho, família, etc.. É óbvio que eu não incluo os grandes exageros - até beber água demais faz mal - e muito menos os que estendem essa “fase” por mais tempo que o tolerável - exceções que confirmam a regra. Os efeitos dos compromissos com a seriedade quando não se tem amadurecimento para tal são muito piores que os da liberdade niilista na hora certa. PS: A maconha das antigas era, sim, bem mais forte que a que se fuma hoje, cheia de bosta seca de vaca ou, segundo o Victor, "café diluído com areia"(?)...

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 11:14

@bobjaniak Ricardo, que fique claro que o que estou dizendo não é que a minha geração (e a seguinte, dos nascidos em 90) seja ruim. Pelo contrário. Estou dizendo que não é. Quem diz que "os jovens de hoje não têm compromisso com nada" são os mais velhos. Estou apenas os desmentindo. Contudo, o niilismo existe. Hoje há menos jovens se dizendo "comunista" ou "capitalista", como há 30, 40 anos (sei lá, baseio meu relato tão somente em cenas de "Anos Rebeldes" - ironia), Mas será que isso é necessariamente ruim? Será que isso denota "falta de compromisso com o coletivo", ou "individualismo", como nos atribuem os mais velhos? Creio que não. Pelo contrário. Acho que, pela decepção terrível com as instâncias tradicionais de poder e de representação política, minha geração é mais cética, e por isso, menos ingênua que as anteriores. Não daremos ouvidos a qualquer demagogo pedindo para abrirmos mão das nossas liberdades individuais em nome do Estado (pelo menos não quando tivermos mais maturidade, já que com 18, 19 anos, todo mundo faz merda anyway).

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 21:53

@victorcfs Até agora só a identificação por parte de alguns outros desta geração que se sentiram representados pelo texto.

Por roberto argento filho argento, em 25/03/2013 às 15:52

@victorcfs: . . . algum resultado positivo?

Por Luiz Felipe, em 25/03/2013 às 07:47

A nosso ver, face até ao texto do Victor/Salvador/BA, a oportunidade, o trabalho e o dever de construir de fato um mundo melhor, ou consertar essa balbúrdia que aí está e sempre esteve, é uma grande tarefa, ou abacaxi, que, de fato, ainda está nas mãos, no lombo e sob a batuta e responsabilidade das gerações citadas, a saber: 50, 60, com a ajuda imprescindível de todas as demais gerações, num ambiente de consciência plena e solidariedade plena, entre irmãos mais novos e menos novos, sem ódio, sem rancor, sem vingança, sem inveja, sem rivalidades tolas, sem vaidades e ambições pessoais desnecessárias, em clima de paz, amor, perdão, conciliação, união e mobilização em torno da Mega-Solução para todos, que é o que mais nos interessa, como nos propõe o PNBC e a Meritocracia Eleitoral, porque, na política luso-tupiniquim, o resto é ruim à beça.

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 21:58

@luisfelipe Quando eu tinha 17 para 18 anos, também me empolguei com o meu próprio projeto de reestruturação institucional do Brasil, nomeei de "sofiocracia", um Estado tripartite governado/gerido por militares, universitários e clérigos em uma relação de igualdade na gestão da coisa pública. Depois, anos mais tarde, vi que esse era exatamente o projeto da Ação Integralista Brasileira, com a diferença que a AIB incluía operários e empresários em uma divisão pentagonal. Então percebi que engenharias institucionais existem muitas possíveis. Mas nenhuma garante a democracia mais plena (aquela em que direitos individuais são inalienáveis) melhor do que a velha e cansada democracia representativa - aquela que apanha, apanha, mas ainda é a que menos mata pessoas inocentes.

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 21:55

@luisfelipe Você acredita mesmo nisso, né, Felipe?

Por milton valdameri, em 25/03/2013 às 03:57

Eu não vejo as gerações 80 e 90 como nihilistas, no entanto você reclamou um monte por considerarem sua geração nihilista, mas no final se assumiu como nihilista, ficou contraditório. Sempre haverá diferenças entre gerações, mas as diferênças não são motivos para conflitos entre gerações, o conflito entre gerações foi inventado há muito tempo, mas infelizmente parece que ainda não saiu de moda. Apenas como informação: a maconha de antigamente era mais fraca que a atual, nos anos 70 começou um "melhoramento genético" nas plantações de maconha e hoje ela tem 20 vezes o teor de THC que tinha nos anos 60.

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 21:51

@miltonv Milton, acho que é mais ou menos nesse conceito: http://pt.wikipedia.org/wiki/Niilismo A minha geração está engajada em abrir os nossos caminhos profissionais, neste país em que somos obrigados a ganhar mais do que ganhavam nossos pais, sob pena de sermos empurrados para o abismo de exclusão social que as gerações anteriores construíram. Precisamos primeiro sobreviver financeiramente, para depois pensarmos no coletivo. Quanto aos valores, rejeitamos os valores hipócritas, velhos, para tentarmos construir novos - e nesse processo, há os equívocos inevitáveis, como as centenas de jovens que colocaram o nome "Kaiowá" no Facebook, ou apoiaram a Marina Silva em 2010, apenas para se apegarem a conceitos vagos e proto-autoritários como "ecossocialismo", por exemplo.

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 08:05

@miltonv Milton, a minha geração é niilista. E isso é algo bom. O que não é verdade é que as gerações anteriores fossem mais "engajadas" ou "responsáveis". Eram mais ingênuas talvez.

Por milton valdameri, em 25/03/2013 às 13:09

@victorcfs Eu não considero sua geração nihilista, mas se você assume que é nihilista e considera sua geração nihilista, então não tem por que reclamar dos outros que pensam igual a você. É a primeira vez que eu vejo alguém reclamar daqueles que concordam com a própria opinião. Mas se você considera sua geração nihilista, então você considera que as outras gerações foram mais engajadas e mais responsáveis, pois no nihilismo não há qualquer forma de engajamento ou de responsabilidade. Caso eu esteja enganado sobre o nihilismo, então por favor, cite os engajamentos e as responsabilidades que os nihilistas assumem.

Por roberto argento filho argento, em 25/03/2013 às 02:52

Victor, victor!!! - eu mesmo disse exatamente isto a meu pai, a amigos do meu pai, e a muitos outros, sem ligações com meu pai, mas com a mesma faixa etária. Tenho certeza que muitos outros, da mesma idade que eu, manifestaram a mesma indignação ... e não conseguimos Consertar o Mundo. [ As carências mais básicas do ser humano são alimento e abrigo (sobrevivência), tudo o mais é consequência - da exploração destas "carências" vive a política . . . ].

Por Victor Castro, em 25/03/2013 às 08:07

@argento A carência mais básica do ser humano é justiça, Argento. Precisamos de um Estado que faça o básico - mediar conflitos intersubjetivos com eficiência -, antes de querer brincar de Robin Hood.

Por roberto argento filho argento, em 25/03/2013 às 03:25

@argento: Desigualdade!: até a Droga do Pobre É mais Malhada!