Cultura

Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 28/03/2013 às 21:27  

O aborto ilegal e a ilegalidade das drogas

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Texto escrito para a FSP, não publicado, e que considerei relevante, como reflexão.

“Oportunos o editorial, “Aborto sem crime”, Opinião, e a coluna do Drauzio Varella, “Combate às drogas”, Ilustrada, 23/03/2013. Vivemos num mundo onde a imensa maioria das pessoas não se satisfaz em ter opiniões próprias; desejam ardentemente força-las por sobre os outros, como se fossem donos de uma verdade mística e trancendental, que traria a luz e a paz aos povos. Infelizmente, todos, de alguma forma e em alguma extensão, também tem verdades próprias e diferentes umas das outras, de tal modo que o único caminho para a convivência civilizada é o caminho do respeito pela diferença, e o caminho do respeito às liberdades individuais. Lembre-se: o que é bom para você pode não ser adequado para o sujeito do seu lado, então, deixe-o seguir o seu caminho. Isto vale para tudo, desde o aborto ao uso de drogas, que seriam melhor abordados com educação de qualidade e acesso ilimitado à cidadania, objetivos ainda distantes de ser atingidos.”(Ao menos no nosso país.)

Sou pela vida, com se diz, e não gosto de drogas e do que elas são capazes de fazer, mas cabe à mulher escolher se quer ou não manter uma gravidez não planejada ou mesmo indesejada, do mesmo modo que cabe a cada um, saber escolher entre o prazer fugaz e as consequências permanentes ou de longo prazo das drogas. Tenho visto o que o descaso, juntamente com as escolhas fáceis e midiáticas, produzem nestes dois aspectos da vida contemporânea: jovens mulheres mortas em procedimentos mal realizados e em condições precárias, e os zumbis do crack, nas calçadas das cidades.

As consequências do aborto ilegal e da ilegalidade das drogas são tão avassaladoras que merecem uma reflexão mais profunda. Ao que parece, como em outras questões, espinhosas, nossos legisladores procuram agradar uma platéia desinformada e por vezes preconceituosa e arrogante. Repito: atenção, o que é bom para você pode não ser adequado para o sujeito do seu lado.




14 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por katia usier, em 24/04/2013 às 13:11

Drogas nunca será boa nem para mim nem para os do meu lado...

Por Victor Castro, em 08/04/2013 às 19:18

http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/direitos-humanos/forum/topic/os-limites-da-jurisdicao-estatal-aborto-e-lei-seca/

Por fernando f., em 29/03/2013 às 19:47

ecelente texto, pena que as pessoas não querem ouvir certas verdades.

Por Claudemir Santos, em 29/03/2013 às 00:56

Entendo o q foi colocado na premissa,porém na minha concepção o estado deveria participar mais dessa discussão.A propria igreja,seja ela qual for também deveria tratar mais as familias a exemplo do q acontece com o AA. A grande verdade é q não estamos sabendo educar nossos jovens,a propria televisão brasileira parece q esta no século passado em relação a tvs do mundo ocidental. Cara,eu vejo seriados americanos e vejo debates importantissimos sobre todo tipo de coisa,principalmente sobre drogas,ou sobre aborto. Vejo situações verossimeis q servem de exemplos para vários jovens e não vejo isso na tv brasileira. Parece q eles estaõ a anos luz a nossa frente. Em relação ao aborto eu acredito q deveria ser uma politica de estado. Ou seja,mulher tem mais de 3 filhos,se não tiver condições financeiras para tratar,tem q fazer ligadura de trompas. Homem com mais de 3 filhos q nao dá pensnão ou q não tem condiiçoes financeiras para tal teria q ser obrigado a fazer vasectomia. O estado tb deveria cuidar melhor das fronteiras desse país,porque nao adianta conscientizar o povo a não ter mais tantos filhos e ao mesmo tempo liberar as fronteiras. para os hermanos "sudakas" e para os haitianos. Ae vira baderna. Em relação as drogas,concordo com a proibição,e faço um adendo...alcool tb deveria ser proibido. Ou seja,não se pode criticar as drogas ilicitas e liberar o alcool a "la vonte". Isso se chama hipocrisia.

Por milton valdameri, em 28/03/2013 às 21:56

"Infelizmente, todos, de alguma forma e em alguma extensão, também tem verdades próprias e diferentes umas das outras...". Está frase mostra que o autor do texto não tem qualquer noção do que é a verdade, pois NINGUÉM possui verdades próprias, a verdade não é algo que pode ser possuida. O autor também mostra que ignora completamente a existência da sociedade, portanto deveria guardar seus textos para seu prórprio deleite, sem encher o saco da sociedade com eles. Se as consequências do aborto ilegal são avassaladoras, então as pessoas não devem praticá-lo, se praticam é dentro de suas "próprias verdades", como argumentou o autor do texto, o mesmo acontecendo em relação às drogas. Se alguém deseja se tornar um zumbi do crack a sociedade não é obrigada a aceitar que ele perambule pelas calçadas das cidades.

Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 28/03/2013 às 23:22

@miltonv Olá, agora percebo a nuança; talvez tenha me expressado mal. Quando falo das verdades de cada um, quero dizer com isso as crenças e valores de cada um, o que é totalmente diferente da "verdade" ou da "verdade absoluta", conceitos abstratos e de difícil apreensão. De qualquer modo, o que me preocupa é o mundo real e a dualidade que se estabelece entre as vítimas e os algozes, quaisquer. Neste universo, o crack ceifa a vida do garoto do mesmo modo que a clínica clandestina ceifa a vida da menina assustada. Eu não sei qual é a resposta certa para estas questões, mas percebo que o que se faz atualmente não é o bastante. Desculpe-me novamente. Atenciosamente.

Por milton valdameri, em 29/03/2013 às 00:23

@gaja Caro Gustavo, não há motivo para se desculpar, onde há debate há o risco de mal entendidos por ambas as partes. É gratificante quando os debatedores conseguem um entendimento, mesmo que não resulte em um concordar com o outro. Já foram iniciadas muitas discussões sobre o aborto aqui no OP, mas é um tema onde discutir nunca é demais. Que tal você iniciar uma discussão especificamente sobre o aborto, apresentando seu argumentos a favor da legalização?

Por José Antônio da Conceição, em 28/03/2013 às 22:36

Fique tranquilo Gustavo! Existe uma disputa entre Milton Valdamenri e Ricardo Froes aqui nesta rede social. Estão disputando olho por olho, dente por dente, qual dos dois consegue ser mais anti-social e deseducado utilizando como meio da disputa os ataques gratuitos aos outros Observadores, negando a democracia e praticando uma espécie de Nazi-Fascismo ditatorial e muito agressivo.

Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 28/03/2013 às 22:21

@miltonv "Considero a democracia e o amplo debate das ideias o melhor caminho para superar as dificuldades da humanidade. "Democracia é quando todos são respeitados como indivíduos e ninguém é idolatrado (Albert Einstein)"." Estas são as palavras com as quais você se apresenta.

Por milton valdameri, em 28/03/2013 às 22:59

@gaja Se "todos tem verdades próprias", então não há como haver debate e ninguém poderá ser respeitado como indivíduo, pois a própria verdade não estará sendo respeitada, a verdade será tratada como propriedade e não como fato.

Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 28/03/2013 às 22:12

@miltonv Olá, desculpe-me se lhe "enchi o saco". Não era a minha intenção, apenas achei os temas relevantes para o debate, uma vez que o que está posto e oficializado parece resultar em mais mal do que na melhoria da sociedade. Os números estão aí para nos assombrar. De qualquer forma, obrigado por comentar.

Por milton valdameri, em 28/03/2013 às 22:57

@gaja Caro Gustavo, quando digo que "O autor também mostra que ignora completamente a existência da sociedade, portanto deveria guardar seus textos para seu prórprio deleite, sem encher o saco da sociedade com eles", faço de forma retórica, portanto trata-se de debater o texto e não de agredir o autor. Minha argumentação é baseada na questão do "todos tem verdades próprias", o que faz com o texto em si seja uma inutilidade e debatê-lo seria completamente sem setido. Se "todos tem verdades próprias", todo e qualquer texto ou debate servem apenas para "encher o saco", nada mais que isso.

Por José Antônio da Conceição, em 28/03/2013 às 21:42

Olá amigo Gustavo! "Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a essência." "Segundo Aristóteles também, existem dois tipos de virtudes: as virtudes do Pensamento e as do Caráter. Das primeiras, Dianoéticas, porque se ensinam pela instrução, fazem parte a Sophia (saber) e a Phronesis (sabedoria). Estas virtudes são também conhecidas como competências intelectuais e incluem o conhecimento científico relevante; aptidões técnicas e experiência adequadas; a inteligência; a capacidade de discernimento e bom senso prático. Por outro lado, as virtudes do Caráter são as virtudes éticas ou competências morais, ou seja, desenvolvem-se através do hábito, da educação e da prática. Entre elas encontram-se a honestidade, a moderação, a coragem, a justiça, o amor, a fidelidade, o humor…" No mundo Globalizado e dominado pela mídia que arvorou-se em única "formadora de opinião" fica muito difícil entender que as escolhas, mesmo quando diametralmente opostas devem ser respeitadas. Melhor seria se o Estado mantivesse a liberdade de escolha, mas possibilitasse o aborto em melhores condições, dentro de hospitais sérios e aos cuidados de equipes competentes e; possibilitasse o uso da droga escolhida sem que com isso estivesse financiando verdadeiros exércitos ilegais e contribuindo para o crescimento da indústria do crime organizado.

Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 28/03/2013 às 22:14

@joseantonio400 Boa noite JA, é sempre bom ler as suas palavras.