Cultura

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 12:44  

Viva Paulo Freire (II)

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Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.
As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:
“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)
“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)
“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)
“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It’s All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)
“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)
“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)
Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.
Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.
(Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 19 de abril de 2012)

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Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 12:10

Paulo Freire escrevia maravilhosamente bem! Não foi difícil encontrar NAS PALAVRAS DELE, uma resposta para este post que ao mesmo tempo explica os sentimentos que moveram o autor do post nesta pesquisa que fêz.
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Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mesmos, professores e professoras, a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente.

Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham emformação para exerce-la. Este pequeno livro se encontra cortado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da necessária eticidade que conota expressivamente a natureza da pratica educativa, enquanto prática formadora.

Educadores e educandos não podemos, na verdade, escapar à rigorosidade ética. Mas, é preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor, restrita, do mercado, que se curva obediente aos interesses do lucro. Em nível internacional começa a aparecer uma tendência em acertar os reflexos cruciais da “nova ordem mundial”, como naturais e inevitáveis.

Num encontro internacional de ONGs, um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa freqüência em países do Primeiro Mundo a idéia de que crianças do Terceiro Mundo, acometidas por doenças como diarréia aguda, não deveriam ser salvas, pois tal recurso só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento.

Não falo, obviamente, desta ética. Falo, pelo contrário, da ética universal do ser humano. Da ética que condena o cinismo do discurso citado acima, que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentirosamente, falar mal dos outros pelo gosto de falar mal.

A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe.

Paulo Freire
IN Pedagogia da Autonomia
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Por milton valdameri, em 11/03/2013 às 12:28

@joseantonio400
Obrigado por mais uma colaboração! Este texto mostra o Paulo Freire não passa um analfabeto funcional, que jamais seria capaz de alfabetizar alguém. No texto ele se propõe a SUBLINHAR a responsabilidade ética do professores, no entanto não citou nenhuma. Para piorar falou em “ética maior” e “ética menor”, provalmente por ter esquecido da “ética mediana”, já que ele não fazia a menor ideia do que é ética e procurava atribuir tamanhos para algo que não possui dimensões. O cara era realmente uma ABERRAÇÃO.

 

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 12:32

@miltonv Se, sua altissima e exagerada inteligência e seu apurado senso crítico não percebeu que o trecho é um “recorte” de uma obra maior, lamento! Tentei indicar isso na última frase do texto e repito: “IN Pedagogia da Autonomia”

 

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 11:52

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No âmbito dos saberes pedagógicos em crise, ao recolocar questões tão relevantes agora quanto foram na década de 60, Freire, com o homem de seu tempo traduz, no modo lúcido e peculiar, aquilo que os estudos das ciências da educação vêm apontando nos últimos anos: a ampliação e a diversificação das fontes legítimas de saberes e a necessária coerência entre o “saber-fazer é o saber-ser-pedagógicos”.

Num momento de aviamento e de desvalorização do trabalho do professor em todos os níveis, a pedagogia da autonomia nos apresenta elementos constitutivos da compreensão da prática docente enquanto dimensão social da formação humana. Para além da redução ao aspecto estritamente pedagógico e marcado pela natureza política de seu pensamento, Freire, adverte-nos para a necessidade de assumirmos uma postura vigilante contra todas as práticas de desumanização. Para tal o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedor ia exercitados, permanentemente, podem nos ajudar a fazer a necessária leitura crítica da s verdadeiras causas da degradação hum
ana e da razão de ser do discurso fatalista da globalização.

Nesse contexto em que o ideário neoliberal incorpora, dentre outras, a categoria da autonomia, é preciso também atentar para a força de seu discurso ideológico e para as inversões que pode operar no pensamento e na prática pedagógica ao estimular o individualismo e a competitividade. Com o contraponto, denunciando o mal estar que
vem sendo produzido pela ética do mercado, Freire, anuncia a solidariedade enquanto compromisso histórico de homens e mulheres, como uma das formas de luta capazes de promover e instaurar a “ética universal do ser humano”. Essa dimensão utópica tem na pedagogia da autonomia uma de suas possibilidades.
Finalmente, impossível não ressaltar a beleza produzida e traduzida nesta obra. A sensibilidade com que Freire problematiza e toca o educador aponta para a dimensão estética de sua prática que, por isso mesmo pode ser movida pelo desejo e vivida com alegria, sem abrir mão do sonho, do rigor, da seriedade e da simplicidade inerente ao saber-da-competência.

Edina Castro de Oliveira
Mestre em Educação pelo PPCF/DEFS, Professora do Depto de Fundamentos da Educação e Orientação Educacional. Vitória, novembro de 1996
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Por milton valdameri, em 11/03/2013 às 12:13

@joseantonio400
Obrigado pela colaboração, o texto que você apresentou mostra claramente a mediocridade dos adoradores de Paulo Freire. Alguém que fala em contexto do ideário neoliberal, mostra de forma inconstestável, que não faz ideia do que está falando, que repete chavões sem qualquer senso crítico, parte de um delírio marxista ignorando todo e qualquer fato e falando como um papagaio, que aprendeu palavras mas não sabe seus significados.

 

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 12:28

@miltonv
Você deve discutir isso com a banca que concedeu o título de Mestranda à professora Edina Castro de Oliveira, não comigo!

Ou talvez, propor-se a “dar aulas” para o pessoal incompetente que confere estes títulos a quem “…aprendeu palavras mas não sabe seus significados”.

Por Ricardo Froes, em 11/03/2013 às 09:55

No final da apostila preparada para um seminário de pós-graduação na Universidade de Wisconsin, entre as perguntas formuladas, há uma sobre Paulo Freire:

“Freire foi um:…
a) Marxista
b) Católico
c) Revolucionário
d) Escritor confuso
e) Todas as alternativas acima.”




6 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por augusto josé sá campello, em 11/03/2013 às 13:13

Boa tarde. Difícil pensar a respeito de Paulo Freire sem tentar pensar na época em o mesmo viveu. Separar pessoas que de algum modo alcançaram notoriedade do tempo complexo em que viveram é exercício inútil. É igualmente inútil louvá-lo ou vilipendia-lo. Penso nele como mais um teórico da Pedagogia. Há excelente contemporâneo dele esquecido, aqui mesmo no Brasil., O que há a ser feito é a construção de uma outra Pedagogia, atual. Tão coerente com as diversas realidades de nosso País quanto possível. E não é apenas uma nova teorização que vai dar início à resolução da Educação. Já disse aqui e repito trata-se de um tema complexo, que passa pela Política e por outras e outros assuntos correlatos. Vamos ver ? Arquitetura. Quais as soluções arquitetônicas ideais para a realidade das diversas regiões em que qualquer um que tenha um ôlho pode dividir o Nordeste. A começar pela área da edificação. Ela deve ser suficientemente grande para aguentar o tranco da da chegada de novas populações de alunos. Ou vamos privilegiar o modelo descentralizador geográfico do atendimento a demandas futuras. É, Educação tem a ver com Geografia. Demografia, Antropologia, Administração Pública - gestão da escassez.....Ajscampello

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 14:33

@ajcampello Concordo amigo Campello! Mas não posso concordar de forma nenhuma com a desqualificação do trabalho de um ser humano bem intencionado, apenas como maneira de tentar reafirmar a superioridade de uma ideologia que espalha pobreza, miséria e desigualdade nas próprias pegadas.

Por augusto josé sá campello, em 11/03/2013 às 18:19

@joseantonio400 Boa noite amigo José Antonio. Pois é desqualificar o trabalho alheio é fácil. Coisa de quem não pensa um pouco nas coisas da vida - filosofar então, nem pensar. As ideologias. Campos de extermínio, Gulags, Pol Pot, os malucos da escola austríaca, Bush e suas guerras, Paredões passados mas não esquecidos. Até mesmo o tal do pragmatismo político virou ideologia. Um abraço. Ajscampello

Por Papa Tango, em 11/03/2013 às 13:12

Nãop gosto de comentar a vida particular das pessoas mas, graças ao método de Paulo Freire você faz o que mesmo hoje? É um bolsista do Programa Jovens Talentos, não é mesmo? Newton é mais libertador do que Marx. Quando você aprende coisas que traduz a realidade, você pode tirar um benefício disto ao invés de ficar se masturbando intelectualmente. Deve ser por isso que no campo da física ninguém se declare "newtonista". Quando algo reflete a realidade, ninguém precisa ficar doutrinando os outros constantemente para que eles aceitem sua visão de mundo.

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 14:27

@papatango A questão de eu ser (ex-bolsista) do programa Jovens Talentos para a Ciência são duas: 1 - Política positivista de auxílio e incentivo 2 - Mérito, pois entre mais de 70.000 incritos, consegui pontuação numa prova dificílima, para ficar entre os pouco mais de 3600 selecionados (Nota acima de 60,0 numa nota máxima de aproximadamente 76,0) Sou ex-bolsista porque pedi a interrupção dos depósitos em minha CC. Não gostei das aulas "corridas" do pós greve e das provas com uma questão valendo 50% da nota, destinada a "peneirar" estudantes (seleciona-los) ainda no primeiro período! Uma Universidade Pública que aceita o ingresso via Enem está sendo incoerente ao executar esta prática de manter a porta de saida aberta e ainda "dar empurrõezinhos" na direção da mesma! Não dependo de diploma de uma Universidade! Fui até lá conhecer de perto! (Conhecerei outras).

Por José Antônio da Conceição, em 11/03/2013 às 14:42

@joseantonio400 Ah... a questão citada (50% da nota) pedia o código para movimentar um robô com movimentos circulares no punho, no cotovelo e no ombro, mais um movimento circular na sua base de apoio. Isso foi solicitado na disciplina "iniciação à eletrônica" e as aulas anteriores não ENSINARAM ou insinuaram este quesito que seria cobrado na prova. Outra questão foi na disciplina "iniciação à programação" onde o professor (numa terça) recomendou que chegássemos descansados na quinta, pois a matéria (vetores de vetores que apontam para infinitos outros vetores diferenciados na forma e no teor dos armazenados) era difícil, complicada e seria cobrada na prova da sexta-feira (um dia após). Isso, na minha humilde opinião, não contempla pedagogia, muito menos transmissão de conhecimento.