Brasil

Por José Antônio da Conceição, em 18/04/2013 às 10:58  

Cinco anos, e crise financeira desestabiliza cada vez mais.

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“De imediatismo em imediatismo, nunca fomos capazes de construir um país para o futuro. E a crise internacional começa a bater forte nas portas da economia brasileira”

Luiz Flávio Gomes *

O Brasil já começa a sofrer (de novo) com a inflação, está com sua balança desequilibrada, vem conseguindo manter o consumo interno na base de ajudas fiscais (isenções ou reduções de tributos) e está se tornando mais intervencionista na economia. O programa Bolsa Família ajudou e ajuda muitos pobres, além de estimular a educação das crianças; 22 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema; diminuiu a desigualdade, nos governos de FHC, Lula e Dilma; mas… seu parceiro preferencial, a China, que também começa a sofrer os efeitos da crise mundial, acaba de anular um contrato com o Brasil (5% de toda a colheita de soja), porque o prazo para entrega não era confiável.

O Brasil cresceu (7ª economia do mundo), aqui entrou muito dinheiro com as exportações (de commodities) e os investimentos (que agora estão rareando). Porém, deixou de investir em infraestrutura (estradas, portos, aeroportos etc.), na educação, na saúde, na Justiça etc. De imediatismo em imediatismo, nunca fomos capazes de construir um país para o futuro. Somos, paradoxalmente, o país do futuro (Stefan Zweig), sem pensar (ou se preparar para) esse futuro. Na verdade, sem educação nenhum país do mundo tem futuro. Se buscamos a origem dos nossos males, lá está a falta de educação. A felicidade do consumo (milhões de brasileiros compraram seu carro ou sua moto nos últimos tempos) não supre a carência do conhecimento. A crise internacional, vista no princípio (2007-2008) como uma “marolinha”, começa a bater forte, também, nas portas da economia brasileira.

De onde vem essa crise? Como ela surgiu? O capitalismo, mesmo quando apresenta grande prosperidade, constitui garantia de bonança por longos períodos? Lendo o didático livro El estado de malestar (Jordi Bosch Meda, 2013),  podemos depreender o seguinte: está confirmado que o capitalismo (que é o pior de todos os regimes econômicos, com exceção dos demais – Churchill – e do capitalismo selvagem) nunca seguiu um único caminho de estabilidade e pujança forte. Ele é cheio de altos e baixos: ora está bem, ora está mal.

Seguindo, em linhas gerais, o livro acima mencionado, podemos sintetizar o seguinte:

A crise econômica e financeira de 2007-2008 começou nos EUA e já é considerada a maior desde a Grande Depressão de 1929, que derrubou as bolsas do mundo inteiro. Cinco fatores contribuíram para ela: (a) excesso de liquidez mundial (sobra de dinheiro), (b) expansão aloprada do crédito hipotecário, na modalidade de subprime, para a compra de casas (aqui nasceu a bolha imobiliária, sobretudo nos EUA), (c) a desregulação do setor bancário e financeiro (imposta pelo neoliberalismo, que constitui uma das manifestações do ultraliberalismo norte-americano e inglês), (d) o surgimento de novos produtos financeiros (a partir da expansão do crédito hipotecário) e (e) mau funcionamento das agências estatais e paraestatais de controle do mercado econômico e financeiro.

Muita gente financiou sua casa nova, mas não tinha dinheiro (nem condições) para pagar. O crédito hipotecário, sem pagamento, vira pó.  O valor do imóvel começou a baixar, até chegar a patamares risíveis. Muitos produtos financeiros (derivados) nasceram desses créditos (que foram comercializados ampla e difusamente). O mercado financeiro virou um cassino global. Muitos ganharam milhões de dólares (os mais espertos), mas o que sobrou para alguns, faltou para muitos.

As financeiras e os bancos começaram a quebrar (First Magnus Financial, Lehman Brothers, Merrill Lynch etc.). Não só nos EUA, senão também na Europa (Northem Rock Lloyds, Hypo Real Bank, Dexia etc.). Aí começou a ajuda em dinheiro público para socorrer os bancos, tudo para evitar a quebradeira geral. Ocorre que dinheiro público investido em banco quase quebrado não dá empregos, salários, segurança social etc. A economia de vários países foi à lona (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia, Espanha etc.) e os resgates (com regras rígidas) não estão surtindo os efeitos desejados, porque não só aumentaram a dívida dos países (dívida soberana), como estão esmagando os velhos “Estados de bem-estar social”.  A cada dia crescem os “indignados” e a crise financeira, cada vez mais desestabilizadora, gerou uma grande crise de confiança mundial, provocando verdadeiro pânico.

Quais são os próximos capítulos? Está todo mundo torcendo por uma reativação da economia. Do contrário, a crise de 2007-2008, que já dura cinco anos, vai ser pior que a Grande Depressão de 1929. Mais uma vez, venceu a forma selvagem do capitalismo (que gera a acumulação indevida de riqueza para alguns, em detrimento do sofrimento de muitos milhões de planetários).

* Luiz Flávio Gomes, jurista e presidente do Instituto Avante Brasil

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Provavelmente (e evidentemente) existirão aqueles que não irão concordar com o artigo do Luiz Flávio Gomes. É que o Luiz Flávio não citou que foi o Governo Brasileiro que meteu e dedão o narigão lá nos States e criou a tal crise! – JAC

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Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/cinco-anos-e-crise-financeira-desestabiliza-cada-vez-mais/




12 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por José Antônio da Conceição, em 18/04/2013 às 21:34

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Por augusto josé sá campello, em 18/04/2013 às 15:18

Boa tarde. Santo buda! Mas que embrulho de garrafa com côco! De generalização em generalização vamos todos pro brejo e a vaca fica na beirada, rindo. A tal crise, láa nos USA do Obama, começou muito em função das "subprimes" (hipotecas imobiliárias de má qualidade creditícia) estarem mascaradas por derivativos muito loucos. Uns poucos economistas, que prestam atenção neste aspecto do mercado financeiro, cantaram a bola no final do governo Bush. E o Obama entrou feio, de gaiato. Fez o que foi possível. E, sim, bancos e instituiçoes financeiras quebraram. Agora, olhem que coisa engraçada. O Canadá e o México, ali coladinhos, e "economias dependentes" se safaram muito bem. Na ZONA do EURO, a coisa é bem engraçada e um tanto diferente. Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e outros - os últimos são Chipre e Eslovenia, eram economias disfuncionais. Cada uma com suas grandes e pequenas mazelas. Foram arrastadas pela crise nos USA? Em pequena parte, tão pequena que chega a ser ridícula se você compara os fluxos anteriores de capital "pôdre" oriundo dos USA. Repete-se na Zona do Euro o fenômeno da América do Norte : uma quantidade mais que expressiva de economias, intimamente ligadas pelo EURO, safaram-se muito bem. É muito fácil e "politicamente correto" a esquerda européia jogar a culpa no colo do Obama. Todos, em algum momento o fizeram. Mas, não conseguiram sustentar suas posições. As economias que "cagaram fora do penico", por décadas, foram pro espaço. E que caca fizeram! Permitiram um elevado grau de intervencionismo. Fizeram a farra dos "gastos sociais". Ficaram sentados em cima de sistemas financeiros bichados. Endividaram-se e fomentaram o endividamento de suas sociedades. Permitiram a prática de capitalismo de compadrio. A lista de doideiras é longa, muito longa. E vem de longe. Chipre, o último a ir à garra, tinha 240% de sistema financeiro em relação a seu PIB. Sistema financeiro cheio de dinheiro esquisito, dinheiro que saiu voado dali, e deixou os Chipriotas com as calças na mão. E aqui? Ora, aqui a estória se repete. Esqueceram do "Milagre Brasileiro"? Guardadas as devidas distâncias, o que acontece agora é parecido. A política econômica em prática desde os anos FHC, esgotou-se. A banda passou e não quiseram ver. Ao contrário, trataram de distorcer mais o que já estava entortando. Marola ou tsunami? Ora, por favor, colocar a culpa lá fora é fácil. O que não foi feito foi o dever de casa. E agora? Parafraseando um certo escritor : Ao vencedor o Abacaxi. Que tratem de consertar a cagada em curso. Ajscampello

Por erikssom patos, em 18/04/2013 às 13:23

É evidente que o autor do artigo cita vários fatos já de conhecimento e domínio publico, mas ao final demonstra que não compreende as causas imediatas e remotas da crise atual e das passadas também, e mais, até que ele tenta se passar como neutro, mas depois no ultimo paragrafo demonstra o seu pensamento socialista - o ultimo paragrafo é revelador. No ultimo paragrafo o autor quase que responde a sua pergunta quase que fatal: "... a crise de 2007-2008, que já dura cinco anos, vai ser pior que a Grande Depressão de 1929.", ou seja, ele pede mais intervenção do governo, mais estimulo do governo. É dose para elefante ter que ler e ouvir essas coisas, essas tolices, de 'capitalismo selvagem', 'acumulação do capital nas mãos de poucos', e que tais(!) etc. O estado gera a crise e depois bota a culpa no capitalismo... No livre mercado não tem estado salvando banqueiro, empresas ineficiente, etc. No livre mercado quem quebra é a empresa ou a pessoa que fez negócios errados, e fica só neste ponto, não espalha para a economia toda, mas quando o estado é o fiador da economia, é o guarda chuva das atividades econômicas e está no centro das decisões, toda a sociedade paga os erros de poucos, pois o estado em ultima instancia socializa a crise de alguns para todos os cidadãos, e ainda bota a culpa na iniciativa privada. Só os socialistas apaixonados é que fazem questão de não compreender essas verdades...

Por erikssom patos, em 18/04/2013 às 13:31

Já era de se saber que todas aquelas pessoas crentes no socialismo ou no comunismo, ou então que acreditam na eficacia estatal e que tem a convicção de que o estado tem o poder e a condição de promover o bem estar da sociedade enchem a boca para falar mal do capitalismo sem se dar conta que é esse mesmo estado que utiliza do capitalismo manipulando-o segundo as suas próprias ideias é que provocam as crises que já ocorreram e que estão ocorrendo. O estado hoje é a chupeta que uma boa parte não quer largar pois são como parasitas que sugam o organismo social e seus recursos sem dar nada em troca. Só se alimentam dos recursos regerados na sociedade trabalhadora e não não dão nada em troca dessa intromissão.

Por erikssom patos, em 18/04/2013 às 13:43

A expansão continua dos agregados dos meios de pagamento (M1 e M2) com a intenção de estimular a expansão e oferta de credito por meio das agencias financeiras credenciadas para isso são as responsáveis pela crise. O estado funciona nesta questão como um avalista moral de ultima instancia. Se o estado não avalizasse a especulação, ou procurasse não se endividar ou de gastar além do que arrecada, não teria nenhum motivo para depender do próprio sistema que constrói, daí a sua independência da economia seria clara para todas as pessoas, dai quem tivesse prejuízo por questões de maus negócios se ferrava sozinho, não colocaria toda uma sociedade na jogada. O estado é responsável por toda essa crise e ela ainda não acabou exatamente porque interferiu ao invés de deixar a coisa cair e quebrar. Quem vive do estado e no estado espertamente constroem as vantagens que estamos acostumados a ouvir: isso é grande demais para deixar quebrar, o prejuízo será muito grande para a sociedade, e tal, etc. Se tivessem deixar o sistema financeiro quebrar lá nos estados unidos, não tinha mais essa crise, o mundo já teria se ajustado e aprendido a lição de que tem que ter responsabilidade, de que em matéria de economia não tem outros bobinhos por ai para pagar a conta, errou dançou. Os socialistas tem que serem um pouco mais realistas, até que ajudariam muitos capitalistas afoitos em aproveitar da situação para tirar vantagens. A economia de mercado evita tudo isso.

Por milton valdameri, em 18/04/2013 às 11:15

Não existe forma selvagem de capitalismo, existe apenas um exército de pessoas que não sabem o que é capitalismo e inventam expressões estapafúrdias para culpar o capitalismo por tudo o que acontece de ruim no mundo. Você elencou algumas das causas da crise atual, nenhuma delas é compatível com o capitalismo, mesmo assim culpa o capitalismo pela crise. Tudo o que você apresentou sobre a crise resume-se numa palavra: INTERVENCIONISMO, que é exatamente aquilo que você defende o tempo todo aqui no OP.

Por erikssom patos, em 18/04/2013 às 13:33

@miltonv, a estupidez não tem limites, a falta de conhecimento idem...

Por José Antônio da Conceição, em 18/04/2013 às 17:20

@patos Enquanto isso... a pergunta que fiz (ou seria desafio?) vai ficando sem resposta e, sendo encostada lá num cantinho, até ficar totalmente esquecida!

Por José Antônio da Conceição, em 18/04/2013 às 11:51

@miltonv Resta apenas então, vocês apontarem o lugar (no planeta terra) em que a "livre iniciativa" e as "leis de mercado" foram exercidas por seres humanos (extirpados do egoismo que é da natureza humana) e deram certo. Quando vocês apontarem isso, citarem os dados históricos, comprovarem que a miséria por lá existiu apenas para os "vagabundos que não queriam trabalhar"... então calo a minha boca!

Por José Antônio da Conceição, em 18/04/2013 às 21:02

Sim Milton Valdameri. Alemanha Ocidental é o exemplo de uma nação que "deu certo". Um Banco Central bastante ortodoxo (aliado a outras políticas conservadoras) construiu na Alemanha Ocidental um poderio econômico capaz de substituir o poderio bélico que aquela nação já teve e está proibida de construir novamente. Porém, eu não gostaria que o Brasil repetisse a experiência da Alemanha Ocidental. A taxa de reposição da população (sem crescimento) é de 1,2 filhos por mulher. Quando a taxa fica abaixo disso por período prolongado a nação começa o processo de desaparecimento dela própria e sua cultura. A Alemanha já reconheceu que sua cultura irá desaparecer. O próximo que deverá reconhecer isso será Portugal.

Por milton valdameri, em 18/04/2013 às 17:49

@joseantonio400 Aquilo que você chama de “dar certo” seria exatamente o que? Aparentemente você considera que “dar certo” é eliminar a miséria em uma sociedade, portanto a matemática não deu certo. Mas existe uma maneira simples de avaliar, historicamente, uma sociedade onde as leis do mercado eram praticadas, com outra onde as leis do mercado não eram permitidas: Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental. Agora conte para nós a sua opinião sobre a Alemanha Ocidental, ela deu certo ou não?

Por roberto argento filho argento, em 18/04/2013 às 11:04

. . . e era somente uma Marolinha . . ,