Brasil

Por , em 21/04/2013 às 16:00  

O Ciclo Virtuoso da Economia

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Nas últimas semanas, o assunto que tem dominado o noticiário econômico no Brasil tem sido a alta da inflação nos últimos 12 meses, e a perspectiva de um novo ciclo inflacionário por vir. De fato, se o Governo Federal não fizer nada, podemos ver o nosso índice habitual de 4,5%, 5%, estancar no piso de 6,5% (atual) e ir lentamente subindo até atingir os 2 dígitos percentuais. A presidente Dilma e seu Ministro da Fazenda, Guido Mantega, resolveram então usar o remédio mais fácil: aumentar os juros, como uma forma de desestímulo ao consumo e aumento do custo-moeda (diminuindo a sua circulação no varejo).

Contudo, essa medida, além de paliativa, pode se mostrar um tanto ineficaz. Primeiro que o desestímulo ao consumo, se ocorrer, será setorizado, não contendo a demanda por produtos e serviços em geral. Ainda há crédito subsidiado e isenções seletivas no espectro do mercado interno brasileiro – o que neutraliza o efeito no curto prazo de um aumento na taxa de juros. Segundo que o Governo continua estimulando a demanda através do aumento contínuo nos gastos públicos, além de sufocar a oferta com a manutenção de uma carga tributária alta e complexa, uma máquina administrativa excessivamente burocrática e ineficiente, e um desestímulo ao livre mercado, ao subsidiar certos setores produtivos com crédito barato e isenções pontuais, enquanto sufoca todo o resto do empresariado nacional.

Esse aumento da taxa de juros pode significar a morte do “manteguismo”, essa falsa ortodoxia econômica que, ao modo Gramsci (que defendia a implosão da democracia representativa de dentro da própria máquina administrativa), tenta fazer fracassar o tripé “superávit-juros-câmbio flutuante”, para depois reinstaurar no Brasil a heterodoxia inflacionária dos anos do regime militar e do Governo Sarney.

Mas qual é a solução? A resposta é relativamente fácil de se obter, mas difícil de se materializar no cenário político atual. Com o baixíssimo nível técnico dos nossos parlamentares e gestores públicos em geral, a tendência continuará sendo optar por medidas simples e equivocadas, de rápido alcance eleitoreiro, ainda que de efeitos nefastos para o médio prazo. O aumento da taxa de juros neste momento, com o alto índice de endividamento público do nosso Estado, vai fazer com que comprometamos ainda mais do nosso orçamento nos anos vindouros, legando às próximas gerações o pagamento dos dividendos devidos àqueles que comprarem nossos títulos da dívida pública hoje – exatamente como Palocci fez nos anos de 2003 e 2004.

O Brasil precisa diminuir o custo da máquina administrativa, nos três níveis federativos. Simplificar procedimentos burocráticos, aumentando o modelo de autodeclaração e fiscalização posterior (que já funciona com o IRPF), e diminuindo o cartorialismo que faz com que empresas levem meses para serem abertas ou fechadas (que acaba com o empreendedorismo formal no Brasil). O Governo Federal precisa reduzir o número de servidores, contratando apenas funções essenciais ao Estado, e aumentando a utilização da mão-de-obra municipal e estadual, através de convênios e parcerias. O servidor público federal deve ser um supervisor, um planejador, orientando Estados e municípios (e o mesmo vale para a Polícia Federal), e não um burocrata executor de “carimbaços”.

Precisamos diminuir o número dos atuais 900 mil servidores públicos federais (1 para cada 200 habitantes, aproximadamente) para 180 mil (um para cada 1000 habitantes aproximadamente). Não dá para demitir, mas dá para reaproveitá-los em outras funções – inclusive suprindo a carência de Estados e municípios por servidores qualificados – e fechando a porteira para novas contratações pelos menos pelos próximos 10 anos. E principalmente, demitir todos os 100 mil comissionados não-concursados que hoje fazem a festa dos partidos políticos e do fisiologismo existente entre Executivo e Legislativo.

Com o aumento da eficiência da máquina administrativa, vem a redução dos gastos públicos. Com a redução dos gastos públicos, vem a diminuição dos juros e do endividamento público no médio prazo. Com o aumento da poupança interna pública, vem a valorização do câmbio, e a diminuição da carga tributária. A diminuição da carga tributária permite o aumento da poupança interna privada. A valorização do câmbio permite um aumento na aquisição de bens e insumos mais baratos no exterior, servindo para modernizar a indústria nacional, e focar nossos esforços produtivos em agregação de valor industrial. Ambas as situações estimulam o investimento interno no Brasil, para o Brasil. É o ciclo virtuoso da economia nacional, em oposição ao ciclo vicioso que vivemos hoje (de mais Estado, mais juros, mais endividamento, menos competição).

Quem terá a coragem de levantar a bandeira da verdadeira mudança em 2014?

 

http://www.artousosvic.blogspot.com.br/2013/04/o-ciclo-virtuoso-da-economia.html




16 opiniões publicadas

O que você tem a dizer?

Por augusto josé sá campello, em 24/04/2013 às 14:49

Boa tarde. Tenho cá minhas dúvidas se este tema da inflação não teria vindo à mídia propositalmente. Ele mascara outros temas tão importantes quanto ou mais. Ajscampello

Por Victor Castro, em 24/04/2013 às 14:57

@ajcampello Quais por exemplo, Augusto?

Por erikssom patos, em 22/04/2013 às 08:17

A dívida publica está pegando por uma perna o setor publico e toda a economia do país. Os mecanismos de criação da divida publica coloca o estado no fronte da economia. 45% do orçamento geral é consumido pela divida, isso está inviabilizando toda a atividade publica, tudo aquilo pelo qual existe o setor publico.

Por Victor Castro, em 22/04/2013 às 18:57

@patos Ou se avança para uma meta de superávit mais ousada, que permita a redução gradual dos juros no curto prazo e da carga tributária no longo prazo, ou o Brasil verá a receita do Pré-Sal ser usada para pagar os rompantes perdulários da trupe PT-PMDB. Precisamos de um novo FHC com coragem de estadista para cortar gastos e incomodar interesses fisiológicos instituídos.

Por erikssom patos, em 21/04/2013 às 17:24

Victor, você sabe qual é o gasto anual com pessoal do governo federal, incluso militares e servidores aposentados e os pensionistas? - Que porcentagem (%) esses gastos representam sobre o PIB?

Por erikssom patos, em 21/04/2013 às 18:02

Está é página do MPOG que contém os orçamentos desde 2002: http://www.planejamento.gov.br/secretaria.asp?cat=50&sec=8

Por Victor Castro, em 21/04/2013 às 18:49

@patos Na página 12 desse link http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/sof/ploa2012/110831_orc_fed_alc_todos.pdf tem a informação de 188 bilhões de reais em gastos com pessoal (ativos e inativos), dentro de um orçamento geral de 2,118 trilhões de reais. Contudo, o aumento dos juros reflete em um outro campo, mais traumático (reflexo da política de juros exageradamente atrativos de 2003/2004, sem a respectiva poupança para pagar esses dividendos): 1 trilhão de reais de gastos com amortização e rolagem da dívida.

Por Victor Castro, em 21/04/2013 às 17:29

@patos Não sei de cor, Patos, mas com certeza tem no site do MPOG, seria até bom dar uma pesquisada.

Por José Antônio da Conceição, em 21/04/2013 às 16:29

Esta bandeira já está levantada Victor. É o PNBC! <img src="https://sites.google.com/site/pnbcbrasil/_/rsrc/1348341573497/home/colaboradores/OBI-01.PNG" style="height:323px; width:600px "> *** https://sites.google.com/site/pnbcbrasil/home

Por Victor Castro, em 21/04/2013 às 16:47

@joseantonio400 E o que o PNBC defende para a economia?

Por Victor Castro, em 22/04/2013 às 18:58

@victorcfs José, entendi que a sua pauta federalista está ligada a mais autonomia para estados e municípios. Mas acredite em mim que o problema não é a existência de mais ou menos unidades federativas, mas o custo excessiva dessas. Podemos trocar uma ideia a respeito desse fato. Abraço.

Por José Antônio da Conceição, em 21/04/2013 às 19:45

@victorcfs Não defendo o Federalismo de mentira atual! Mas defendo um federalismo dentro das concepções citadas no seu post (Confederação conforme a proposta do Loriaga Leão). Menos COMANDO e arrecadação em Brasília, Menos Estados (assembleias legislativas lotadas de párias e um montão de Escritórios e Representações dos Órgãos federais - verdadeiros cabides de emprego que custam muito caro no bolso do contribuinte). Defendo Federação sim! Mas com pacto federativo JUSTO!

Por Victor Castro, em 21/04/2013 às 19:11

@victorcfs O José Antonio estaria defendendo o federalismo, não?

Por erikssom patos, em 21/04/2013 às 19:00

JAC, o seu texto ai abaixo soa quase que ontológico com algumas ressalvas. É claro que há algo discutível, mas você beirou o liberalismo ai cara. Estou boca aberta nessa, e te confesso que não estou acreditando até agora.

Por José Antônio da Conceição, em 21/04/2013 às 17:45

Leia outras ideias em nosso WebSite. Ele está em construção mas, já conta com bastante conteúdo. http://sites.google.com/site/pnbcbrasil/home

Por José Antônio da Conceição, em 21/04/2013 às 17:42

@victorcfs Pessoalmente (e intransigemente) defendo a Municipalização! Cada Município desta nação precisa encontrar sua vocação econômica e dedicar-se a ela com afinco, gerando emprego e riquezas! Chega de Municípios paupérrimos vivendo do FPM e da redistribuição do ICMS e mais algumas outras verbas federais. Esta Municipalização colocará em curso uma outra política importante: o êxodo urbano. Os ploblemas das grandes metrópoles Brasileiras será resolvido quase sem investimento público (mobilidade urbana, supelotação dos equipamentos públicos já instalados). Quanto à política econômica em si, se ortodoxa ou não, é questão a ser resolvida conforme a aceitação dos agentes econômicos. Ideias novas nem sempre são assimiladas e os prórpios agentes trabalham contra o necessário equilíbrio. Endividamento e emissões de moeda sem lastro já demonstraram sua perversidade. Porém uma ideia (inclusive contida no seu post) a respeito da diminuição do Estado e do Governo sem a consequente preparação para o evento seria catastrófico! É algo como soltar todos os animais do zoológico e demitir seus funcionários! Leões, Hienas, Onças e outros ficarão soltos e se alimentarão de humanos sem a menor cerimônia! Estado mínimo, só quando a nova Legislação estiver consolidada e fielmente cumprida por todos.