Opinião

Por , em 03/05/2013 às 19:28  

Campos e Aécio JUNTOS em 2014?

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O PSDB se recusa a admitir, mas não possui um projeto de país. Possui, outrossim, um legado, que envolve as conquistas do Governo FHC (estabilidade macroeconômica, reformas administrativas e responsabilidade fiscal).

E mesmo sofrendo dessa miopia patológica, os tucanos sabem de pelo menos uma coisa: que essas conquistas estão ameaçadas pela demagogia inflacionária do Governo Dilma – que parece ignorar as necessidades de readequação das despesas federais ao quanto efetivamente arrecadado pelo Governo, talvez por medo de desagradar o centro fisiológico.

Mas o partido está dividido (outra obviedade) entre os neoconservadores amantes da dupla Azevedo-Malafaia (o blogueiro e o pastor) ingressos no partido após a vitória eleitoral de 94, e os liberais de costumes que compunham a militância original do partido (hoje minoritários).

Aécio parece querer reunificar essas tendências, construir um PSDB de centro-esquerda (como era à época de Covas, Montoro, Artur da Távola, Ruth Cardoso), mas dialogando com os setores mais conservadores da sociedade – o conservadorismo genuíno, de bases religiosas (como Malafaia-Azevedo), não o de conveniência que se vende por qualquer emenda parlamentar (este já está fechado com Lula e Dilma).

E é aí que começa o grande erro de Aécio e dos tucanos em geral: achar que o PSDB tem alguma chance de vencer o PT em uma disputa direta. Ao longo dos 8 anos de Governo FHC, e 10 anos de Governo Lula-Dilma, o PT conseguiu dar razão à máxima nazista segundo a qual “uma mentida repetida diversas vezes, é tomada por verdade” (atribuída a Goebbels).

O povo brasileiro odeia FHC e os tucanos. Alguns só odeiam menos o PSDB do que odeiam o PT e a turma corrupta que o apoia. Por isso o PSDB ainda consegue ter 30, 35% dos votos em eleições presidenciais. Mas para o povo brasileiro o PROER e as privatizações não contribuíram em nada para o sucesso do Plano Real, e o crescimento econômico do Governo Lula não deve nada às medidas de austeridade do seu antecessor. São as mentiras repetidas muitas vezes pelo PT, que agora se tornam verdade.

Enquanto o PSDB tentar ser vidraça, vai perder.

A única chance do PSDB é entrar na disputa eleitoral usando do seu (baixo) capital político de ser referencial oposicionista (logo, aglutinador do eleitorado anti-petista), compondo chapa com um outro grupo político que possa dispor de uma vidraça “blindada”. E aí entra Eduardo Campos.

Campos seria o candidato perfeito a Presidente da República, ainda mais fortalecido por uma eventual candidatura de Aécio Neves como seu vice. Afastados o PSDB e FHC da campanha eleitoral, e o PT perderia o seu maior argumento: a difusão do ódio e as mentiras contadas sobre o período de 95-2002.

Campos e Aécio juntos significaria para boa parte da base governista (em especial PP, PR e PSD, mas também possivelmente o PDT) uma oportunidade de limar o PT (centralizador, segregacionista) do jogo de poder, sem mudar o “modus operandi” do Governo atual.

A distribuição de cargos e emendas parlamentares continuaria atendendo ao mesmo fisiologismo atualmente vigente, mas com 2 condições, impostas por Aécio: a) aumento da eficiência dos gastos públicos; b) enquadramento desses gastos dentro de uma política de meta inflacionária mais restritiva (salvando assim o legado macroeconômico que dá o norte ético – único! – do tucanato).

Esse seria o pesadelo maior dos petistas, o “inominável”, aquilo que faz até mesmo Lula, o fanfarrão, perder o sono: não ter o PSDB como sua vidraça particular numa eleição presidencial. Campos e Aécio juntos teriam, logo de partida, uma aliança de 5 partidos – PSB, PSDB, DEM, PPS e PV -, ampliável para mais 4 (PDT, PP, PR e PSD). Seria a ruptura definitiva da base governista, a manutenção da máquina e dos grupos econômicos influentes no poder central, com a mudança apenas do maquinista do trem: troca-se Dilma (Lula?) e o PT por Campos e o PSB.

A pauta do “choque de gestão” deixa de ser uma “bandeira neoliberal” de Aécio, para ser um consenso construído por partidos de esquerda e direita, liderados pela figura socialista (pelo menos na nomenclatura) de Campos. Um pacto de impactos similares à aliança entre o operário Lula e o megaempresário José Alencar em 2002.

Para mudar uma situação hegemônica como é o reino político da dupla PT-PMDB, é preciso implodir os alicerces dessa estrutura de modo implacável. E hoje, os alicerces que mantêm Lula e o PT (e o PMDB) no poder são justamente as mentiras contadas contra FHC e seu legado.

Campos e Aécio juntos em 2014 representa a salvação do tucanato, e a morte do lulo-petismo. Vamos ver agora se o PSDB terá a sagacidade e a humildade necessários para perceber e admitir isso.




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