Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 06/05/2013 às 16:12  

Respondendo Aécio Neves. (apenas leitura)

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“Temos um país à deriva em busca de um gestor”
Aécio Neves eleva o tom das críticas ao governo e diz que Dilma e o PT se perderam num projeto autoritário de poder e empreguismo

por Mário Simas Filho e Delmo Moreira

fotos: Adriano Machado

PERIGO
O senador Aécio Neves diz que a democracia está
sendo ameaçada com a concentração de poderes

Um céu alvoroçado e cheio de cores envolve o prédio do Congresso Nacional na tela do pintor mineiro Carlos Bracher que está na parede atrás da mesa de Aécio Neves. Em seu gabinete no Anexo l do prédio do Senado Federal, Aécio encontra tempo para apreciar a pintura e relembrar encontros alegres com Bracher em Ouro Preto. Esses momentos amenos, contudo, podem se tornar cada mais raros, levando-se em conta a agenda do senador. Aécio Neves vai assumir a presidência do PSDB e começa a botar na rua o bloco da campanha para 2014. Ele não se declara candidato enquanto não receber a indicação oficial do partido, o que só deve acontecer na virada do ano. Mas na entrevista que concedeu à ISTOÉ, durante pouco mais de duas horas, o senador traçou o perfil do novo PSDB que pretende construir e discutiu as ideias com as quais espera conquistar o eleitor brasileiro.

ISTOÉ – O que o sr. vai mudar no PSDB?
Aécio Neves – O PSDB deve renovar seu discurso e apresentar propostas novas para o País. Precisamos assumir o papel de principal alternativa ao que está aí, com uma proposta clara que nos diferencie do PT. O Brasil terá uma grande oportunidade de comparar propostas diferentes. Quando assumir a presidência do PSDB, meu papel será o de discutir uma agenda para os próximos 20 anos. E de mostrar que os modernos, os eficientes, os que prezam a democracia somos nós. O atraso, a ineficiência e o viés autoritário são a marca de nossos adversários.
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JAC – Isso é conversa fiada de vésperas de eleições, senhor Senador. Um Partido político que se preze não “renova” seu discurso apenas em época de campanha eleitoral. O eleitor não é tão bobo como antigamente. Discursos não se renovam na boca da urna, a praxis é que precisa ser constante, a resposta ao publico geral e principalmete aos simpatizantes do PSDB precisa acontecer durante todo o tempo. Não foi isso que o PSDB e também Vossa Senhoria fizeram.
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ISTOÉ – Como isso vai ser feito?
Aécio – Como presidente do PSDB, quero correr o Brasil para, até o final do ano, ter essa proposta nova muito bem clara. Que ela mostre que apostamos na gestão eficiente e não no gigantismo da máquina pública. Que nós apostamos em uma política externa pragmática em favor dos interesses do Brasil e não no alinhamento ideológico atrasado que tanto prejuízo traz ao País. Que apostamos na refundação da Federação, com distribuição mais justa de recursos entre os Municípios e os Estados.

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JAC – O Senado Federal também tem a prorrogativa de legislar. Ao invés de ficar jogando palavras ao vento mostre-nos os Projetos de Lei apresentados pelo Senador, que devolvem aos Prefeitos e Governadores as prorrogativas de governar de fato, dentro de uma Federação não retorcida e vilipendiada. Desde a época em que Itamar Franco governou Minas Gerais que a reformulação do pacto federativo está sendo reclamada! Se a intenção existe de verdade, mostre os projetos!
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ISTOÉ – Essa será a base de seu programa como candidato à Presidência da República?
Aécio – Se o partido definir que serei o candidato, posso dizer que estou preparado para iniciar um tempo novo no Brasil. Vamos primeiro construir no PSDB o arcabouço para o candidato trabalhar. Vamos mostrar que podemos fazer muito melhor para o Brasil.
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JAC – Você Senador, será o candidato. É natural que seja. Quanto a poder fazer muito melhor para o Brasil, relembro que o PT e também o antigo MDB fizeram muito pelo país estando na oposição. Mostre o que o PSDB fêz enquanto oposição, para que suas bravatas ganhem ares de credibilidade.
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ISTOÉ – A presidenta Dilma Rousseff tem alto índice de aprovação. Isso não mostra que o País está satisfeito com o governo?
Aécio – Ainda vivemos uma sensação de bem-estar. Temos um nível de desemprego baixo, empregabilidade alta. Mas há uma bomba-relógio para explodir a qualquer momento. E o nosso papel é mostrar isso.
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JAC – Vossa Senhoria tem conversado com os empresários e mega-empresários? A inflação de demanda precisa urgentemente de uma explicação da parte deles. Seria um excelente serviço à nação se o Senador reclamasse para si a iniciativa de exigir esta explicação, devida ao povo brasileiro.
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ISTOÉ – O que está errado?
Aécio – Acho que houve uma visão equivocada. O governo desenhou o crescimento da economia pela demanda, através do crédito, mas isso já está no limite. O calcanhar de aquiles estava na oferta. Temos uma péssima infraestrutura para escoar a produção, o custo Brasil é crescente e a produtividade, baixíssima. Tudo isso está levando a um quadro de incertezas, num momento em que precisaria haver o investimento privado para compensar a diminuição do consumo.
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JAC – Desde os tempos em José Alencar ocupava a vice-presidência da República que a queda dos juros era reclamada pelo empresariado nacional. Os juros estão nos patamares mais baixos de toda história. Aconteceram também desonerações nas folhas de pagamento. A cesta básica foi desonerada e os efeitos não chegaram ao consumidor final.
Estão muito atrasadas as explicações devidas ao povo brasileiro! Aventure-se Senador!
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ISTOÉ – Esses temas terão repercussão eleitoral?
Aécio – O resultado eleitoral a população é que irá determinar. Ao contrário da presidenta, não me movo pela lógica eleitoral.
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JAC – Mentira deslavada, não é mesmo Senador? Até prá lá de onde o Judas perdeu as meias sabe-se que o neto de Tancredo Neves esteve em campanha nas duas últimas e está, principalmente na eleição vindoura. Pare de mentir senador! Coloque na sua cabeça o que eu disse acima: “o eleitor não é aquele bobão de antigamente”.
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ISTOÉ – A presidenta provavelmente diz o mesmo…
Aécio – Infelizmente, a agenda das eleições está levando a presidenta a
buscar permanentemente medidas populistas, elevando o risco de entrarmos no ciclo vicioso da inflação e do crescimento econômico comprometido.

“Quem administra o Brasil não é mais a
presidenta Dilma, é a lógica da reeleição”
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JAC – Mas não foi assim mesmo que aconteceu durante o período que antecedeu a instituição do segundo mandato? Algo praticado no passado pelo seu partido era bom na época e agora, quando praticado por outro partido torna-se ruim? Cuidado com a fala Senador!
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ISTOÉ – O sr. também não está pensando em eleição o tempo todo?
Aécio – Com muita responsabilidade. Não podemos deixar que a propaganda ufanista continue a contagiar as pessoas. O avanço do Brasil é uma construção tijolo a tijolo, feita por algumas gerações de homens públicos. Desde a estabilidade da moeda, com Itamar Franco, a implantação e consolidação do real, com Fernando Henrique e Lula. Mas agora não há uma agenda nova.
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JAC – Não temos agenda nova, nem oposição nova, nem novos políticos renovando os quadros, nem ideias novas. Fiquemos torcendo para que a juventude (única coisa nova neste país) corrija esta rota que agrilhoa o país e a nação a tudo que é costume velho e técnicas coronelistas de praticar a política.
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ISTOÉ – O sr. vê diferenças entre os governos Lula e Dilma?
Aécio – Há um sentimento crescente de cansaço com esse modelo que está no poder. Isso é perceptível em todo o País. Acho que o PT perdeu a capacidade de apresentar um projeto de governo e se contentou em ter um projeto de poder. O que move o governo Dilma é exclusivamente a agenda do poder. Quem administra o Brasil não é mais a presidenta Dilma, é a lógica da reeleição. O PT trocou a agenda das reformas para as quais foi eleito.
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JAC – Realmente Senador, o modelo está esgotado. Nem tanto pelo partido que detenha o poder ou pela pessoa que está sentada na cadeira número um da nação. Quem esgotou o modelo foi a classe dos políticos (sua classe) quando tergiversaram e aceitaram passivamente que o poder econômico ditasse as regras e se colocasse acima dos governos, das instituições e do próprio povo.
Concorde comigo e fale uma frase apenas contra o poder econômico (que Vossa Senhoria exerce tão bem) e verá sua candidatura ser detonada pelos verdadeiros donos do poder.
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ISTOÉ – Qual é a nova agenda?
Aécio – A agenda do autoritarismo. É claro o viés autoritário nas inúmeras medidas patrocinadas pelo PT. Uma cerceia o poder de investigação do Ministério Público, outra cria uma instância revisora das decisões do STF. E tudo isso casado ainda com uma ação truculenta e casuística que inibe a criação de outras forças partidárias de oposição. Essas ações mostram o governo com enorme receio do enfrentamento político. Há também uma concentração excessiva de receitas nas mãos da União, fragilizando Estados e Municípios. Isso leva à ineficiência e a desvios permanentes.
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JAC – A ineficiência e os desvios permanentes são a tônica do momento e a maneira políticamente correta de manter os mandatos. Quando Vossa Senhoria presidiu (venceu como azarão) a Câmara dos Deputados, pela primeira vez na história dinheiro destinado às despesas do legislativo foi (em parte) devolvido ao Executivo. Vossa senhoria cortou gastos até no pó de café. Deu o exemplo! Foi seguido pelos sucessores? Uma rápida olhadela nas contas mostrará que o Congresso Nacional consome muito dinheiro público sem oferecer nenhum bom serviço aos cidadãos.
Tem que ir até a raiz, Senador! Falar a verdade, mesmo que esta verdade vá contrariar 80 ou 90% dos seus pares aí no Congresso Nacional. Estamos aqui! De olho!
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ISTOÉ – O sr. diz que as reformas não andaram, mas isso é só culpa do governo?
Aécio – Não se fala mais em reforma política, que era o carro-chefe do segundo mandato do presidente Lula e da campanha da presidenta Dilma. O tema é escanteado sempre que a presidenta começa a enfrentar contenciosos entre os grupos aliados. Com a reforma tributária é a mesma coisa. Poderíamos ter uma política de desoneração horizontal ampla, para todos os setores da economia, e não essa de hoje só para os escolhidos.
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JAC – A reforma política desagradará todos vocês aí no Congresso! Temo pelo que vou dizer, porque é triste. Mas a Reforma Política necessária nesta nação somente será executada se todos no Congresso nacional resolverem tirar férias prolongadas e somente voltarem à casa com as reformas já em vigor! Caso contrário, esqueça este assunto! Pare de fazer palanque em cima daquilo que é in-exequível na origem!
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ISTOÉ – Esses não são os problemas de sempre na relação com as bases aliadas?
Aécio – A presidenta vive uma armadilha que ela própria montou: um governo que é de cooptação, não de coalizão. O governo se pauta permanentemente pela busca de novos aliados, o que o leva à paralisia. As grandes questões que interessam ao País não andam no Congresso porque não há unidade na base. Existe apenas disputa por espaço no governo.
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JAC – Faltou dizer algo Senador! Faltou citar que não existem dentro do Congresso Nacional lideranças capazes de ocupar a tribuna e fazer discursos não demagógicos e nem eleitoreiros mostrando os caminhos e apresentando propostas. Faltou dizer da falta de probidade de quase todos nossos representantes, que não conseguem convencer nem os próprios pares a respeito das necessidades prementes do país e da nação.
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ISTOÉ – Não é normal que se façam alianças para governar?
Aécio – As alianças deste governo levaram à eleição do Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, colocaram Renan Calheiros na presidência do Senado e Henrique Alves na presidência da Câmara. Cada vez mais, o PT cria cargos públicos para atender a sua turma. O que ocorre agora é assustador. Quando Fernando Henrique deixou o governo havia 1.200 cargos em comissão no âmbito da Presidência da República. Hoje são quatro mil. Essa é a lógica do PT: o empreguismo, o aparelhamento da máquina. A lógica da democracia é ter os partidos políticos a serviço do Estado. O PT inverteu isso. Colocou o Estado a serviço de um partido político. Em todos os níveis, a ocupação do governo pelos partidos aliados é assombrosa.
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JAC – Assombroso ao extremo Senador! Mais assombroso ainda é ver uma oposição pífia e inoperante, deixando tudo acontecer debaixo do seu nariz e, pior, valendo-se disso em bravatas eleitoreiras.
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ISTOÉ – Quando o PSDB estava no poder não ocorria o mesmo?
Aécio – É muito diferente. Não estou dizendo que não tivemos problemas lá atrás. Esse compartilhamento sempre houve, mas nunca nos níveis de hoje. Criou-se a imagem de que a presidenta Dilma fazia uma grande faxina sem levar em conta que foi ela própria quem colocou aquelas pessoas no cargo para atender às imposições dos partidos de seu entorno. Temos um país à deriva em busca de um gestor ou de uma gestora eficiente.
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JAC – Um país que continuará à deriva (do ponto de vista do contribuinte) enquanto as preocupações dos nossos representantes forem encontrar meios de alçar ao poder e continuar a serviço dos mesmos detentores verdadeiros deste poder: o poder econômico que manda e desmanda, faz e desfaz ao seu bel prazer e conveniência.
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ISTOÉ – Mas a presidenta ganhou a eleição com apelo de gestora competente.
Aécio – As principais obras de infraestrutura no País estão paralisadas. O Tribunal de Contas mostra que 48% das obras do PAC têm algum tipo de desvio ou de superfaturamento. A transposição do rio São Francisco está com apenas 40% das obras prontas e o orçamento, que era de R$ 4,5 bilhões, chega a mais de R$ 8 bilhões. A Transnordestina tinha orçamento de R$ 4 bilhões, já está em R$ 7 bilhões e nunca passou um trem por ela. Na Norte-Sul, além de superfaturamento, estamos descobrindo agora que o material utilizado era impróprio. A refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, foi orçada em R$ 4 bilhões e vai ser um campeão nacional: será a refinaria mais cara do mundo. Não há planejamento, as obras estão paradas e a economia está parada.
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JAC – O senhor Senador está sugerindo que o ocupante da cadeira Número Um da nação passe 24 horas por dia analizando planilhas, custos, comparando preços de mercado? A questão é estrutural e não foi inventada na última década nem no último meio século. Probidade e honestidade no trato com a rés-pública (coisa pública) nasce dentro das instituições e alastra-se pela nação inteira.
A correção vai muito além de uma simples troca do partido que está exercendo o poder! Entendo que Vossa Senhoria embora ciente, não fale para não desagradar seus pares! Mas não espere o meu voto com este discurso morno e enviezado.
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ISTOÉ – A oposição não está superdimensionando a volta da inflação?
Aécio – A inflação de alimentos já está em 14% nos últimos 12 meses. E quem ganha até 2,5 salários mínimos – 90% dos empregos gerados na era petista são nessa faixa – gasta em média 30% da renda com alimentação. Isso é muito grave.
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JAC – Gravíssimo Senador. Está precisando que alguma liderança forte converse com seriedade com os agentes econômicos e com os formadores de preços. Inflação de demanda numa nação com as pessoas mantendo a procura em alta, tem cheiro de podridão (prá não dizer golpe baixo).
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ISTOÉ – O sr. não acredita que o Banco Central manterá a meta inflacionária?
Aécio – A meta já é virtual, não existe mais. Não a atingimos nos dois
primeiros anos do governo Dilma e não vamos atingi-la novamente. Parece que eles focam o teto da meta como se fosse o centro. Isso gera uma enorme insegurança no mercado e dúvidas sobre o real compromisso deste governo com o controle da inflação.
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JAC – Péssimo prognóstico o seu! Até parece que o Senador torce pelo “quanto pior melhor”. Melhor para você que aspira ser vencedor nas próximas eleições e para seu partido. Pior, muito pior para o povo brasileiro.
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ISTOÉ – Qual é a marca do governo Dilma, em sua opinião?
Aécio – O governo Dilma não tem marca. É sintomático que a presidenta se apresse para comemorar os dez anos de governo do PT. É uma forma de esconder os dois anos do governo Dilma: ela acopla os dois anos dela aos oito de Lula, quando realmente vivemos um período de maior expansão dos programas sociais. Pegar uma carona com o presidente Lula é mais uma demonstração de fragilidade. O que caracteriza o governo Dilma é a insegurança jurídica que afugenta empresários. O mundo está se recuperando, mas o Brasil está ficando de fora. Onde o investidor vai colocar seus recursos? No Brasil da insegurança, das intervenções, do viés autoritário latente? O PT não convive bem com a democracia.
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JAC – Ah! O investidor… aquele que detém o verdadeiro poder de mandar e desmandar, fazer e desfazer. Basta que uma meia dúzia deles resolva levar o dinheiro prá lá e pronto! Lá passa a ser o melhor lugar do mundo para o povo de lá! Quando eles resolvem tirar o dinheiro de lá… ninguém pode impedir e o lugar volta a ser o inferno de sempre!
E… por enquanto pouquíssimos de nós aqui, denunciamos esta faceta desumana e perversa do capitalismo selvagem.
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ISTOÉ – Onde o sr. identifica esses focos de insegurança?
Aécio – A realidade é que o sentimento lá fora é de muita cautela em relação ao Brasil. As agências reguladoras são um exemplo. Elas foram aparelhadas por gente sem a menor identificação com a área. Agora vemos a permissividade das pessoas dessas agências montando negócios com a bênção dos poderosos. Para o Brasil será bom o PT tirar férias e para o PT será bom ir para a oposição. Assim, quem sabe eles se reencontrem com os valores que levaram à sua criação e ao seu crescimento. O PT hoje é um partido que só pensa na manutenção do poder, mesmo que para isso coloque em risco a democracia e a liberdade. A agenda do PT não faz bem nem ao Brasil nem à democracia.
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JAC – Estou (estamos muitos de nós) aguardando a agenda não eleitoreira, a ser apresentada à nação. Tomara que Vossa Senhoria tenha esta agenda e a apresente com convicção, abandonando de vez as bravatas e o discurso puramente eleitoreiro.
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ISTOÉ – As questões éticas voltarão ao centro da disputa presidencial?
Aécio – É um ponto que estará na campanha. O ministro Ayres Britto me dizia outro dia que a questão da sustentabilidade precisa ir além do tema ambiental. Precisamos de sustentabilidade moral. Acho que a decisão do STF permitiu ao Brasil ter pela primeira vez um sentimento de que a impunidade não é um valor absoluto. Isso não podemos deixar que se perca. Uma nação, para ser desenvolvida, tem de se render aos valores éticos. E esse será um papel importante do PSDB nessa campanha. Vamos mostrar que a democracia não pode ser ameaçada com a concentração de poderes.
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JAC – Não é “se render aos valores éticos” Senador. É intuir que a prática de valores opostos tem vida curta. A ética e a probidade, na política, deveriam ser prática constante valorizada pelos próprios eleitos. E Vossa Senhoria sabe que no Brasil estes valores estão invertidos há décadas. Pior: contaminando todo o resto da sociedade.
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ISTOÉ – O sr. não teme que esse discurso possa parecer eleitoreiro, já que há poucos anos o sr. brigava no partido em busca de entendimentos com o PT?
Aécio – Confesso que busquei isso e, em determinado momento, enxerguei a possibilidade de uma ação conjunta para avançarmos em termos sociais. Cheguei a construir em Belo Horizonte uma aliança com o atual ministro Fernando Pimentel. Mas a oposição no PT foi raivosa, inclusive punindo o próprio Pimentel. O PT preferiu outros aliados e cada vez mais as nossas diferenças se acentuaram.
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JAC – Pois é… sua tentativa de colocar o Pimentel na cadeira em Minas, ao mesmo tempo que Vossa senhoria ocuparia a Presidência, esbarrou naquilo que não pode NUNCA deixar de existir: a vontade do verdadeiro dono do poder, o povo.
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ISTOÉ – Nas últimas eleições, o PSDB levou para a campanha temas como o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo. Esses assuntos estarão presentes de novo em 2014?
Aécio – Espero que não. Essas não são questões de responsabilidade de um presidente da República.
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JAC – Correto! Fale direto e com franqueza que eu nada terei a observar.
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ISTOÉ – Mas, pessoalmente, o sr. é a favor ou contra essas questões?
Aécio – Sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso já está incorporado ao mundo moderno. Com relação ao aborto, defendo a legislação atual. Mas o meu esforço é demonstrar que o novo é o PSDB e o velho é o PT, pelos acordos que vem fazendo com os setores mais atrasados da vida nacional.
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JAC – Os setores são os mesmos Senador! Numa situação ou noutra, eles são aqueles que adoram estar diuturnamente nas varandas do Rei. Classificar a mesma troupe como atrasada ou progressista conforme a ocasião, é esvaziar o próprio discurso.
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ISTOÉ – O sr. não acha que o País melhorou?
Aécio – Reconheço que o Brasil de hoje é melhor do que era há 20 anos. Até melhor do que dez anos atrás. Mas isso é um processo. Ao contrário do PT, que gosta de fazer parecer que o Brasil foi descoberto em 2003, temos clareza de que isso é produto de um processo. O maior programa de distribuição de renda que houve no País foi o Plano Real, que deixou de punir os brasileiros com o imposto inflacionário e os trouxe para o consumo. De lá para cá, avanços ocorreram, não podemos negar.
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JAC – Muitos avanços Senador. Poderiam ter ocorrido mais avanços, se a classe política desta nação (independente de partidarismos e lutas por fatias do poder) molhasse a camisa de suor, trabalhando a favor do povo, antes de trabalhar a favor do próprio enriquecimento. Lembre-se das palavras de FHC dirigidas a você, há alguns anos, aqui no Automóvel Clube de Belo Horizonte.
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ISTOÉ – Que avanços?
Aécio – O PT fez duas coisas muito importantes. A primeira foi esquecer o seu discurso e manter por algum tempo – hoje não mais mantém – os pilares macroeconômicos herdados do governo Fernando Henrique: meta de inflação, câmbio flutuante e superávit nas contas. Esses pilares foram fundamentais para que o Brasil tivesse algum sucesso no campo econômico. Além disso, o presidente Lula teve a virtude de unificar e amplificar os programas de transferência de renda. Isso foi importante, mas é insuficiente. Hoje o PT só tem a agenda do poder.
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JAC – Esqueceu-se de citar o Fundeb, que já mutiplicou por quase três os investimentos em Educação Pública nos últimos cinco anos.
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ISTOÉ – Como caminham essas conversas entre a oposição?
Aécio – No quadro político brasileiro, é muito bom ter uma candidatura como a da Marina. Vai trazer temas importantes para o debate. A candidatura do Eduardo Campos, que espero que se confirme, também vai trazer uma discussão mais profunda. Vamos falar de desenvolvimento regional, de agenda da gestão pública, da federação. O governo é que parece atemorizado, querendo ganhar por WO.
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JAC – Dividir para conquistar, não é mesmo Senador? Cuidado! O tiro pode sair pela culatra.
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