Opinião

Por Observador Conteúdo, em 14/06/2013 às 14:12  

Castells: somos anjos e demônios na Internet

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O sociólogo espanhol Manuel Castells afirma que a principal semelhança na onda de protestos pelo planeta é a internet. A rede mundial tornou as relações mais horizontais, apartidárias e sem líderes. “Uma marca destes movimentos é que eles não aceitam líderes, e quando surge a presença de algum, logo há uma reação contrária dos participantes”, disse o sociólogo. Castells, um dos mais respeitados especialistas no assunto citou em palestra no iFHC o caso do Movimento 5 Estrelas, que na última eleição nacional da Itália surpreendeu ao canalizar a insatisfação da população contra as medidas de austeridade fiscal exigidas pela União Europeia e obteve 26% da votação. Uma das principais características do movimento, organizado pelo comediante Beppe Grillo, foi a construção de uma forma de participação política à margem dos modelos tradicionais. O especialista em mídia e política atribuiu a onda mundial de protestos a um novo espaço público cuja marca é a “autocomunicação de massas”.  Na conferência que realizou no Brasil, noticiada pela Folha S Paulo, Castells disse que a lógica midiática leva à “personalização extrema da política”, na qual “a mensagem política se resume a um rosto a ser eleito” – ou a ser destruído em escândalos midiáticos. “Se a confiança na pessoa é a mensagem central, a principal arma de combate político é a destruição dessa pessoa”, afirmou. O resultado é a desconfiança geral em relação à política. A internet, para Castells, altera esse esquema de dois modos: ao permitir a “autocomunicação”, retirando a mediação dos meios de comunicação, e ao aglutinar demandas “emocionais”, como a “dignidade” reivindicada por movimentos europeus. “A internet é a liberdade e é um meio de perdermos o medo juntos”, disse Castells. Para ele, já vivemos uma “virtualidade real” e não mais uma “realidade virtual”. “A rede é a infraestrutura de nossas vidas”, afirmou. “Somos anjos e demônios. Viver na internet tem um perigo: nós mesmos”.

 




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