Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 27/06/2013 às 15:14  

Para o Froes voltar a estudar.

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Terá a inovação tecnológica atingido sua fronteira final?

Fabrizio Carmignani (Universidade Griffith) – The Conversation – 25/03/2013

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=inovacao-tecnologica-fronteira-final&id=010150130325&ebol=sim

Tecnologia e crescimento econômico

Os economistas ainda não contam com uma teoria unificada do crescimento econômico.

Livros e revistas acadêmicas contêm uma infinidade de modelos e paradigmas que geram diferentes (e por vezes contraditórias) previsões sobre a mecânica do processo de crescimento.

Em meio a essa confusão intelectual, um elemento em comum na maioria dos modelos de crescimento modernos da Teoria Neoclássica do Crescimento, desde sua elaboração por Solow, em 1956, está o papel central das melhorias “tecnológicas” para a promoção e manutenção da expansão do PIB a longo prazo.

Em economia, tecnologia refere-se ao modo como entradas – como matérias-primas – para o processo de produção são transformadas em saídas – eventualmente produtos.

Melhorias tecnológicas aumentam a produtividade das entradas, o que significa que se pode obter mais saídas a partir da mesma quantidade de entradas.

Por isso, um país não pode sustentar o crescimento do PIB se sua tecnologia não melhorar.

O que está por trás das melhorias tecnológicas são novas ideias e descobertas.

A descoberta da eletricidade e o desenvolvimento do motor de combustão interna são apenas duas das várias inovações tecnológicas do século 19 que permitiram que a economia mundial crescesse tão rápido nos primeiros 70 anos do século 20.

É claro, as ideias não precisam ser limitadas a feitos de engenharia. A decisão de Henry Ford, em 1914, de pagar salários bem acima do mercado (hoje chamamos isso de “salário de eficiência”) foi uma ideia que impulsionou a produtividade tanto quanto outras técnicas inovadoras de produção em massa de Ford.

Por mais de dois séculos e meio, desde a Primeira Revolução Industrial (1760-1830), os avanços tecnológicos têm estado na origem de um aumento sem precedentes na renda per capita na história humana.

Crescimento econômico não é para sempre

Mas será possível que estejamos chegando no final desta era de crescimento econômico rápido?

Em agosto de 2012, o professor Robert J. Gordon, da Universidade Northwestern (EUA), publicou um artigo para desafiar o quase universal pressuposto de que o crescimento econômico é um processo contínuo que vai durar para sempre.

O argumento de Gordon é preocupantemente simples: se não formos capazes de gerar uma nova revolução industrial (ou melhor, uma sequência de novas revoluções industriais), o crescimento econômico nas economias avançadas inevitavelmente se aproximará de zero até o final deste século, e vai ficar lá por um tempo indeterminado.

Este argumento baseia-se na observação de que o crescimento econômico foi efetivamente próximo de zero ao longo da história humana, até por volta de 1750.

Então aconteceram as revoluções industriais. A Primeira Revolução Industrial (das máquinas a vapor e das ferrovias) provocou uma aceleração inicial de crescimento nos países (particularmente no Reino Unido) que adotaram as novas tecnologias.

Mas foi a Segunda Revolução Industrial (eletricidade, motor a combustão interna, produtos químicos, petróleo) e invenções derivadas (aviões, rodovias interestaduais, etc) que foram realmente responsáveis por quase um século de aumento rápido de produtividade entre o final de 1800 e o início dos anos 1970. Foi durante essa fase que o crescimento do PIB atingiu seu pico em economias tecnologicamente avançadas.

Estamos vivendo atualmente a Terceira Revolução Industrial (computadores, web, comunicação móvel).

De acordo com os dados de Gordon, no entanto, esta gerou um impulso mais suave e mais efêmero na produtividade do que a Segunda Revolução Industrial. Consequentemente, o crescimento econômico começou a diminuir.

No seu ritmo atual de declínio, o crescimento econômico vai retornar ao seu nível pré-1750 em 2100.

Novo impulso tecnológico

É claro que um novo impulso tecnológico poderia deter o declínio e iniciar uma nova fase de alta produtividade e crescimento do PIB.

Mas Gordon argumenta que não é provável que isso aconteça. Com certeza nós vivemos em um mundo onde novos produtos tecnológicos tornam-se disponíveis quase continuamente. Mas nem todas as invenções são iguais.

Uma forte aceleração do crescimento seguiu-se à Segunda Revolução Industrial, mas não à Terceira, cujos efeitos parecem ter sido bastante limitados.

Mas, nas palavras de Gordon, a Segunda Revolução Industrial consistiu de invenções que “só podem acontecer uma única vez”. Por isso, é difícil que novas revoluções industriais como a segunda aconteçam de novo no futuro.

Ou, em outras palavras, a tecnologia vai continuar a melhorar, mas estas melhorias não serão do tipo necessário para dar um novo impulso à produtividade e ao crescimento do PIB. O recuo da inovação acabará por levar a um futuro de estagnação.

Vida e morte das profecias

O tempo provou que a Profecia Maia estava errada. Mas e quanto à Profecia de Gordon?

Um futuro de crescimento econômico quase zero, com renda per capita estagnada, é algo que a maioria (embora não todos) temeria. Sem crescimento econômico é difícil melhorar os padrões de vida, reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento social e humano.

Mas pode haver razões para não se desesperar.

Em primeiro lugar, a análise de Gordon é limitada em vários aspectos. Ele explicitamente se concentra em países na fronteira da inovação tecnológica, isto é, o Reino Unido até 1906 e os EUA depois disso. Então, o que ele prevê é que o crescimento econômico nos EUA, e, por extensão, nas outras economias tecnologicamente mais avançadas, vai cair para zero em 2100.

Entretanto, o mundo é composto de muitos países que não estão na fronteira. Para esses países, o crescimento positivo irá persistir para além de 2100, até que eles se equiparem aos EUA. Nesse ponto, o crescimento será provavelmente zero para todos os países, mas pelo menos as disparidades de renda per capita entre os países terão sido reduzidas significativamente.

Em segundo lugar, é muito difícil fazer previsões de longo prazo. Isto é particularmente verdadeiro em economia. Independentemente da qualidade dos dados e quão razoável seja a intuição subjacente, qualquer previsão sobre com o que a dinâmica econômica poderá se parecer em 2100 é, necessariamente altamente especulativa. Por isso, não é surpreendente que o próprio Gordon apresente sua teoria como “deliberadamente provocadora”.

Terceiro, argumentar hoje que uma onda de progresso tecnológico de amplitude e relevância comparáveis às da Segunda Revolução Industrial não vai acontecer no futuro distante é, novamente, uma mera especulação.

Algumas inovações podem ser menos potencializadoras do crescimento econômico do que outras. Mas nos sistemas econômicos dinâmicos e altamente interligados da atualidade, os empresários buscam continuamente oportunidades de inovar a fim de se ajustar a choques e ambientes em constante mudança.

É por causa dessa “resiliência empresarial” que o progresso tecnológico ocorre e não há razões para acreditar que isso não vai eventualmente evoluir para uma nova revolução industrial.




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