Brasil

Por Se o Povo Soubesse, em 15/06/2013 às 17:53  

Passe Livre: O governo federal é hoje o maior inimigo da mobilidade no país

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Por mais que os protestos contra o “aumento do busão” em várias capitais se turvem por atos de violência de manifestantes e policiais, o fato é que eles forçam a discussão sobre os transportes públicos. E isso pode, por linhas tortas, vir a beneficiar o país, forçando a inversão da prioridade, do apoio ao consumo dos carros para o incentivo ao uso dos meios coletivos de locomoção.

Para isso, é preciso constatar e superar a obsessão do poder no Brasil por subsidiar as fábricas de carros e o preço da gasolina. São esses subsídios diretos para o transporte individualista que  fazem com que hoje o governo federal seja o maior inimigo da mobilidade urbana. Financia cada vez mais automóveis e mantém a gasolina congelada, o que torna mais barato rodar de automóvel do que de ônibus.

Com isso, hoje todas as capitais do Brasil estão engarrafadas. Os famosos congestionamentos paulistanos foram clonados em todo o país. A hora do rush torna mais demorados os deslocamentos no Rio, em Belo Horizonte, em Recife, em Manaus, em Brasília, em Porto Alegre e até na pequena Boa Vista. A mesma União que ajuda a enfiar estimados 700 mil novos veículos por ano em São Paulo, não gasta um centavo na construção de seu Metrô ou no subsídio ao diesel na maior cidade do país.

Os municípios empobrecidos não têm capacidade de aumentar os subsídios que já pagam e com isso têm de repassar a maior parte dos custos para as tarifas dos transportes públicos. A União, grande arrecadadora de impostos, também tira capacidade de ação dos Estados, uma vez que as grandes contas como Educação e Saúde, são estaduais.

Se o governo federal usasse para subsidiar as tarifas os mesmos bilhões que gasta para engraxar sapatos da indústria automobilística e subsidiar a gasolina, poderíamos ter reduções importantes nas tarifas de transportes públicos em todas as grandes cidades do país, com impacto positivo nos congestionamentos e na poluição, melhoria da mobilidade e também da saúde. Fazendo contas na ponta do lápis, talvez “Passe Livre” não seja um papo assim tão maluco. Mas para isso, aparentemente, a presidente Dilma teria que acordar para o problema, ouvir opiniões divergentes, o que não parece ser de sua natureza. Quem sabe se as manifestações se deslocarem para Brasília ela não ouça a voz das ruas?




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