Opinião

Por xicograziano, em 23/07/2013 às 08:11  

Feijão chinês: a produção de alimentos e a reforma agrária

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O Brasil está produzindo a menor safra de feijão dos últimos 12 anos. Qual a razão?
O modo de produção antigo, tocado com pouca tecnologia, ainda subsiste, especialmente na agricultura nordestina, mas produz num patamar de baixa qualidade, atendendo apenas aos mercados regionais. Os cultivos de feijão dominantes no Sudeste são marcadamente empresariais. Embora as áreas plantadas sejam relativamente reduzidas, a natureza da produção expressa elevada tecnologia, alto custo, especialização, forte vinculação ao mercado, todos os requisitos da moderna produção no campo. Nada que ver com as roças de subsistência: quem sustenta os trabalhadores da metrópole é o feijão capitalista.
Se estiver faltando feijão no mercado, isso se deve à falta de rentabilidade diante das alternativas de produção. No Sudoeste Paulista, por exemplo, a soja e o milho ocuparam seu espaço. Idem no Paraná. Em Goiás e na Bahia, ademais, a seca prejudicou recentemente as lavouras. Como o grão não configura uma commodity, com oferta consolidada no mercado internacional, as importações são incertas. Apenas a China, quem diria, dispõe de algum estoque, colhido ano passado.Um paradoxo permeia o campo. O Brasil realizou, nos últimos 20 anos, a maior distribuição de terras conhecida no mundo democrático, repartindo 90 milhões de hectares entre 1,2 milhão de famílias sem terra. Na prática, porém, essa volumosa reforma agrária pouco elevou o nível da produção interna de alimentos básicos. Por alguma razão, nunca devidamente explicitada, os assentados não se dedicaram a produzir o feijão nosso de cada dia. Muita política, pouco resultado.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,feijao-chines-,1056316,0.htm




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