Opinião

Por José Antônio da Conceição, em 18/07/2013 às 09:43  

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Em notícia veiculada pela Agência Brasil EBC*, o ator e dublador português Guilherme Ferreira de Macedo, de 23 anos, que acompanha as manifestações no Brasil pela internet e participou do ato acontecido ontem em Lisboa, enxerga uma razão que aglutina os protestos, inclusive em outros países. “A revolta com o aumento das passagens é apenas uma parte de um problema que não se vive apenas no Brasil. Em outras partes do mundo há essa atmosfera e ocorrem protestos apartidários e a favor de uma mudança política profunda e maior que se quer mostrar. Não é o aumento dos transportes públicos que está levando as pessoas para as ruas, também é toda a pressão social de uma política que se baseia no [interesse do] capital.”
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Se existe pressão e revolta popular contra a política baseada na defesa dos interesses do capital, pede-se que a política seja também baseada no interesse do atendimento às demandas sociais. Saúde, Educação de Qualidade Social, Segurança, Transporte público ágil e de qualidade, Emprego, lugar decente para residir, Saneamento além do básico e Salários dignos estão na pauta de reivindicações de todo o povo.
Todo o povo mesmo? Os ricos e milionários que não são diretamente atingidos pela péssima qualidade dos serviços citados, deveriam também ir para as ruas e protestar? Creio que sim.

A sociedade, apesar de segmentada é uma só e, todos sofrem as consequências quando a deterioração dos costumes atinge níveis considerados intoleráveis. Filhos de ricos e milionários também são assaltados, suas protegidas residências são cobiçadas por guardarem riquezas fora do alcance da maioria da população. Seus negócios ou estabelecimentos são alvo de depredações nos momentos de convulsão social incontrolável e suas vendas de produtos ou serviços diminuem progressivamente quando o lado social de maioria da população fica muito aquém na distribuição da renda nacional.

Encontrar o equilíbrio na defesa dos dois interesses aparentemente antagônicos é tarefa a ser executada com maestria e muita urgência pela classe política. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, é o ditado popular que sugere este equilíbrio necessário. Não é tarefa fácil, porém não é tarefa impossível.

Estado, governo e instituições estão deteriorados e muito longe do funcionamento ideal. Foram imaginados na Grécia antiga e, implantados com o advento da Revolução Francesa de 1789. O Brasil, tornado independente 33 anos após a Queda da Bastilha e transformado em República 110 anos depois, é país pacífico, de rica cultura e conta com um povo tido pelo resto do mundo como hospitaleiro, bonito e alegre. Porém, enganam-se os que adjetivam o povo brasileiro como pacato e dócil.

Nasci no início da segunda metade do século passado e durante a minha vida pude presenciar o povo brasileiro nas ruas por três vezes, em épocas diferentes, exigindo mudanças nos destinos da nação. Nas vezes anteriores os Partidos Políticos capitaneavam as reivindicações. Nas manifestações contemporâneas, as bandeiras dos Partidos estão sendo rechaçadas no meio das multidões que invadem as ruas para protestar. Não existem palanques, shows ou discursos oficiais.

Que este desejo de distanciamento das siglas partidárias explicitado pelo povo seja lido e interpretado corretamente pelos políticos. Quiçá, da reflexão sincera dos políticos detentores de mandatos e cargos administrativos, resulte o equilíbrio que todo o povo almeja. No mundo inteiro.

José Antônio da Conceição

* http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-18/brasileiros-em-portugal-fazem-ato-em-apoio-manifestacoes-no-brasil

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