Opinião

Por , em 07/08/2013 às 13:41  

Pesquisa direcionada OAB/Ibope-Reforma Política

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A OAB nacional contratou pesquisa do Instituto Ibope para avaliar opinião da população sobre a Reforma Política. Conseguiu um feito. Direcionar as perguntas de modo a obter respostas favoráveis às ideias antidemocráticas que o partido dos trabalhadores tenta impor à população brasileira. A pesquisa trás como resultados, surpreendentemente, que a 85%  população é contra o financiamento privado de campanhas. Entretanto a forma como foi feita a pergunta gera um viés para a resposta “sim”, dando uma enfase as palavras “partido, campanhas e empresas privadas” direcionando o entendimento de que nessa articulação há algo anômalo, extraordinário, quase imoral. Questiono. E se a pergunta para avaliar o financiamento de campanhas tivesse sido feito da seguinte forma:  deveria ser permitido dinheiro público em campanhas políticas? Ou; as pessoas podem ser livres para doar dinheiro para seus candidatos de preferência? Aqui certamente teriamos um resultado diferente.

Outro questionamento da pesquisa leva a um resultado ainda mais surpreendente e que vai contra até o voto direto. Na  forma de se eleger deputados a pergunta foi feita da seguinte forma, segundo a própria fonte da pesquisa divulgada pela OAB: Falando agora sobre a maneira como elegemos um deputado, qual das seguintes maneiras que vou ler o(a) sr(a) prefere? A maneira como é hoje, ou seja, votando no nome do candidato; ou uma maneira nova, em que se passe a votar em listas de propostas e só depois na lista de candidatos? A a questão consegue um feito, colocar uma conquista do povo brasileiro, o voto direto em deputados, como algo velho e ultrapassado, direcionando a resposta de uma pergunta que é complexa ligando a opção do “sim” à prosposta do que é “maneira nova”. Para o cidadão que está sendo entrevistado e que, como grande parte do povo está descontente, com a status político atual a “maneira nova”, para o desavisado, das más intenções do financiador da pesquisa, acaba sendo esta a opção escolhida, o desavisado não vai imaginar que o entrevistador vai lhe propor algo que remete a menos transparência, o que já é um senso comum anticorrupção. O entrevistador direciona o entrevistado a responder “maneira nova” somente pelo sentimento de mudança estabelecendo um retrocesso na transparência da eleição dos cargos de deputados no Brasil. Tudo poderia ser dito da seguinte forma: de como fazer o povo concordar com a eleição indireta para deputados.

Essa parte da pesquisa que pretende investigar a voto em lista ou direto poderia ter sido feita da seguinte forma. Você concorda em votar no partido ou no candidato? Ou; você gostaria que um partido político escolhesse o deputado que irá te representar? Aqui, está evidente que o voto em lista certamente não contaria com o apoio da população.

Chama atenção também a inclusão da pergunta se a população deseja mudança imediatas ou não. Aqui é fácil o direcionamento, pois todos gostam que mudanças, que subtentendidas “para melhor” (o senso comum não prevê que sejam feitas pesquisas “para pior”) venham rapidamente.

Curioso que a pesquisa não tenha incluído em sua investigação questionamento sobre o voto distrital, essa modalidade, também que também seria nova, evitaria  a conjunção de votos de protesto nacionalmente facilitando a eleição de canditados sem prospostas formais. No voto distrital temos eleição de canditados mais compromissados com seu território. Para conhecimento: o voto distrital ou mesmo o distrital misto não está incluído entre as propostas do partido dos trabalhadores.

Essa pesquisa OAB/Ibope serve, principalmente, para temermos um plebiscito para questões tão complexas. A  redação das perguntas pode sim direcionar as respostas gerando um viés de resultado que está longe do anseio da sociedade. Afinal de contas doação privada para campanha política é uma das faces da liberdade de expressão, e voto em lista para deputados é diminuição da transparência de escolha dos nossos representantes.




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