Opinião

Por , em 01/08/2013 às 18:41  

Provocação ao Senador Cristóvam Buarque: Vamos Revolucionar a Educação?

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Caro Professor e Senador Cristóvam Buarque,

acompanho com muito gosto os seus discursos e entrevistas pela TV Senado, especialmente sobre a nacionalização do custeio da Educação e a hipótese do “decrescimento”.

Contudo, gostaria de fazer uma provocação.

E se nós revolucionássemos a educação básica no Brasil, rompendo os seus grilhões (conteúdo programático do MEC, obrigatoriedade de carga horária na sala de aula, e estrutura rígida de progressão), e permitindo ao aluno e aos gestores e professores: a) ministrar conteúdos livremente, independente da faixa etária do aluno; b) escolher e testar metodologias pedagógicas de forma livre e dinâmica; c) não mais vincular o grau de formação do aluno à sua faixa etária; d) dar mais valor ao conteúdo e habilidades obtidas pelo aluno do que ao seu tempo em sala de aula.

Precisamos pensar a educação para este novo século, acabar com certos clichês e amarras do século passado. Com internet, teledifusão (telecursos), democracia formal plena, etc, o aluno pode ir e voltar de diversas realidades, engrenar novos diálogos, ir além do provincianismo da sala de aula.

Como critério de uniformização de rumos, o MEC faria um teste anual, um para cada um dos 12 anos de ensino básico, com um edital contendo o conteúdo programático mínimo correspondente para aquele nível de formação. E o aluno, se aprovado, poderia passar para o próximo nível, sem que lhe fosse exigido: a) presença em sala de aula; b) ter a faixa etária mínima daquele nível de formação; c) ter tido aula de todas as disciplinas exigidas no edital. E o mesmo candidato poderia fazer mais de uma prova no mesmo ano – permitindo assim, por exemplo, que um adolescente de 14 ou 15 anos concluísse o nível médio, se apto a tal.

Com isso, o próprio papel do gestor seria também revolucionado. Ao invés de apenas cumprir a cantilena burocrática de montar 12 séries com X turmas em cada, o gestor prepararia alunos para atingirem as notas de graduação em cada prova do MEC, inclusive remodelando as turmas por capacidade de cada aluno (de, por exemplo, ser aprovado em mais de um nível), independente de faixa etária. Ou com aulas condensadas em 2 ou 3 meses, ou com aulas só à tarde, ou à noite, ou só nos fins de semana. Mais carga horária para artes e educação física, por exemplo.

O gestor seria livre para pensar a educação e experimentar o novo – desde que seus resultados fossem obtidos: um alto grau de aprovação de alunos nas provas do MEC (tendo como parâmetro mínimo o índice de 100% aprovação dos alunos de 11 anos, por exemplo, na prova para obtenção do nível de graduação correspondente a essa idade – mas não exclusivo dessa idade).

E o MEC pensaria essas provas como diretrizes do nosso sistema educacional: qual educação nós queremos para cada nível de graduação?

Divididos em 12 níveis de graduação, desafios a serem obtidos como quem passa de “level” num jogo de videogame, os nossos alunos seriam estimulados a irem além da mediocridade, e tentarem vencer esses 12 níveis o mais rápido possível, a administrar o seu tempo e focar na aprovação nas provas anuais do MEC, tendo depois mais tempo para a arte e o esporte.

E na repartição de recursos, os gestores receberiam mais verbas na medida de quanto fossem maiores os índices de aprovação obtidos pelos seus alunos. Essa sim seria uma educação na qual valeria a pena investir os petrodólares do pré-sal.

Qual a sua opinião a respeito?




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