Brasil

Por Juarez Dietrich, em 12/09/2013 às 17:29  

Aliança do Pacífico: Brasil renunciou à primogenitura

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A “Aliança do Pacífico” agora formada por Chile, Colômbia, Peru e México devolveu-me à memória uma premonição já então, em 2009, temerosa, quando escrevi a monografia “Um País, dois Sistemas” no Insper. Vê-se agora que era apenas uma previsão, quase aritmética e básica. Nada de novo quando já dizia que “quando este bloco latino americano orientado à liberdade econômica, mas espalhado geograficamente, finalmente formalizar uma região de negócios integrados entre si, passará a ocupar pelo menos a 42a posição no ranking de liberdade econômica, com extensão territorial e populações suficientes para superar a economia de Brasil e Argentina. E estaremos cercados, submetidos … aos sistemas e modelos de negócios dos vizinhos. Não há dificuldade técnica para isto ocorrer, sob processos de globalização e avanços tecnológicos.

Quando o México se somar a estes interesses estratégicos, trazendo consigo seu entorno na América Central e no Caribe, além da sustentação norte-americana, definitivamente constataremos as consequências do descompasso histórico brasileiro sem liderar a região, por falta de força econômica, que hoje é definitivamente orientada, no mundo desenvolvido, aos valores mais fundamentais da vida em sociedade – empreendimento, inovação, criatividade, desenvolvimento sustentado e modernidade social (e do Estado), sob liberdades econômicas.

“Quando”, dizia, “significa o momento futuro inexorável da cristalização dos interesses e direções estratégicas, pelo próprio peso natural de cada processo – cada vez mais encurtado pela pelas telecomunicações e pelo desdobramento das relações que vão se estabelecendo em função do benefício alcançado.

Neste descompasso, o Brasil seguirá com Argentina e Venezuela, Cuba e Bolívia, num ambiente considerado exótico para os negócios, no mundo desenvolvido: submissão massiva da sociedade pela burocracia estatal, sob o título de protegê-la – o que gera mais torpor e pobreza crônica.

Por uma sopa de lentinhas, Esaul renunciou à progenitura em favor de Jacó (Genesis 25:33). No Brasil, lambuzam-se na sopa do governo eterno, do poder eterno, e renunciam à natural progenitura na América do Sul (pelo menos na América do Sul). Encolhe-se e condena-se ao segundo plano a história da nação e seus 200 milhões de brasileiros. Neste caldeirão quente, a sopa é temperada por imaturidade, ideologias retrógradas e caducas de todos os sabores, fanatismo, mentiras patológicas, corrupção e hedonismo.

É inaceitável que a sociedade brasileira esteja sendo conduzida a abdicar desta liderança no continente só porque as minorias dirigentes preferem o padrão do espólio caótico de Cuba e Venezuela, dois  sonhos igualmente caducos de alguns ditadores na busca do paraíso coletivo estatal, à missão gigante de ser o Brasil um verdadeiro primogênito, e como primogênito se portar, recebendo e tomando posse da grande oportunidade que a história ofereceu: ser o grande novo eldorado do mundo, exemplo e padrão de economia de mercado, de Estado financeira e moralmente saudável, de democracia e liberdades plenas, inclusive as econômicas (ou seja, menos e menores tributos, reforma trabalhista e redução do custo do Estado, dentre outras – v. Fundação www.heritage.org).

Está comprovado que os países com melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) são os mesmos países que têm maiores liberdades econômicas. E com os piores índices, as menores liberdades econômicas.

O Brasil, 100o no ranking da Fundação Heritage, está mais próximo dos últimos, na escala até 180 onde estão Cuba, Coréia do Norte e Venezuela, do que dos primeiros. O Chile ocupa a 7ª posição, Uruguai 36a, Peru 44a e Colômbia 37a. Com estes indicadores ainda se vê, de consequência, dramática redução da importância do Mercosul. Irrelevância mesmo, ao ser desdenhado até pelo Paraguai. O México, com toda sua complexidade social, aparece em 50o lugar. Ele sim, o grande líder econômico da América Latina.

A débil posição brasileira na América Latina decorre menos dos méritos ou deméritos da política externa e seus protocolos que determinam as atuais estratégias orientadas às simpatias bolivarianistas caipiras do que, de fato, de sua debilidade econômica, da falta de estratégias, de seu catatonismo frente à realidade do mercado.

Aquele que deveria liderar como o leão na selva, não tem tido força e agilidade econômicas, descurando seu papel natural no grupo amazônico.

Há uma cegueira que faz com que o País não seja orientado à meta de alcançar o perfil e a grandeza econômica de um líder.

Os discursos megalômanos que somos obrigados a ouvir, que dizem que estamos entre as maiores economias do mundo, não se sustentam no andar da carruagem do dia seguinte. Dados novos do Fórum Econômico Mundial acabam de apontar que há seis países latino-americanos mais competitivos do que o Brasil: México, Chile, Porto Rico, Panamá, Costa Rica e Barbados.

Esaul renunciou à progenitura por fome e imediatismo. O Brasil renuncia à primogenitura por imaturidade, fanatismo e negligência. Preço muito alto.




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