Opinião

Por Gabriel Azevedo, em 24/03/2014 às 08:42  

Olhos no Futuro

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Ontem, algumas pessoas participaram de uma manifestação democrática que pedia um regime que impede manifestações democráticas. Estranho isso, né? Já vi gente marchando por muitos motivos. Marcha da Maconha, Parada Gay, Marcha das Vadias, marcha disso, marcha daquilo… Já assisti boquiaberto a marcha que defendia que as pessoas não fizessem sexo. Juro. É a democracia na sua plenitude. Todo mundo tem o direito de se manifestar.

O fato mais contraditório da manifestação desse sábado foi o pedido. É como se as pessoas que alí estavam se manifestando pedissem: “IMPESSAM-NOS DE MANIFESTARMO-NOS!” Afinal de contas, essa história de gente se unindo na rua para reinvidicar não é coisa da ditadura, convenhamos…

A democracia tem dessas belezas. Permite até que peçam o seu fim. É mesmo uma dama graciosa. Em discurso na Casa dos Comuns, em 11 de Novembro de 1947, meu ídolo Wiston Churchill (que não é perfeito e tem seus defeitos como todos nós) proferiu: “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

O militares estão nos quartéis. Os políticos estão nos plenários. Pode até ser que as coisas não estejam funcionando da melhor maneira possível, mas não convém inverter esses dois de lugar. Tem gente que vive de passado. Eu prefiro viver com os olhos no futuro. Estudei no Colégio Militar. Os militares participaram de maneira significativa da minha formação. Trata-se do melhor estabelecimento de ensino de Minas Gerais, de acordo com o IDEB. Enquanto fui aluno, não houve um militar sequer que defendesse um regime de exceção. Todos sempre me ensinaram democracia. Nas aulas de história, não faltaram as palavras tortura e censura. Ensinaram-me as coisas como elas foram. Ensinaram-me a não repetir essas mesmas coisas.

Precisamos virar essa página. Esquecer jamais. Superar sempre.
As forças armadas brasileiras estão profundamente ligadas à história política nacional. Levamos 99 anos (de 1889 a 1988) para consolidar nossa república. Um militar depôs o imperador. Um militar encerrou o esquema presidencial servido com leite e café. Um militar interrompeu o breve período democratico na decada de sessenta. É só estudar para ver que nenhum desses regimes se sustentou. Da mesma forma, até deixaram alguma coisa positiva. Seja Deodoro, Getúlio ou Figueiredo, é possível apontar legados. Ainda assim, vão por mim… Ditaduras? Não funcionam… Não vale nem a pena tentar. Acreditem no que disse o bom e velho Churchill.

O exemplo vivo disso é a Venezuela. Por lá, houve intervenção militar recente. Ocorreu um golpe dado por um caudilho. O Coronel Hugo Chavez saiu do poder apenas quando morreu. O que é típico, aliás. Esse regime permanece disfarçado com eleições (sim, o totalitarismo também pode ser eleito!). Uma pena que se trate de uma intervenção militar cuja ideologia tem simpatia de muita gente. Para esses, o regime autoritário venezuelano até se justifica. Para mim, não! Não existe ditadura boa. Aprendam: pode haver ditadura para todos os gostos. De Hitler a Stálin, há ideologias para agradar a tara totalitária da esquerda à direita da platéia.

Mesmo no Brasil, enquanto se estabeleceu uma ditadura militar de 1964 a 1984, que consideram de direita, havia aqueles que lutavam não para dar ao país um regime democrático, mas para trocar apenas o viés ideológico mantendo um regime autoritário. Muitos deles estão no poder. Muitos deles estão na Papuda. E como ainda possuem aquele ranço autocrático, vivem a fragilizar as instituições, principais pilares de qualquer estado democrático de direito.

Portanto, antes que alguém grite: “Ordinário! Marche!”, vou logo berrando como aprendi ao comandar o esquadrão de cavalaria: “ALTO!” E tratem logo de prestar continencias. À democracia.

Já que somos todos brasileiros, façamos como uma boa escola de samba. Ao invés de marchar rumo ao passado, vamos evoluir rumo ao futuro.




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