Opinião

Por Leonardo Ramos, em 10/04/2014 às 14:15  

Reforma política e o consenso oco

Tamanho da fonte: a-a+

Essa junção das palavras consenso e oco não é minha. Ouvi da boca da candidata Marina Silva em 2010. Nunca mais esqueci.

O significado básico de consenso é consentimento de impressões, sentimentos e ideias. Oco significa algo que não tem nada dentro. Sem substância.

E a Reforma política, o que ela significa? Pois é, dizem que é a “mãe” de todas as outras reformas que o país clama há muito tempo. É consensual entre analistas, cientistas políticos, sociólogos, antropólogos, economistas e – também – políticos sobre a necessidade de renovar o sistema político e as práticas. Sobre a necessidade de uma transformação profunda na representação e nos deveres no serviço público. Temas como voto distrital misto, voto distrital puro, financiamento de campanha, duração dos mandatos, reeleição, privilégios (e por ai vai) são os tópicos mais discutidos.

Em junho do ano passado, brasileiros de todas as idades marcharam nas ruas clamando, entre outras coisas, por melhores serviços públicos e por uma política mais limpa, mais transparente e que nos represente melhor. Dessa forma, o povo entrou na reforma, mas ela ainda não o encontrou. É mais um ator fazendo parte desse consenso oco.

No auge desses protestos, a presidente Dilma foi à televisão e disse em alto e bom som que faria pactos nacionais e um deles estava restrito a reforma política. Não vingou. Uma constituinte exclusiva? Delírio. Assim como não vingou, no início de 2011 em seu discurso inaugural no Congresso. Assim como não vingou nos trabalhos da famigerada Comissão Parlamentar criada pelo presidente da casa, José Sarney (sim, ele mesmo) que ia discutir a reforma. Evaporou. Isso só para ilustrar as mais recentes “tentativas”.

Pois bem, as eleições estão ai na próxima curva. Mais uma vez estaremos discutindo o futuro e as expectativas. Que país nós queremos? Como vamos seguir avançando? A política é a arte de ampliar as fronteiras do possível. Para isso, tem de ter vontade de fazer e responsabilidade. Que se tenha força de discutir a política de forma muito mais ampla e séria. Sem fla-flu e mesquinharia. Que a oposição marche na recondução das vontades e sobre os temas mais sérios do país. Não será fácil e nem simples. É um processo complexo e demorado. Precisa começar. Tem de ter coragem para conduzir e por que não, tem de ter humanidade.

Pode ser utopia? Talvez. Para célebre escritor Uruguaio, Eduardo Galeano a “a utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”

Que não deixemos de caminhar para transformar esse consenso oco em conteúdo e ações que transformem o Brasil o tornando um país mais justo, equilibrado e desenvolvido.




Nenhuma opinião publicada

O que você tem a dizer?