Economia

Por Observador Conteúdo, em 29/04/2014 às 11:40  

Turismo é a nossa praia

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O turismo brasileiro precisa ser do tamanho do Brasil. A pasta do Turismo tem sido uma pasta menor. Nunca foi dado a ela o enfoque espetacular que ela merece.

O turismo é altamente empregador e se espalha pelo país inteiro.

É o melhor amigo da indústria e dos serviços porque torna os nossos produtos e os nossos serviços conhecidos no mundo todo e demandados no Brasil todo. Precisamos dele para vender as marcas criadas pelo imaginário brasileiro e que celebram o nosso “way of life”.

A discussão sobre a pertinência de termos uma Copa do Mundo revela, entre outras coisas, que ainda não compreendemos como ela é amiga do turismo e das marcas brasileiras. Isso não significa abençoar tudo o que é feito em nome da Copa, mas entender a sua capacidade de promover nosso país, nossos valores e nossos produtos.

O turismo é a nossa praia. É a nossa história, é a nossa cultura, é o nosso espelho e a nossa vitrine. Ele é muito mais importante do que parece. Precisa de um choque de alta-tensão e de alta atenção.

As nossas cidades históricas estão morrendo. Nosso patrimônio turístico está ameaçado. Não estamos nos preparando para o turismo de convenção e o turismo de negócios do século 21, cada vez mais exigentes.

Não é uma questão de campanha publicitária global. A campanha é tornar o turismo prioridade. Outras campanhas serão consequência.

Este país tem tantos quilômetros de praia e só tem uma Trancoso. Isso não faz sentido, é redutor. E Deus, quando fez o Brasil, pensou grande.

Fernando de Noronha, Amazônia e Pantanal são joias mundiais no crescente turismo ecológico, mas será que estão sendo geridos à altura? Como estão sendo cuidadas as cidades históricas mineiras? Por que ainda não temos uma pista de pouso em Inhotim? Quem cuida do Patrimônio Histórico de Salvador, um dos maiores conjuntos barrocos do mundo, caindo aos pedaços?

Entre os setores no Brasil que ainda estão abaixo do potencial, o turismo se destaca. Os rankings globais do turismo mostram de forma inapelável como estamos aquém do que podemos realizar.

E o turismo é um dos setores mais dinâmicos da economia mundial. Vivemos na era da mobilidade. O número de turistas internacionais não para de crescer. Tanto que a China tornou-se o maior provedor de turistas do mundo, em 2012.

Como sempre, também nesse setor temos tudo para dar certo. Duas das categorias de turismo que mais crescem no mundo são o turismo de natureza e o turismo de cruzeiro. Não precisa explicar para ninguém como somos fortes nessas duas categorias.

Dar um jeito no turismo é dar um jeito no Brasil. É uma atividade econômica multidimensional, que ajuda a organizar o país e a educá-lo. O viajante, quando escolhe um destino, está escolhendo um conjunto de bens e serviços difusos, como transportes, estadia, atividades culturais e de entretenimento, comércio, lazer, gastronomia. Antes mesmo da viagem, o turismo demanda trabalho prévio de informação, publicidade e vendas, que movimenta mais setores da economia.

Parece prova de que Deus é brasileiro nós termos conquistado essa sequência espetacular de eventos globais -Rio+20, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada. Tudo começando e acabando na cidade mais internacional do Brasil, o Rio de Janeiro, pronta para esse papel desde o dia de sua fundação. Temos que tirar máximo proveito desse calendário, não teremos outra sequência como essa.

Eu viajo muito e vejo que, apesar de nossos problemas, o mundo quer cada vez mais ser brasileiro. Nosso estilo de vida é agradável. O Brasil não odeia ninguém e, tirando o futebol, não quer derrotar ninguém. O Brasil não quer dominar o mundo, quer seduzi-lo. Somos não só um mercado emergente mas um estilo emergente.

O mundo quer viajar no Brasil. Precisamos construir os caminhos.

Nizan Guanaes – Folha de São Paulo (29/04/2014)




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