Opinião

Por Chico Santa Rita, em 15/09/2014 às 15:58  

Resenhas dos programas eleitorais dos candidatos presidenciais

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Como o consultor em marketing político esta vendo os programas eleitorais dos três principais candidatos a presidência da República. Segue aqui as análises dos 12 primeiros programas.

Resenha dos programas 12 – 13/09/2014

#Marina virou o Lula de saias na auto-comparação dela. Alguém poderia perguntar se ela vai criar um novo mensalão? Se ela vai eleger postes como Haddad e Dilma? Se ela vai colocar “companheiros” sugando a máquina governamental em proveito próprio? Etc? Etc? Etc?
Recolocou no ar sua biografia. (Coisa que Aécio, o mais desconhecido dos candidatos, só fez no quinto programa, achou que todo mundo viu, e nunca mais se falou disso…)
No final veio um novo refrão: “Olha a Dilma saindo, olha a Marina chegando”. Meu Deus! Fiquei com a estranha sensação que o Brasil pode acabar trocando seis por meia dúzia. Vem aí a companheirada da Rede!

#Aécio veio com uma “conversa franca”, onde falou de tudo e, mais uma vez, não disse nada, não sobrou nada. Palavroso, salvou o Brasil em três minutos.
Está perdidinho da silva! Parece um daqueles cães São Bernardo tentando encontrar um caminho nas “neves”.
Eureka! Depois de se passarem dois terços da programação eleitoral, o programa repetiu um conceito: a boa comparação entre o histórico político dele e o das duas moçoilas candidatas. Até o fim da campanha é capaz que eles descubram que precisam mostrar de novo a biografia e os apoios. Descubram, enfim, que a televisão é a arte da repetição. Tomara!

#Dilma, a “presidenta repetenta” continua repetindo a fórmula “segura o que tenho e, por favor, não dê solavanco”. Você vê um programa e parece que já viu todos: é o Brasil, a ilha da fantasia.
Só muda o tema: desta vez falou da expansão da internet, através da banda larga. E com total credibilidade, já que o PT usa o veículo com maestria, principalmente para destratar adversários.
Continuando a série “O Brasil é meu”, mostrou que tudo o que foi feito em Minas Gerais… foi feito por ela – um verdadeiro chute no saco (que já deve andar meio cheio) do mineirinho.
Resumo geral dos três: esta campanha está nojenta! Levy Fidelix é mais coerente…

Resenha dos programas 11 – 11/09/2014
‪#‎Aécio‬‬ mais uma vez apresentou um programa porreta. Mostrou-se uma oposição séria, articulada, apontando as semelhanças da atuação política das duas adversárias e destacando sua coerência oposicionista. Lembrou que não basta prometer aleatoriamente como as adversárias fazem, contrastando com ele, que garante fazer porque fez quando governou Minas.
O jingle cantado por miríades de artistas é bonito. Mas me lembrou a campanha de 1989, com o “Lula lá”, rebatido pelo jingle de Collor cantado por populares, sublinhados por uma advertência: “Nossos verdadeiros artistas são o povo brasileiro”.
Se o ritmo desta semana fosse presente desde o início da propaganda… talvez a eleição estivesse tri-partida. O fato é que ele tinha 20% de intenção de voto, ao se iniciar o horário eleitoral. Agora tem 15%. Será que vai dar tempo de voltar ao jogo?
‪#‎Dilma‬‬ continua defensiva, tentando segurar o patrimônio da intenção de voto que tem, empurrando com a barriga que, aliás no caso dela, anda meio grandinha.
Palavrório, números e computação gráfica, imagens bonitas a fartar. Mostrou que resolveu completamente o problema da segurança. Desembarcou no Rio de Janeiro mostrando que a cidade está uma beleza e que ela fez tudo.
Você acredita? Então saia da sua casa sozinho(a), às 11 da noite, pra dar uma caminhada de uma hora pelo seu bairro…
‪#‎Marina‬‬ respondendo óbvias perguntas do “povo” – fórmula pobre, antiga, de baixíssima credibilidade, já que o eleitor sabe que é uma situação artificial, montada. É aquele programa que se chama “falta de programa”. Fala de tudo um pouco, nada acrescenta.
Quem assistiu a programação de hoje viu que, num balanço geral, Marina perdeu. Mas, infelizmente, pouca gente está assistindo…

Resenha dos programas 10 – 09/09/2014

#Aécio veio com o programa mais consistente da campanha de TV: falou indignado dos desacertos do governo Dilma, colocando-se como a opção correta para o País funcionar e voltar a crescer.
O ponto alto: depoimentos de 10 lideranças nacionais, de norte a sul, leste e oeste, de FHC a Alckmin, apoiando a candidatura dele, mostrando por que ele é o “melhor” candidato.
Perguntas: mas por que só agora? Uma biografia no programa 5; os apoios no programa 10. Já passamos da metade da programação eleitoral, faltam 20 dias para a eleição … será que dá tempo?

#Dilma na defensiva, mostrando “revolta e repulsa” contra a corrupção. Por que então não tomou providências sérias desde o início do seu governo, quando inventaram uma “faxina marqueteira”. Se tivesse faxinado pra valer não precisava estar se desculpando agora, tentando mostrar que o governo dela é quem combate as maracutaias, através da Polícia Federal, da COAF, etc. Só faltou dizer que foi ela quem puniu os mensaleiros no Supremo…
Mas foi ela quem fez todas as obras em São Paulo e no Brasil – país maravilha, na marquetagem sacana da TV da “Presidenta indecenta”.
Ah, sim, o inchaço físico dela talvez se explique por uma possível gravidez. Ela disse que está sentindo “as dores do nascimento de um novo Brasil”. Vade retro!

#Marina deu uma murchada, com um texto meio insonso colocando-se como a opção diferente na polarização PT / PSDB.
Passou de esguelha pelo problema Petrobrás, sem se referir à “quadrilha” que tinha anunciado nos jornais do dia. Apenas mostrando que iria fazer um projeto de recuperação da empresa. Talvez essa postura suave deva-se ao fato de que Eduardo Campos – seu mentor e patrono – está sendo acusado de ter-se beneficiado do esquema.
No final apresentou o depoimento apoiativo de Caetano Veloso. Nesse item perdeu de goleada pra seleção política de Aécio.

Resenha dos programas 9 – 06/09/2014

#Aécio voltou a falar mostrando uma expressão tensa. De todo modo, agora tem um slogan e fez um belíssimo programa sobre Segurança, confrontando-se bem com Dilma e Marina.
Estamos chegando no meio da propaganda no rádio e TV com ele isolado em terceiro lugar nas pesquisas. Será que neste momento político é hora de discutir questões pontuais, como se estivesse na liderança?

#Dilma com a cara lisa, redonda, super-maquiada… parece uma boneca babuska. Tascou-se a falar de Pré-sal como a solução nacional. Mas o JN, que a antecedeu na tela da Globo, mostrou a Petrobrás (dona do Pré-sal) envolvida num escândalo de dimensões mundiais.
Outra infelicidade: disse que Marina não é mal-intencionada, apenas tem propostas erradas. Sabem o que isso significa na boca da “presidenta” com sua credibilidade “cadenta”? Ajuda a Marina!!

#Marina veio com uma biografia bem montada. Nas várias fases da sua vida, ela também parece uma boneca, daquelas de antigamente, de trapo. Mais ao gosto do povão.
Deu um tiro curto e grosso no Pré-sal: os recursos serão utilizados para educação e saúde. Não para a corrupção!

Resenha dos programas 8 – 04/09/2014

#Dilma e o País da fantasia: falou de Educação, mostrou grandes números, imagens maravilhosas, muita computação gráfica. Tudo é alegria, tudo está resolvido e o pouco que falta ela fará a seguir.
O País real: avaliação feita pela Unesco e apresentada no início deste ano coloca nossa Educação em 88º lugar no mundo. Dá vontade de chorar…

#Aécio fez a apresentação mais consistente: o PT fracassou e a oposição está dividida entre ele e Marina. Mostrou o que chamou de metamorfose dela que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que era ministra do PT e não reagiu quando o mensalão foi denunciado.
Alvissaras: finalmente sabemos que tem um slogan – “a força que o Brasil precisa” – e até um jingle cantado por sertanejos de plantão, um deles lulista de carteirinha em 2002.
(Vinha faltando uma linha editorial; será que foi encontrada agora?)

#Marina com o chororô de sempre: dona da verdade e de uma voz esganiçada. Reclama que está sendo atacada – mas a fala do adversário que a antecedeu foi bem embasada. Apresenta “compromissos”, mas não explica como vai executá-los. Trouxe depoimento de dois famosos especialistas em saúde… quem eram mesmo? Quem assistiu o programa do PSDB e depois o dela, vai ter muito o que pensar.

Resenha dos programas 7 – 02/09/2014

#Marina vem aproveitando bem os seus escassos 2 minutos de tempo. Curto e grosso deu soluções para Escola em Tempo Integral, para os problemas da Saúde e ainda deu tempo pra se vitimizar dos ataques que está recebendo. Passa credibilidade.

#Aécio já fala com calma e olhando pro telespectador. Mostra o que fez em Minas e projeta com credibilidade para o Brasil. Saiu do programa a bobagem do “bem-vindo, bem-vindo” mas continua a besteira do “Aé, aé, aé, Aécio” , além de um apresentador cabeludo assustador.

#Dilma apresentou trechos do debate do SBT (sem mostrar, claro as balbuciadas, os nervosismos etc). Parece que vive em outro país, vejam só:
- a Petrobrás e o pré-sal nos transformarão nos maiores produtores do mundo;
- a inflação está próxima de zero;
- nunca se combateu tanto a corrupção;
- depois de muito tempo sem investir, a infra-estrutura agora será prioridade.

Resenha dos programas 6 – 28/08/2014

#Marina deu um show de Plano de Governo, mostrando que tem ideias e planejamento para governar o País. Um plano apresentado para uma plateia de pessoas participativas, dando a entender que tem equipe. Programa forte, deu pra lembrar o Lula em 2002, mostrando-se um candidato viável.

#Aécio, alvissaras, depois de várias apresentações equivocadas, mudou tudo. Falou olhando pro eleitor, mais calmo, com um discurso político consistente, situando o continuísmo (Dilma) e a mudança (ele e Marina) e concluindo que é a opção mais adequada. Agora ele tem até um slogan – “a força que o Brasil precisa”. Esperemos que essa força não tenha chegado tarde demais.

#Dilma continua centrada nos números gigantescos da atuação do governo federal, personalista em excesso: foi ela quem fez tudo, até o Rodoanel de SP. Depois desaba na cabeça do eleitor uma cachoeira de promessas em computação gráfica – credibilidade zero. Lula, anacrônico, faz o discurso do medo, mas acaba dizendo que o primeiro governo dela deixou a desejar. Ou seja: tudo aquilo que Dilma diz que fez … será que fez? Programa que não ganha voto, mas também não perde.

Resenha dos programas 5- 28/08/2014

#MarinaSilva começou com um texto esotérico, vendo “estrelas no céu”. Fernanda Zuccaro, minha mulher que também trabalha comigo, deu uma definição para ser levada em conta: “essa mulher é um aiatolá de saias!” Depois mostrou-se nos seus momentos mais favoráveis do debate, com pessoas assistindo e elogiando – baixa credibilidade. Será que alguém vai mostrar trechos da entrevista dela no JN, quando foi desmascarada pelo Bonner?

#AécioNeves, o mais desconhecido entre os candidatos que contam, finalmente, no 5o programa (são só 20) mostrou sua biografia – ainda olhando para o ”entrevistador” que não entrevista. Novamente circunscreve para o que fez em Minas, sem dar-se dimensão nacional como administrador. E mais uma vez ressalta a prioridade que deu para a Educação. (Também apresentou seus melhores momentos no debate da Band.)

#DilmaRousseff repetiu um bem estruturado programa sobre Saúde que é, disparada, a maior demanda da população (pesquisa Ibope fev/2014 – principais problemas do Brasil: Saúde 58%, Segurança 39%, Educação 31%). Seu semblante vem mostrando uma mal disfarçada ansiedade: uma “presidenta” em situação “preocupanta”.

Resenha dos programas 4 – 26/08/14

Marina aparece pasteurizada, sem emoção, lendo um discurso preparado, chamando o Vice para ajudá-la. Bem diferente da Marina insinuante, perspicaz, objetiva e contundente que se viu logo a seguir, no Debate da Band.

Aécio mais uma vez insonso, numa roda de jovens, sem credibilidade, enredado num modelo de TV ultrapassado. Meus comentários dos três programas anteriores mostraram essa dicotomia que deveria preocupar uma campanha que, depois do início da TV eleitoral, perdeu 4 pontos na pesquisa Ibope. Também poderia ter tido um desempenho melhor no Debate da Band – tanto na postura gestual, como na apresentação das idéias.

Dilma despejou números e mais números, num programa tradicionalzão, entulhado das ações que o governo executa na área da Saúde. Você sabia que existe um treco chamado Rede Cegonha? Pois é … veio até o Ministro dar uma força. (Isso pode no horário eleitoral?) Postura semelhante foi usada no Debate da Band. Nitidamente está tentando se segurar com as intenções de voto que tem, em busca de um 2º turno onde “salve-se quem puder”.

Resenha dos programas 3 – 23/08/2014

Marina estreou com um discurso cheio de intenções de unir o Brasil. Palavras ao vento de quem não consegue nem unir o próprio partido. Vejam a manchete da Folha de hoje: “Crise e estrutura frágil desafiam campanha do PSB”. O texto conta que metade dos acordos estaduais fechados por Eduardo Campos já se esfarelaram.

O programa de Aécio melhorou: ele já consegue falar com mais calma, olhando direto para o telespectador. O jingle é uma bobagem e não aparece o essencial 45. Mostrou os bons resultados de um programa educacional para jovens que fez quando governador em Minas. Mas pode estar caindo na mesma cilada que vitimou a candidatura Alckmin 8 anos atrás, na comparação do seu governo em SP, versus o governo Lula no Brasil inteiro (ver meu livro “Novas Batalhas Eleitorais, pág. 23 a 26).

Dilma também mostrou programa educacional para jovens: com números e emoção muito mais consistentes. (Na eleição de 2006, como agora, a questão central não era comparar obra. Era a moral esgarçada pelo mensalão, assim como agora é a administração comprometida pela roubalheira e pela incompetência.) Além do que a “presidenta” capricha na emoção que pega forte na “assistenta”.

Resenha dos programas 2 – 21/08/2014

Marina veio com cara de boazinha e emoção fácil. Veio ainda explorando os efeitos pela morte de Eduardo Campos. Será que ninguém vai dizer que os verdadeiros amigos de Eduardo Campos se afastaram da campanha dela. Que até outro dia o marido dela trabalhava para o governo do PT do Acre. Eduardo Campos, esteja onde estiver, não deve estar gostando. Quem viver verá a verdadeira Marina.

Aécio mostrou uma biografia plastificada – mais computação gráfica do que realidade. Olhando para um entrevistador que não o entrevistava. Será que as pessoas gostam de “conversar” com alguém que não olha para elas? Melhorou um pouco, mas está longe de se mostrar uma alternativa real.

Dilma veio encaixotada num estúdio lendo o que escrevem pra ela. Dali pulou para grandes obras do setor elétrico e para a transposição do São Francisco dizendo candidamente que a obra está 5 anos atrasada. Será que alguém vai dizer “que a obra está custando 5 vezes mais”?
A mensagem : “Vamos continuar com isso que está aí!”
Pergunto: Será que alguém vai perguntar se vão continuar os atrasos e os superfaturamentos?

Resenha dos programas 1- 19/08/2014

O horário eleitoral começou ontem com o PSB cultuando a memória de Eduardo Campos: bonito, mas improdutivo, repetiu o que as TVs mostraram exaustivamente na última semana.

Aécio palavroso, com um discurso que nada deixa na memória de ninguém e, pior, passando uma imagem de distanciamento, com as pessoas assistindo o discurso na TV, no celular, ouvindo no rádio. Perda de tempo – um desastre completo.

Dilma veio no meio do povo, afável, carinhosa, mãezona. Também teve material bem feito sobre um dos problemas que perturbam o desempenho do governo: infraestrutura. Pra completar, Lula deu o tom: “ela será melhor no segundo mandato; comigo também foi assim”.

E no meio disso tudo, os nanicos falando besteira – um horror!




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