Economia

Por Observador Conteúdo, em 29/10/2014 às 10:32  

Estagnação e inflação freiam o País

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Se a performance do Brasil ficasse em torno da média mundial, o país poderia crescer 3% este ano. Esta é a estimativa do Fundo Monetário Internacional, que oferece algum alento a países submetidos por algum tempo à recessão ou ao baixo crescimento. Os brasileiros não têm como dispor nem desse consolo. Este poderá ser o pior ano para a nossa economia, desde 2009, se confirmada a estagnação prevista pelo Boletim Focus, do Banco Central, baseada em expectativas do mercado. O PIB teria uma evolução de apenas 0,27%, o que significa mais um longo período de frustração, provocado pelo esgotamento de uma política econômica que desconectou as intenções do governo das expectativas e dos projetos de quem produz.

O relatório do FMI e análises de outras instituições desmentem a tese, defendida com insistência por Brasília, segundo a qual o Brasil ainda é sacrificado pelos efeitos da crise iniciada em 2008. É um pretexto que não se sustenta na realidade. Países ricos, emergentes e mesmo nações com padrão econômico bem abaixo do brasileiro já demonstram claros sinais de que caminham para a recuperação. Não foi o que aconteceu aqui, apesar das declarações sempre otimistas dos orientadores da política econômica. O Brasil vai acumular em 2014 quatro anos de crescimento pífio. É um período longo demais, em quaisquer circunstâncias, para reabilitar a confiança do setor produtivo.

O Brasil acomodou-se, nos últimos anos, no conforto do alto nível de consumo doméstico e do baixo nível de desemprego. Enquanto isso, o governo perdeu a chance de moralizar suas contas, qualificar gastos e corrigir déficits históricos em infraestrutura. É consenso entre economistas e empresários que, além desses entraves crônicos, o país precisa enfrentar uma inflação que, estabilizada ao redor de 6% ao ano, penaliza em especial as camadas de baixa renda e põe em risco um conjunto de conquistas de uma década e meia, que se expressam exatamente em emprego, renda e qualidade de vida.

Reeleita, a presidente Dilma Rousseff está diante de velhos desafios ampliados pela inércia de um ano eleitoral. Não podem ser adiadas respostas aos apelos para que a inflação recue do teto da meta estabelecida pelo próprio BC, o déficit público seja encarado com seriedade e o país deixe de desperdiçar recursos consumidos pela corrupção. A recuperação da economia deve passar também pela moralização da função pública, em todas áreas do Executivo.

Zero Hora – 29/10/2014




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