Opinião

Por Rodrigo Silveira, em 28/10/2014 às 23:08  

Não foi uma derrota normal. Não foi!

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Não foi uma derrota normal. Não, não foi. Você pode até não acreditar, mas eu ainda tendo fé na boa política e no poder que ela tem de melhorar a vida das pessoas. Não olho uma eleição procurando erros nos que disputam, e sim soluções para o país. Os políticos não são todos iguais, e sempre representam caminhos diferentes a serem trilhados.

Para mim Aécio Neves representava a redenção de um país subjugado por um partido político há 12 anos. Um partido que hoje não sabe mais a que serve.

O projeto do Aécio refletia muitas das minhas aspirações: abertura econômica, parcerias entre governo e iniciativa privada para tirar investimentos do papel, desenvolvimento industrial como prioridade, uma nova atuação na política externa, investimentos em inovação e tecnologia, melhoria na gestão do SUS e foco na educação básica, aquela que forma cidadãos.

Aécio representava a retomada da construção de uma sociedade dinâmica, plural, que respeita os adversários e vê o indivíduo como sujeito capaz de decidir o seu rumo sem a ingerência do Estado.

O que estava em jogo neste domingo era mais do que o azul ou o vermelho. Eram dois jeitos de fazer política, duas formas de administrar, duas visões do Brasil e da democracia.

Dilma Rousseff foi, neste 26 de outubro de 2014, a primeira presidente eleita sem sequer apresentar um plano de governo. Eleita sem projeto, agora todos especulam o que será que ela fará nos próximos 4 anos. Há 12 anos no poder, o PT preferiu passar a campanha inteira insinuando que Aécio Neves é corrupto, drogado, bêbado, espancador de mulheres e aniquilador de pobres.

Não consigo compactuar com este jeito de fazer política. Um partido que se vê como dono do país e usa verdadeiras peças de ficção de baixíssimo nível para destruir a honra dos seus adversários não merece o meu respeito. Quando alguém se dispõe a ir para a televisão pedir voto e impor medo à população caso o adversário vença, algo muito errado está acontecendo.

Esta semana está sendo difícil pra mim. Não perdi uma eleição. Perdi a crença no país em que nasci e que tanto quero bem. Desde 2005 me engajei, por pura ideologia, na luta pela reabertura democrática do país com a alternância de poder, pois entendo que o partido que nos governa não é aberto ao diálogo e leva a nação para um rumo nada democrático. Votei no Geraldo Alckmin e no José Serra, sabendo que ambos perderiam. Desta vez acreditei na vitória. Não deu.

Cheguei ao meu ponto de cansaço. Parece que tudo o que li e estudei por puro passatempo para procurar entender o Brasil não serviu de nada.

Dilma agora fará um governo medíocre. Não tem projeto, não tem liderança, não tem base política coesa, não tem sequer humildade para admitir erros e corrigi-los. Fará um governo focado na simples manutenção da atual situação de intervencionismo, inflação alta e maquiagem de estatísticas, sempre flertando com ideias autoritárias de controle da imprensa e uso político da Polícia Federal.

Perdemos uma oportunidade de retomar uma agenda de crescimento e de desenvolvimento com os olhos na construção de uma sociedade próspera, dinâmica e democrática. Agora, só em 2018.

De qualquer maneira, foram 51.041.155 pessoas que saíram de casa para digitar o 45 na urna. Fui uma delas. NÃO É HORA DE UNIÃO, É HORA DE OPOSIÇÃO. O PSDB e os seus aliados que honrem a metade do país que representam, e asfixiem todas as propostas que divirjam do que Aécio Neves apresentou no seu Plano de Governo. Têm, ao seu lado, o povo brasileiro.

Estou cansado e desestimulado, mas a vida segue e não podemos esmorecer. A realidade só se altera quando as pessoas de bem se unem em torno de bons propósitos.

‪#‎MudaBrasil‬




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