Brasil

Por Observador Conteúdo, em 20/10/2014 às 09:54  

Um fardo regional

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Mais uma das consequências negativas da política econômica do governo Dilma Rousseff, o mau desempenho do comércio exterior brasileiro está arrastando para baixo as estatísticas de exportação e de importação dos países da América do Sul e da América Central. No mais recente relatório sobre o desempenho do comércio internacional, a Organização Mundial do Comércio (OMC) previu que, em 2014, as exportações desses países serão apenas 0,4% maiores do que as de 2013 e as importações cairão 0,7%. Serão resultados bem piores do que o previsto para todo o comércio mundial. Embora tenha sido reduzida em relação à feita em abril, a nova projeção da OMC é de aumento de 3,1% do comércio mundial (a anterior era de crescimento de 4,7%).

Como maior economia da região, o Brasil tem peso decisivo nessas projeções. No primeiro semestre de 2014, as exportações brasileiras alcançaram US$ 110,5 bilhões, valor 2,6% menor do que as vendas externas da primeira metade de 2013. As importações ficaram em US$ 113,0 bilhões, queda de 3% em relação ao ano passado. Nos países da América do Sul e Central, houve queda de 3,7% nas exportações e de 4,9% nas importações, na comparação dos resultados do segundo trimestre deste ano com as de igual período de 2013.

São resultados parecidos, ou até piores do que os dos países que a Organização Mundial do Comércio agrupa como “outras regiões”. No segundo trimestre, essas regiões registraram queda de 3,9% nas exportações e de 0,9% nas importações.

O fato de os países americanos em desenvolvimento terem aumentado mais suas importações parece ser animador. Basta ver a lista dos países incluídos em “outras regiões”, porém, para entender a fraqueza do comércio exterior dos países americanos. A lista inclui todos os países da África assolada pela disseminação do vírus Ebola, o Oriente Médio em permanente conflito e os países que faziam parte da antiga União Soviética – a Comunidade dos Estados Independentes -, dos quais dois, Rússia e Ucrânia, mantêm na fronteira forças militares prontas para a luta.

O fraco desempenho dos países sul e centro-americanos, bem pior do que o dos demais países emergentes, foi determinante para a redução da previsão da OMC sobre o comportamento do comércio mundial neste ano.

Em 2015, embora a região deva apresentar resultados bem melhores do que os deste ano, suas exportações crescerão menos do que as de todas as demais regiões, incluídas as economias desenvolvidas (Estados Unidos, Europa e Japão), a Ásia, os países em desenvolvimento e as “outras regiões” – cujos problemas continuarão a afligir os governos.

A queda dos preços dos principais produtos de exportação da América do Sul e Central – commodities agrícolas e matérias-primas, entre outros – explica boa parte do fraco desempenho de seu comércio exterior. No caso brasileiro, porém, o acúmulo de problemas decorrentes da ineficácia das políticas de estímulo aos investimentos e à produção, da rápida corrosão da credibilidade da política fiscal, dos erros da política de comércio exterior e da acelerada perda de competitividade e da capacidade de inovação da indústria de transformação prejudicou ainda mais o desempenho das exportações e agora começa a comprometer a capacidade de importação. Os efeitos negativos sobre o comércio regional se acentuaram.

O pífio crescimento da economia esperado para este ano – e que vem sendo revisto para baixo a cada nova estimativa dos analistas do setor privado e pelo próprio governo -, a persistente frustração com os resultados da balança comercial, a deterioração das contas públicas, a inflação alta são consequências da política econômica do governo do PT que os brasileiros já conhecem bem.

Até agora confinados ao plano interno, essas consequências começam, porém, a contaminar também os resultados regionais, como comprovam as novas estimativas da OMC. Em vez da locomotiva econômica regional prometida pelo governo, o Brasil parece ter-se tornado um fardo para os países americanos.

O Estado de S. Paulo – 20/10/2014




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