Brasil

Por Observador Conteúdo, em 04/02/2015 às 09:24  

A indústria arrasada

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Devastada no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a indústria produziu no ano passado menos do que em 2011, quando ela iniciou seu governo, e menos até do que em 2010, último ano de seu antecessor e inventor de sua candidatura. Com a produção deprimida nas fábricas, o setor de energia emperrado e a Petrobrás destroçada pela corrupção e pelos erros administrativos, a economia brasileira entra em 2015 muito enfraquecida e com baixíssimo potencial de crescimento. Só em março deverão ser conhecidos os números finais do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, mas os dados da produção industrial já proporcionam uma boa ideia do desastre. O setor ainda é a alavanca principal de dinamismo econômico do Brasil e a fonte mais importante de empregos decentes. Quando fraqueja, como nos últimos quatro anos, o ritmo geral dos negócios é afetado e a economia perde qualidade.

No ano passado, a produção geral da indústria diminuiu 3,2%, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve recuo em todas as grandes categorias – bens de capital, bens intermediários e bens de consumo de todas as classes. O desempenho do setor oscilou ao longo do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, mas prevaleceu a tendência de enfraquecimento.

Em 2011, a produção foi 0,4% maior que em 2010. Recuou 2,3% em 2012, cresceu 2,1% em 2013 e voltou a diminuir em 2014. Feito o balanço dos avanços e recuos, a indústria produziu no ano passado 3,05% menos que em 2010. Não foi um acidente, mas o desdobramento normal de um processo de enfraquecimento.
Nesses quatro anos a indústria perdeu mais do que impulso. Perdeu também potencial de crescimento e capacidade de competir. Não foi apenas um período de conjuntura adversa, embora a presidente Dilma Rousseff tenha insistido, o tempo todo, em atribuir os problemas brasileiros à crise internacional. Entre 2011 e 2014, o setor se debilitou por insuficiência de investimento, como também mostram os números divulgados pelo IBGE.

A fabricação de bens de capital – máquinas e equipamentos – aumentou 5% em 2011, diminuiu 11,2% em 2012, cresceu 12,2% em 2013 e encolheu 9,6% no ano passado. Resultado da oscilação: em 2014, o segmento de bens de capital produziu 5,43% menos que em 2010, último ano do segundo mandato do presidente Lula.
Em todos os trimestres a produção de bens de capital para a indústria foi menor que a de um ano antes. Os recuos foram de 3,8%, 8,4%, 3,1% e 1,1%, na comparação de cada período com o trimestre correspondente do ano anterior. Ao longo do ano também diminuiu a fabricação de máquinas e equipamentos para agricultura, transporte, energia, construção e uso misto. Isso se reflete na redução geral do investimento, já indicada nos cálculos do PIB até o terceiro trimestre de 2014.

O quadro se completa com os dados de importação. No ano passado foram gastos US$ 47,71 bilhões com bens de capital importados. Esse valor foi 7,6% menor que o de 2013, pela média dos dias úteis.

O cenário geral da economia brasileira é, portanto, de enfraquecimento. Algum segmento poderá ter tido um desempenho melhor, mas o quadro mais amplo é negativo. O investimento tem sido baixo há muito tempo e a nova queda, em 2014, apenas agravou a tendência à perda de produtividade.

No ano passado, a exportação de manufaturados, no valor de US$ 80,21 bilhões, foi 13,7% menor que a do ano anterior. Parte dessa queda é explicável pela crise argentina, mas a excessiva dependência do mercado argentino também resulta de um erro político.

A balança comercial brasileira de certa forma resume dois conjuntos de erros. Os de estratégia comercial e de diplomacia econômica foram cometidos entre 2003 e 2014. Os de política industrial e de crescimento econômico ocorreram em todo o período petista, mas agravaram-se nos primeiros quatro anos da presidente Dilma Rousseff, com a insistência nos incentivos e nos favores a grupos selecionados. Os números da indústria são a prova mais visível do fracasso dessas políticas.

O Estado de S. Paulo – 04/02/2015




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